
A 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, divulgada nesta quinta-feira (27), revela que 27% das mulheres na Bahia já sofreram agressões; em 71% dos casos, crianças presenciaram o ato
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, divulgada nesta quinta-feira (27), traz um diagnóstico alarmante sobre a segurança feminina na Bahia. Realizado pelo Instituto DataSenado e pela Nexus, o levantamento aponta que 81% das baianas acreditam que a violência doméstica aumentou nos últimos 12 meses – um índice significativamente superior à média nacional, que é de 74%. Além da percepção de insegurança, os números confirmam a realidade brutal: 27% das mulheres do estado declaram já ter sofrido algum tipo de violência doméstica ou familiar.
Os dados, que integram o Mapa Nacional da Violência de Gênero, revelam que a agressão na Bahia não é um evento isolado, mas uma tragédia assistida dentro de casa. Em 71% dos casos relatados no estado, havia testemunhas presentes. O dado mais inquietante é que, nestas situações, 71% das testemunhas eram crianças, evidenciando como a violência atinge diretamente o desenvolvimento das próximas gerações.
O ciclo da violência e o perfil do agressor
A pesquisa detalha a dinâmica das agressões na Bahia. A violência psicológica se destaca como a mais prevalente, muitas vezes servindo como porta de entrada para agressões físicas e morais. O perigo reside, majoritariamente, sob o mesmo teto ou em laços de intimidade.
| TIPO DE VIOLÊNCIA SOFRIDA (BAHIA) | PERFIL DO AGRESSOR E MOTIVAÇÃO |
| Psicológica: 91% | Marido/Companheiro: 43% |
| Moral: 76% | Ex-namorado/Ex-marido: 19% |
| Física: 75% | Motivação – Ciúmes: 52% |
| Patrimonial: 41% | Motivação – Álcool: 47% |
| Sexual: 26% | Convivência atual com agressor: 20% |
| Fonte: Instituto DataSenado / Mapa Nacional da Violência de Gênero (Recorte Bahia) |
A ruptura desse ciclo esbarra na convivência forçada, já que 20% das vítimas baianas afirmam que ainda moram com o agressor. Os gatilhos para as agressões seguem padrões conhecidos, mas letais, com o ciúme e o uso de álcool figurando como os principais catalisadores dos episódios mais graves.
Descrédito na proteção legal e vulnerabilidade econômica
Um dos pontos mais críticos do levantamento é a crise de confiança nas instituições públicas. Embora 94% das baianas conheçam a existência das Delegacias da Mulher, apenas 24% denunciaram a última agressão nestas unidades. A maioria (67%) optou por procurar ajuda informal na família.
O ceticismo alcança a principal ferramenta jurídica do país: 70% das mulheres na Bahia que conhecem parcialmente a Lei Maria da Penha acreditam que ela protege “pouco” as vítimas. Essa sensação de desamparo é agravada pela dependência econômica severa.
| FONTE DE RENDA E VULNERABILIDADE (BAHIA) |
| Benefícios do Governo (ex: Bolsa Família): 51% |
| Aposentadoria ou Pensão: 41% |
| Trabalho (Formal/Informal): Citado como principal fonte por apenas 22% (na média nacional) |
Este cenário local corrobora a análise nacional da pesquisa, que aponta que mulheres fora da força de trabalho têm três vezes mais risco de sofrer violência (12%) do que as empregadas (4%). Vitória Régia da Silva, diretora executiva da Associação Gênero e Número, alerta para essa correlação: “A autonomia econômica não é apenas uma condição desejável, mas uma política estratégica de enfrentamento. Sem isso, continuaremos tratando os sintomas, não as causas”.
Impacto na rotina
No contexto nacional, a pesquisa indica que 69% das vítimas tiveram sua rotina alterada após as agressões, com impactos severos no trabalho (46%) e nos estudos (42%). Na Bahia, onde a percepção de que as mulheres não são tratadas com respeito atinge 53%, esses dados sugerem um obstáculo estrutural ao desenvolvimento social e econômico do estado.
Para a senadora Augusta Brito (PT-CE), que encomendou a nova edição da pesquisa, os números exigem ação imediata. “Os dados revelam que a violência doméstica limita a autonomia das mulheres e pode impedir o acesso a direitos básicos, comprometendo o futuro das famílias e do país”, afirma. A pesquisa ouviu 21.641 mulheres em todo o Brasil e marca os 20 anos de monitoramento do tema pelo DataSenado.
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