Roberto Sánchez vence eleição presidencial no Peru após virada histórica sobre Fujimori
Foto: Stifs Paucca/Reuters
Com 99,8% das urnas apuradas, candidato da esquerda consolida vantagem de 50 mil votos; Keiko Fujimori contesta resultado e aciona Justiça Eleitoral.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O economista Roberto Sánchez, da coalizão Juntos por el Perú, é o vencedor virtual da eleição presidencial peruana de 2026. Com 99,84% das atas contabilizadas pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) nesta segunda-feira (9), Sánchez alcançou 50,14% dos votos válidos, superando a conservadora Keiko Fujimori, que soma 49,86%. A diferença, que se estabilizou em aproximadamente 50 mil votos, confirma a tendência de virada impulsionada pelo voto das zonas rurais e das províncias andinas, processados na reta final da apuração.
A vitória de Sánchez representa uma derrota para o fujimorismo, que liderava a contagem inicial baseada nos votos de Lima e dos peruanos no exterior. Embora Fujimori tenha vencido fora do país com cerca de 66% de preferência, o volume total do distrito estrangeiro não foi suficiente para conter o avanço da esquerda no interior do país.
Contestação judicial e atas impugnadas
Apesar da contagem matemática estar praticamente encerrada, a proclamação oficial do novo presidente depende do julgamento de 141 atas impugnadas e recursos de nulidade apresentados pelo partido Fuerza Popular. Keiko Fujimori alega irregularidades em mesas de votação de redutos eleitorais de Sánchez, estratégia semelhante à adotada em pleitos anteriores.
O Jurado Nacional de Eleições (JNE) deve analisar as contestações nos próximos dias. No entanto, observadores internacionais e analistas estatísticos indicam que o volume de votos sob suspeita é insuficiente para alterar o resultado final das urnas.
Desafios da governabilidade
Sánchez assume um país marcado pela fragmentação política, tendo enfrentado um primeiro turno com recorde de candidatos. O novo presidente terá o desafio de estabilizar a economia e dialogar com um Congresso onde o fujimorismo ainda mantém uma bancada expressiva. O oeste da Bahia, importante parceiro comercial do Peru no setor agrícola, monitora o desfecho da crise política, dado que a estabilidade no país andino impacta diretamente as exportações de tecnologia e grãos na região do Matopiba.
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