A primeira sessão ordinária de 2026 na Câmara de Barreiras mostrou embates intensos entre Executivo e Legislativo, com resistência à aprovação de um empréstimo de R$ 140 milhões, críticas à gestão da saúde e fortalecimento do bloco fiscalizador
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A sessão desta quarta-feira (04) ficou marcada por confrontos diretos entre o presidente da Câmara, Yure Ramon, e o líder do governo, Hipólito, em um cenário de forte polarização política. A tentativa do Executivo de pautar um empréstimo de R$ 140 milhões, ainda sem projeto formal detalhado, desencadeou reação coordenada da oposição e de parlamentares independentes, evidenciando fragilidades administrativas e fiscais da gestão de Otoniel Teixeira.
Importante destacar que a questão do empréstimo havia sido antecipada oficialmente pelo vice-prefeito Túlio Viana, que participou da sessão solene de abertura dos trabalhos legislativos para 2026. Representando o prefeito, Túlio reforçou de forma equilibrada a necessidade de aprovação do crédito e a continuidade das obras do Hospital Geral e projetos de infraestrutura, sinalizando prudência diante da Câmara e atenção do Executivo às demandas legislativas.
Confronto no plenário: Hipólito pressiona, Yure Ramon responde com frieza estratégica
O embate entre Hipólito e Yure Ramon ultrapassou os limites do debate técnico, atingindo tom intimidador. Hipólito questionou a legitimidade da Mesa Diretora, insinuou irregularidades e buscou paralisar a presidência por meio de pressão política e ameaças veladas. Ele destacou infrações regimentais em votações anteriores, citou obras estruturantes como do futuro Hospital municipal, asfaltamento e pontes, e cobrou a pauta imediata do empréstimo de R$ 140 milhões, argumentando que os recursos beneficiariam diretamente a população.
Yure Ramon respondeu com frieza tática. Reafirmou que todas as votações seguem rigorosamente o regimento, sugeriu a criação de uma comissão para aperfeiçoamento da lei orgânica e pediu desculpas públicas por excessos em sessões anteriores. O gesto isolou Hipólito politicamente e reforçou que qualquer tentativa de intimidação seria acompanhada e retaliada tecnicamente. O contraste entre a pressão agressiva e a firmeza calculada consolidou a autoridade da presidência e estabeleceu um cenário de dissuasão mútua.
João Felipe e o “fato gerador” dos R$ 80 milhões
João Felipe na Câmara de Barreiras: postura crítica e analítica sobre o gasto de R$ 80 milhões no Hospital Municipal, defendendo transparência e anunciando intenção de CPI para fiscalizar o fluxo financeiro das obras, destacando falhas na saúde e na execução de contrato
O vereador João Felipe destacou-se por sua postura incisiva e analítica, trazendo à tona os R$ 80 milhões já empenhados no Hospital Municipal e questionando a eficácia do gasto público. Ele anunciou a intenção de abrir uma CPI para investigar o fluxo financeiro da obra, argumentando ser inadmissível solicitar mais R$ 140 milhões sem prestação de contas rigorosa.
João Felipe traçou um panorama crítico da saúde municipal: cirurgias paralisadas, carência de especialistas, desabastecimento de medicamentos e obras de unidades básicas interrompidas ou fechadas, como Barreira Sul, Mucambo e Buritis. Criticou ainda a falta de planejamento, judicialização contra fiscalizações e priorização de aditivos milionários em contratos. Em síntese, transformou os R$ 80 milhões em uma “arma de auditoria”, deslocando o debate de “necessidade de novos recursos” para “transparência sobre o que já foi gasto”, deixando o Executivo em beco sem saída técnico e moral.
Pilares da Câmara: diplomacia, técnica e pragmatismo
A sessão evidenciou a atuação estratégica de outros parlamentares, cada um representando um pilar distinto do tabuleiro político da noite:
Delmah Pedra – Diplomacia sob Condição: atuou como “ponte vigiada”, usando autoridade moral e biografia para manter o diálogo, mas enviando avisos severos ao Executivo. Destacou que seu apoio ao empréstimo depende de resultados concretos, priorizando impactos sociais efetivos.
Allan do Allanbick – Crítico Técnico e Fiscal: fugindo de questões ideológicas, destacou o alto endividamento de Barreiras (93%) e questionou a capacidade de planejamento do Executivo, sinalizando que sem metas claras o empréstimo é de alto risco.
Tatico – Defensor do continuísmo: Tatico defendeu o empréstimo como necessário para a manutenção de obras e padrões deixados pela gestão anterior de Zito Barbosa, reforçando que o endividamento é visto pelo grupo governista como instrumento para viabilizar a conclusão do Hospital e da Terceira Ponte, mesmo que a abordagem careça de cautela fiscal.
Dicíola Baqueiro – Escudo Emocional e Legitimação da Dívida: humanizou a necessidade do empréstimo, vinculando-o à urgência no atendimento da população, e reforçou a unidade do grupo governista, defendendo o crédito como expressão de responsabilidade social.
Bloco governista e manobras territoriais
A base governista tentou vincular o empréstimo a obras em bairros específicos, como Morada da Lua e Boqueirão, buscando pressionar individualmente os vereadores. Ao judicializar emendas impositivas, o Executivo procurou manter controle sobre recursos em ano eleitoral, evidenciando estratégia de contenção e asfixia institucional.
Isolamento do Executivo e fortalecimento do Legislativo
A sessão evidenciou o fim da aparente “paz armada” entre Executivo e Legislativo em Barreiras. Yure Ramon consolidou sua autoridade, mantendo equilíbrio sob ataque, enquanto a oposição, com destaque para João Felipe, mostrou capacidade de fiscalização estratégica. O projeto de R$ 140 milhões, antes prioridade do Executivo, tornou-se passivo político significativo, com risco de CPI que pode atingir o núcleo do grupo político liderado por Zito Barbosa.
O episódio reforça a necessidade de transparência, prestação de contas e equilíbrio fiscal, enquanto evidencia limites estratégicos do Executivo e escolhas políticas que priorizam financiamento via empréstimo em vez de cooperação com governos estadual e federal.
Caso de Política | A informação passa por aqui.
#CâmaraDeBarreiras #Empréstimo140Milhões #SaúdeBarreiras #OtonielTeixeira #TúlioViana #Hipólito #YureRamon #JoãoFelipe #GraçaMelo #PolíticaBarreiras #FiscalizaçãoPública
