Rider e Graça Melo 24022026
Em pronunciamentos incisivos, vereadores comparam condução atual do Executivo a gestões anteriores, exigem análise técnica da “saúde financeira” do município e defendem cautela antes de nova votação
Críticas à condução do pedido de empréstimo
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O vereador Rider Castro utilizou a tribuna da Câmara Municipal de Barreiras, na noite desta terça-feira (24), para externar preocupação com a forma como um novo pedido de empréstimo pelo Executivo estaria sendo articulado nos bastidores. Em discurso firme, o parlamentar apontou falta de diálogo com a base governista e ausência de dados técnicos que justifiquem a operação de crédito, classificando a condução como “equivocada” e “superficial”.
A “caixa preta” e o método comparativo

Na tribuna, Rider Castro compara a gestão atual ao período do ex-prefeito Zito Barbosa e cobra método, diálogo e transparência na discussão sobre novo empréstimo
Castro iniciou sua fala estabelecendo um paralelo com o passado recente da Casa Legislativa. Segundo ele, em gestões anteriores — citando nominalmente o ex-prefeito Zito Barbosa – havia um rito de transparência que incluía a convocação da base, a apresentação detalhada de metas de médio e longo prazo e a participação da Secretaria de Finanças para esclarecer dúvidas dos vereadores.
“Existia forma, existia método. O gestor […] perguntava à base qual era a opinião a respeito desse empréstimo. […] Abríamos toda a caixa preta da nossa Prefeitura Municipal de Barreiras, levávamos todos os questionamentos”, relembrou o vereador, ao contrastar com o cenário atual, no qual afirma ter tomado conhecimento da nova proposta apenas por meio das redes sociais.
Graça Melo endossa críticas e cita empréstimo anterior

Graça Melo cita empréstimo de R$ 40 milhões aprovado em 2023 e questiona a necessidade de novo crédito diante de orçamento superior a R$ 1 bilhão
A vereadora Dra. Graça Melo também se manifestou na sessão e reforçou as preocupações levantadas por Rider Castro. Ao declarar que “sinto completa as palavras do vereador Rider”, ela afirmou que, no ano passado, todos os empréstimos que chegaram à Casa foram amplamente discutidos entre os parlamentares.
A vereadora recordou que a Câmara aprovou, em 2023, um empréstimo de R$ 40 milhões destinado à construção do hospital municipal, após debate técnico e esclarecimentos detalhados. Segundo ela, o novo pedido chega sob narrativa distinta, com a Prefeitura afirmando que os recursos seriam utilizados para concluir o hospital e investir no Centro Histórico, mas sem apresentar a mesma transparência de antes.
Graça Melo também mencionou que o orçamento municipal já ultrapassa a marca de R$ 1 bilhão, questionando por que não há envio de projetos de suplementação orçamentária para obras como hospital, recapeamento asfáltico e intervenções estruturais, caso haja necessidade de complementação.
“É só o prefeito encaminhar para cá o que ele quer que seja destinado, e os vereadores estão aqui para analisar. O orçamento existe e nós estamos aqui para apreciar”, declarou.
Ela ainda criticou o que classificou como tentativa de pressão sobre o Legislativo por meio da mobilização de grupos e associações, além da disseminação de informações de que a Câmara estaria impedindo obras no município.
“Os 19 vereadores que estão aqui não são contra o empréstimo, desde que seja bem aplicado”, afirmou, reforçando que a Casa não se opõe a operações de crédito, mas exige clareza, detalhamento técnico e responsabilidade fiscal.
O diagnóstico do “paciente” financeiro
Para Rider Castro, a discussão sobre o empréstimo não deve ser pautada apenas pelo desejo de executar obras — como a revitalização do Centro Histórico -, mas fundamentada em uma análise contábil criteriosa. Para ilustrar sua posição, o vereador recorreu a uma metáfora médica.
“Você traz o paciente e você avalia os números do paciente. Temperatura, batimento cardíaco, plaquetas e ali você tem um diagnóstico. Se o paciente tá na UTI, se ele não tá nem sequer gripado, qual é a condição financeira?”.
O parlamentar questionou a lógica de contrair novo endividamento em um contexto de crescimento orçamentário. Ele citou que, enquanto o orçamento de 2024 foi de R$ 700 milhões, os anos subsequentes apresentaram acréscimos sucessivos superiores a R$ 200 milhões.
“É falta de dinheiro? Não é falta de dinheiro? O que é que tá acontecendo? Mas só os números dirão pra gente”, ponderou, defendendo que a maioria da Casa deve deliberar com base técnica, e não sob pressão popular ou institucional.
Propostas de encaminhamento
Diante do que classificou como “celeuma”, Rider Castro sugeriu duas alternativas para evitar que a “corda arrebente”: ou o Executivo reinicia o processo de diálogo com imediata transparência técnica, ou o projeto seja “guardado na gaveta” para discussão apenas no próximo semestre.
O vereador foi categórico ao afirmar que, caso a matéria seja pautada nos moldes atuais, sem análise aprofundada, sua tendência é votar pela rejeição.
“Todos aqui acabamos sendo vítimas de uma condução equivocada, totalmente equivocada, ao meu ver. Errada. As coisas não podem ser conduzidas assim”.
Carnaval e valorização cultural
Ao final do pronunciamento, o vereador fez breve avaliação sobre o Carnaval de Barreiras. Embora tenha parabenizado a organização e os secretários envolvidos pelo formato da festa, defendeu reequilíbrio nos investimentos destinados ao evento.
Segundo ele, o Carnaval do Centro possui caráter predominantemente comercial e voltado ao turista, enquanto o “Carnaval da família” e os blocos tradicionais – como o Netos de Momo – necessitam de maior atenção e recursos.
“Uma banda no valor de R$ 700.000 é uma grande atração, traz público, mas deixa R$ 700.000 para que a gente possa também investir nesse Carnaval Cultural. Esse Carnaval precisa ser visto, precisa ser olhado, precisa ser acariciado, precisa ser abraçado”.
O vereador concluiu ressaltando que a festa popular é a que mais carece de fomento para preservar a identidade cultural de Barreiras. Para ele, o equilíbrio entre grandes atrações comerciais e o fortalecimento dos grupos locais é o caminho mais consistente para o crescimento sustentável do evento.
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