Adriano Stein tensiona base governista, contesta narrativa fiscal e anuncia medidas judiciais por desinformação
Vereador governista usou números para rebater discurso de herança fiscal negativa, recebeu aparte de colega e denunciou perseguição no residencial Solar Barreiras
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A sessão da Câmara de Barreiras na última segunda-feira (6) já estava em curso quando o vereador Adriano Stein pediu a palavra. O cenário que encontrou ao chegar à tribuna não era dos mais tranquilos.
Minutos antes, o vereador da oposição João Felipe havia subido à tribuna e desferido críticas duras contra a gestão municipal. Suas palavras ecoavam no plenário:
“A nossa cidade está feia, com ar de abandono. Parece que não tem prefeito. Fiquei envergonhado de andar com meus amigos em Barreiras.”
João Felipe também criticou o estado de praças e equipamentos públicos, citou o abandono do parque natural Engenheiro Geraldo Rocha e classificou o mutirão de limpeza anunciado pelo prefeito como uma possível “jogada de marketing”. O ambiente já estava armado quando Adriano Stein pegou o microfone.
O discurso que furou a bolsa da base
Adriano Stein é governista, mas sua fala foi tudo menos uma defesa do prefeito Otoniel Teixeira. Pelo contrário: mirou diretamente em um dos pilares da narrativa do governo — a alegação de que a gestão atual herdou um cenário financeiro insustentável.
Com números, contestou:
“O prefeito Zito assumiu em 2017 com 11 milhões em salários atrasados e pagou. Em 2024, último ano dele, o orçamento foi de R$ 840 milhões. A gestão atual tem R$ 270 milhões a mais e diz que está tudo difícil. Como pode?”
A declaração caiu como um balde de água fria no discurso da base. Até então, os aliados do prefeito repetiam a tecla das dificuldades financeiras. Stein não apenas discordou – trouxe números, comparou gestões e expôs publicamente uma fragilidade do discurso governista. O plenário silenciou. A oposição ouvia atenta.
Aparte e reação: a crítica que veio de dentro
Durante sua fala, Adriano Stein foi interpelado por um aparte. O vereador Rider Castro, também governista, pediu a palavra para complementar – e endossou a crítica de Stein, mas com um recorte diferente:
“Concordo, vereador. O problema não é só dinheiro. É planejamento. A cidade precisa de obras estruturantes. Limpeza é obrigação, não é obra para se gabar.”
Stein acolheu o aparte e seguiu:
“Exato. Não adianta fazer mutirão sem planejamento. Começa num bairro, para no outro, e a população mais carente fica sempre de lado. Cito o Jardim Vitória. Áreas públicas abandonadas, nenhuma poda de árvore. A cidade conta com uma equipe só de poda. Isso é humanamente impossível.”
O aparte de Rider Castro amplificou o tom crítico de Stein. Ambos são da base, mas nenhum dos dois poupou críticas à gestão.
Fake news e judicialização: o recado que fez silêncio
O momento mais tenso da fala de Adriano Stein veio quando ele mudou de tema: das críticas à gestão para as denúncias de perseguição.
Relatou que servidores municipais estariam espalhando informações falsas contra ele no residencial Solar Barreiras:
“Uma equipe da própria Secretaria de Assistência Social está dentro do Solar Barreiras disseminando fake news com o meu nome. Dizem que eu quero tirar as pessoas que lá estão morando. É uma mentira absurda.”
E foi além:
“Já identificamos quem são. Primeiro, vamos à delegacia registrar queixa-crime. Depois, vamos entrar com processo legal. O servidor que acha que o apadrinhamento político vai defendê-lo na hora de um processo vai descobrir que não tem padrinho que resolva.”
O recado foi direto. O plenário ficou em silêncio. Ninguém pediu aparte. Ninguém interrompeu.
A cobrança por um mutirão com começo, meio e fim
Adriano Stein também comentou o mutirão de limpeza anunciado pelo prefeito Otoniel Teixeira. Ao contrário dos colegas de base que celebraram, ele fez uma ressalva dura:
“Lançou, parabéns. Agora vamos ver se vai ter logística adequada. Não adianta começar num bairro, trabalhar um dia, depois passar para outro aleatoriamente e não concluir. Queremos um trabalho com início, meio e fim. Entrar num bairro e só sair de lá depois que estiver tudo pronto. Não é maquiar algumas ruas e deixar a população mais carente de lado.”
A fala foi um lembrete: mesmo na base, há quem exija efetividade, não apenas anúncios.
Adriano Stein, o governista que não poupa críticas
Adriano Stein foi, na sessão de 6 de abril, a voz incômoda dentro da própria base. Longe de aliviar para o governo, fez o oposto: contestou abertamente a narrativa oficial sobre a herança fiscal, trouxe números, comparou gestões e expôs fragilidades do discurso governista.
O contexto de sua fala é essencial: o “pavio” foi aceso por João Felipe, da oposição. Stein, em vez de rebater a oposição, somou justas críticas às críticas – mas do lado de dentro da base.
Além disso, levou à tribuna um tema espinhoso – a perseguição política por meio de fake news – e anunciou que não ficará calado: vai à Justiça.
Governista, mas não acrítico. Aliado, mas não submisso. Adriano Stein mostrou que, em Barreiras, a base do prefeito Otoniel Teixeira não é monolítica – e que há espaço para cobranças públicas duras, mesmo entre aqueles que apoiam o governo.
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