Prefeito nega saída do União Brasil, mas a forma como o desmentido foi distribuído reacende dúvidas e mantém o assunto em aberto
Caso de Política | Luís carlos Nunes – O prefeito de Barreiras, Otoniel Teixeira (União Brasil), decidiu reagir aos rumores que tomaram corpo no fim de semana. Fez isso cedo, logo nas primeiras horas desta segunda-feira (02), por meio de uma nota oficial em que nega qualquer intenção de deixar o partido ou de se alinhar politicamente ao governo estadual.
O problema não está exatamente no conteúdo do texto – direto, previsível e dentro do script esperado -, mas no caminho que ele percorreu.
A nota chegou a veículos de imprensa do Oeste baiano, região onde a política local é acompanhada de perto, com lupa e memória. São redações que não apenas repercutem fatos, mas ajudam a moldar o debate político regional. Em Salvador, no entanto, grandes portais afirmam não ter recebido o mesmo material, embora a especulação tenha ganhado força justamente na capital no domingo.
Isso não é detalhe técnico. Forma também é mensagem.
Ao priorizar o Oeste, Otoniel fala com sua base mais orgânica, com aliados que conhecem sua trajetória e com um eleitorado onde qualquer ruído ganha proporções imediatas. Até aí, movimento compreensível. O problema é o que fica de fora.
Se a intenção era encerrar o assunto, o efeito foi o oposto. Ao não ocupar simultaneamente o espaço onde a narrativa nasceu e se espalhou, o desmentido perde alcance e abre margem para novas leituras. Negar com força em um polo e silenciar – ainda que temporariamente – em outro não fecha a conta política.
Na nota, o prefeito reafirma lealdade ao União Brasil, a ACM Neto e ao ex-prefeito Zito Barbosa, além de restringir sua relação com o governador Jerônimo Rodrigues ao campo institucional. A negativa é objetiva. A estratégia de divulgação, nem tanto.
A rapidez da resposta indica incômodo real. Ninguém reage desse modo sem sentir o impacto. O envio logo no início das primeiras horas do do primeiro dia útil, sugere a necessidade de conter o desgaste junto à base local após um domingo de especulações intensas. Ainda assim, a escolha do recorte geográfico soa como cautela em excesso – ou cálculo político demais.
Ao evitar um embate mais amplo no circuito midiático da capital, Otoniel preserva pontes administrativas e evita tensionar o debate em nível estadual. Em contrapartida, deixa espaço para que outros conduzam a narrativa. E, na política, espaço vazio costuma ser rapidamente ocupado.
O pano de fundo é a matéria publicada pelo Jornal A Tarde, que apontou uma possível migração do prefeito para o Avante, legenda da base governista. O texto sugeria impactos diretos no equilíbrio político do Oeste e no campo liderado por ACM Neto. Otoniel classificou a informação como “mera especulação”.
Ainda assim, a pergunta permanece – e não é artificial: se não havia nada, por que a resposta veio fatiada?
No fim das contas, o episódio diz menos sobre uma eventual troca de partido e mais sobre o momento político do prefeito. Expõe zonas de desconforto, cuidados excessivos e uma comunicação que, ao tentar controlar o dano, acabou mantendo o ruído.
A política raramente se move no vazio. Quando a comunicação escolhe caminhos específicos, ela revela intenções – ou, no mínimo, inseguranças.
Se a nota pretendia ser um ponto final, acabou funcionando como reticências. E, no jogo político, reticências costumam falar mais alto do que negativas categóricas.
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