Câmara de Barreiras expõe curto circuito entre prefeitura e ciclista em sessão
Leitura de nota sobre o cancelamento da Corrida 26 de Maio transforma sessão da Câmara de Barreiras em confronto político e expõe nova derrota da base governista
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A sessão desta segunda-feira (04) na Câmara de Barreiras começou tensa e terminou elétrica, mas o momento de maior descarga veio quando o presidente Yure Ramon, com o celular em mãos, decidiu transformar indignação em registro oficial.
Da tela para o plenário, leu-se a nota da comunidade ciclista denunciando o cancelamento da tradicional Corrida 26 de Maio – evento elevado à condição de patrimônio imaterial por lei municipal. O que poderia ser apenas mais um informe administrativo funcionou como faísca em ambiente já saturado: imediatamente, o vereador João Felipe protocolou uma Moção de Repúdio, e o plenário deixou de ser espaço de fala para se tornar pista de confronto.
A base governista, que desde cedo operava em modo contenção de danos, tentou frear o movimento. O líder do governo, Hipólito, acompanhado por Valdimiro José, acionou o conhecido argumento do “diálogo necessário” – ainda que o interlocutor, segundo a oposição, sequer tenha demonstrado sintonia com a relevância histórica do evento.
Valdimiro José, em especial, buscou um equilíbrio delicado: declarou-se “amigo do esporte” enquanto defendia a gestão responsável pelo cancelamento. A tentativa de conciliar posições antagônicas não passou despercebida e rendeu resposta imediata de João Felipe:
“Não dá para acender uma vela para Deus e outra para o Diabo. Escolha o seu lado.”
A partir daí, o debate deslizou do campo político para o terreno pessoal. Visivelmente incomodado, Valdimiro interrompeu o fluxo para reivindicar tratamento protocolar, exigindo ser chamado de “Vossa Excelência” após ter sido tratado como “você” e “rapaz”. O episódio, por si só, já carregava certa ironia: em meio à discussão sobre o descumprimento de uma lei municipal, a formalidade virou pauta central.
O contraste se aprofundou quando, no calor de sua própria defesa, o vereador acabou recorrendo ao mesmo tratamento que havia criticado – sendo prontamente lembrado disso. Um raro momento em que a coerência resolveu participar do debate, ainda que por instantes.
No mesmo cenário, Dicíola Baqueiro buscou reduzir a temperatura, classificando a moção como medida “extrema”, enquanto o presidente Yure Ramon reforçava uma posição de independência, sinalizando que não se alinharia automaticamente a qualquer grupo político.
Ao final, o resultado foi menos simbólico do que prático: a Moção de Repúdio foi aprovada por 12 votos a 5, impondo uma derrota clara à base do prefeito Otoniel Teixeira. A tentativa de contenção não apenas falhou – ficou registrada.
Enquanto isso, fora do plenário, permanece a questão central: uma lei municipal ignorada, um evento tradicional cancelado e uma comunidade que precisou recorrer à Câmara para ser ouvida.
No fim, a sessão deixou um recado simples: quando a roda não gira na gestão, acaba travando no plenário – e, às vezes, em público.
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