Após denúncia da vereadora Carmélia da Mata, gestão municipal confirma atrasos com prestadores desde outubro e revela que o custo do Carnaval seria suficiente para quitar um mês inteiro da folha da Saúde; análise aponta “apagão” estratégico e histórico de desgaste e caos administrativo
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A saúde pública de Barreiras tornou-se palco de um embate público contundente neste domingo (25), expondo uma crise de gestão que extrapola o campo político e adentra o núcleo da administração pública. Após um vídeo-denúncia da vereadora Carmélia da Mata (PP), a secretária municipal de Saúde, Larissa Barbosa, respondeu com declarações que acabaram por confirmar a gravidade do colapso financeiro do setor.
Em um movimento visto nos bastidores como verdadeiro “sincericídio” administrativo, a gestora admitiu “atrasos importantes” nos pagamentos a prestadores de serviço e revelou que o orçamento destinado ao Carnaval seria suficiente para quitar um mês inteiro da folha de pagamento da Saúde, sem cobrir sequer despesas básicas de custeio.
O embate: a analogia entre a festa e a sobrevivência
A controvérsia teve início após a vereadora Carmélia da Mata visitar laboratórios e clínicas de fisioterapia do município, denunciando que diversos prestadores conveniados estão sem receber repasses desde outubro de 2025.
“Eu não posso deixar aqui de fazer uma analogia entre o carnaval e a saúde. O município precisa respeitar e honrar seus prestadores. O senhor já imaginou ficar sem salário outubro, novembro, dezembro e janeiro? Pois é, honre, prefeito”, disparou a parlamentar, ressaltando que o planejamento financeiro de famílias inteiras está sendo destruído pela inadimplência do poder público.
Carmélia reconheceu o potencial econômico do evento carnavalesco, mas criticou a inversão de prioridades:
“A saúde em Barreiras, infelizmente, não está sendo prioridade. Antes do carnaval, a saúde é extremamente importante. Tem gente já fechando laboratório porque tem que honrar suas faturas e o município não faz o repasse”, alertou.
A tréplica da secretária: confissões de um sistema fragilizado
Na resposta às críticas, a secretária Larissa Barbosa tentou ironizar a fiscalização exercida pelo Legislativo, mas acabou reforçando os fundamentos da denúncia. Em declaração direta, reconheceu:
“É verdade que existe um atraso importante no pagamento e no repasse na prefeitura para a saúde”.
O dado mais alarmante veio na tentativa de defender o Laboratório Municipal Leonidia Aires. A própria secretária admitiu a incapacidade estrutural da rede pública:
“Se apenas ele for o referencial para os pacientes de Barreiras e região, não atenderíamos 2% da demanda da região Oeste”.
Larissa detalhou ainda que o município investe cerca de R$ 300 mil mensais em laboratórios privados, evidenciando que, sem os prestadores atualmente inadimplidos, o sistema de saúde de Barreiras entraria em colapso em menos de 48 horas.
O paradoxo financeiro: o custo da festa versus o custo da vida
O debate atingiu seu ponto mais sensível quando a própria secretária comparou o gasto com o Carnaval à folha de pagamento da Saúde:
“Caso o carnaval custe 12 milhões para o município, esse valor só pagaria 1 MÊS DE RH DA SAÚDE (entre contratos diretos e terceirizados) sem direito a compra de uma agulha!”, escreveu Larissa Barbosa.
Sob análise lógica e objetiva, a declaração expõe uma contradição central da gestão. Se o município possui liquidez para empenhar R$ 12 milhões em um evento de poucos dias, também dispõe de recursos suficientes para quitar as dívidas acumuladas com os laboratórios responsáveis por 98% dos exames e diagnósticos da população.
Para os prestadores que acumulam quatro meses de inadimplência, o custo de poucas atrações nacionais seria suficiente para regularizar exames essenciais e evitar o fechamento de unidades.
Análise: admissão de “apagão” e abandono do investimento público
Reconhecer que o laboratório municipal atende apenas 2% da demanda é a comprovação explícita de que o investimento em infraestrutura pública foi negligenciado, substituído por um modelo de terceirização extrema que agora colapsa.
Atrasar pagamentos de quem executa 98% dos diagnósticos enquanto se financiam festividades de grande porte configura uma escolha política clara – e, para especialistas, uma forma de sabotagem indireta do direito à saúde.
A Saúde de Barreiras acumula histórico de desgaste, marcado por sucessivas crises, denúncias de falta de insumos, falta de servidores, exames básicos e instabilidade administrativa. Esse ambiente de fragilidade estrutural atinge agora seu ápice com a admissão pública de dívidas, incapacidade operacional e dependência quase absoluta do setor privado.
As contradições lógicas e dados admitidos pela gestão
| Argumento da secretária | Realidade inquestionável | Consequência direta |
| “Laboratório municipal só atende 2%.” | Revela falta crônica de investimento em estrutura pública. | Dependência total e perigosa do setor privado. |
| “Atrasos são importantes.” | Admite calote desde outubro enquanto anuncia festa milionária. | Inversão de prioridades: festa acima da vida. |
| “Carnaval só paga 1 mês de RH.” | O valor total do evento quitariam meses de dívidas com laboratórios. | Falha ética e de planejamento orçamentário. |
| “Saúde abandonada? Exagero.” | Admitir calote e 2% de capacidade confirma o abandono. | Gestão reativa, sem estratégia e sem credibilidade. |
O confronto entre Carmélia da Mata e Larissa Barbosa escancara uma chaga aberta na administração municipal de Barreiras. Enquanto a vereadora cobra honradez, planejamento e prioridade aos trabalhadores e à população, a secretária, ao tentar se defender, acaba validando o cenário de precariedade financeira e dependência estrutural.
A resposta da gestora não neutraliza a denúncia – ao contrário, a amplifica, confirmando que a saúde de Barreiras opera sustentada por prestadores que o município escolhe não pagar, enquanto prioriza o financiamento de grandes eventos em detrimento de um direito constitucional básico: a vida.
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