
Confusão na Câmara após o vereador João Felipe rebater a comemoração da Prefeitura sobre o ENEM 2023, lembrando que o exame avalia o ensino médio, de responsabilidade do Estado da Bahia, comandado por Jerônimo Rodrigues
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A Prefeitura de Barreiras divulgou uma publicação oficial celebrando o desempenho da cidade no ENEM 2023, destacando que o município estava entre os cinco com melhores notas no Nordeste e entre os 100 melhores do Brasil. A divulgação coincidiu com o fim de semana de realização do ENEM 2025, mas rapidamente virou tema de debate – e ironia – na Câmara Municipal.
A sessão desta terça-feira (11) começou com o vereador João Felipe tomando a palavra para alertar sobre confusões entre mérito administrativo e resultados educacionais:
“Senhora presidente, eu quero pedir permissão para fazer uso da palavra aqui do meu local de trabalho. Cumprimento todas as mulheres desta mesa diretora. É muito bom ver mulheres em espaço de poder. Quero iniciar dizendo que apreciaremos indicações para o título de cidadão barreirense… mas hoje fui pego de surpresa com comentários sobre a possibilidade de encaminhamento de empréstimo pelo prefeito. Precisamos ter muito cuidado e fazer um debate sério.”
João Felipe aproveitou para destacar problemas na gestão da saúde e a tentativa de se apropriar de resultados educacionais que não são da Prefeitura:
“Hoje, quando celebraram na internet, querendo culpar 7 mil pessoas por não terem feito exames… Ora, algumas já faleceram, outras estão em centros privados. Não dá para esperar 6 meses, 8 meses, 1 ano para marcar consultas. Isso é enganação. Barreiras está entre os três melhores da Bahia no ENEM, mas isso é resultado do ensino médio, responsabilidade da rede estadual e do governo do Estado. Não da Prefeitura.”
É quase como um técnico de vôlei comemorando o gol da seleção de futebol. É aquele momento em que o vereador confunde competência administrativa com coincidência estatística. O ENEM melhora – mérito do esforço de estudantes, professores e até das redes estaduais. Esse tipo de “apropriação de mérito” é quase um gênero literário na política municipal brasileira – dá pra fazer uma coletânea chamada “Os feitos que nunca foram meus”.
Em seguida, vereador Hipólito subiu à tribuna, reforçando a narrativa da autocomemoração da Prefeitura e parabenizando prefeito e secretário, mesmo sabendo que o ENEM avalia o ensino médio de 2023 e ambos assumiram apenas em 2025:
“O reflexo da terceira colocação de Barreiras no ENEM está na base, no ensino fundamental 1 e 2, que tem sido levado a sério no nosso município. Isso é pra comemorar, sim. O prefeito Otoniel e o secretário merecem os parabéns.”
A fala provocou risos discretos no plenário, mais pela cronologia impossível do que por humor intencional.
Imediatamente, João Felipe abriu questão de ordem, mas foi negada pela presidente interina Carmélia da Mata:
“Senhora presidente, questão de ordem. Eu quero primeiro justificar minha questão de ordem. O nobre colega vereador não cita meu nome, mas faz referência ao único inscrito antes dele.”
Falando por cima da voz de João Felipe, Hipólito cobrou posição de Carmélia da Mata:
“Eu não citei o nome do vereador. A senhora não pode permitir que ele faça questão de ordem para falar da minha fala.”
Carmélia respondeu:
“Eu gostaria de pedir ao vereador João Felipe que respeitasse também a fala do nosso colega, que não citou o nome de vossa excelência na tribuna.” E completou: “Eu não vou conceder a questão de ordem porque ele não utilizou o seu nome…”
Em resposta à negativa, João Felipe disse:
“Tudo bem, senhora presidente. Tudo bem, desculpa. Muito bem. Obrigada.”
A tréplica, porém, não ficou só na desculpa diplomática. Ignorando a negativa da mesa e sem microfone garantido, João Felipe pediu um aparte à colega Graça Melo, que discutia outro tema, aproveitando para cutucar o vereador Hipólito e lançar uma lição de semântica:
“Quando pedi uma parte, era para perguntar se o colega sabe o que significa ENEM. É o Exame Nacional do Ensino Médio. Então o que o município tem a ver com isso? Parece que o colega se comporta igual ao prefeito dele, que não sabia nem o que era cultura.”
Na sequência, vereador Allan do Allanbique também pediu aparte, defendendo que os debates fossem diretos e sem subterfúgios regimentais:
“Desde que entrei aqui é isso: um fala e o outro se sente ofendido. Se o assunto é para se debater, fala logo o nome. Debate é para contribuir com o crescimento da cidade. Ficar se escondendo no regimento não resolve nada.”
Apesar da troca de farpas, o clima se manteve controlado – sem cortes de microfone, sem vaias, apenas discretos sorrisos daqueles que perceberam a contradição política que se desenhava.
Ao tentar capitalizar o resultado do ENEM, a Prefeitura acabou criando um embaraço que respingou até no governador Jerônimo Rodrigues, responsável pela rede estadual de ensino, verdadeira responsável pelo desempenho do ensino médio.
A sessão seguiu com outras discussões e votações da ordem do dia, mas a confusão sobre quem realmente merece o mérito pelos resultados do ENEM já havia rendido o suficiente. Enquanto uns tentavam explicar o inexplicável, outros apenas observavam – talvez pensando que, se depender da coerência política, a educação em Barreiras ainda tem muito a aprender.
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