Graça Melo dá aula de processo legislativo e expõe fragilidade de projeto de vereador
Vereadora corrigiu Tatico em aparte, explicou vício de iniciativa e ainda cobrou soluções para transporte e abandono de praças em Barreiras
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A sessão da Câmara de Barreiras na última segunda-feira (6) teve um momento raro: um aparte técnico que parou a tribuna. A vereadora Graça Melo pediu a palavra durante o discurso do colega Tatico e expôs, com clareza cirúrgica, o vício de iniciativa do projeto “Bolsa Atleta” – uma das bandeiras do parlamentar.
O episódio foi apenas o ponto de partida. Ao longo de sua fala, Graça Melo também cobrou soluções para o transporte coletivo, denunciou o abandono de praças e equipamentos públicos e defendeu a Câmara contra o que chamou de “bombardeio de mentiras”.
“Isso é inconstitucional”: o aparte que foi além da correção
Tatico discursava entusiasmado sobre o “Bolsa Atleta”. Queria apoio da Casa para aprovar a medida. Foi quando Graça Melo pediu aparte e fez a correção em tempo real:
“Excelência, todo projeto que gera despesa para o município precisa ser enviado pelo prefeito. O senhor pode pedir a ele que mande essa proposta. Aí a gente aprova. Não é má vontade. É a lei.”
Tatico tentou contornar, dizendo que “tudo tem jeito” e que uma emenda à Lei Orgânica resolveria. Graça foi firme:
“Não é assim. Votar algo inconstitucional só atrasa a política pública. O Ministério Público pode questionar, a prefeitura pode não executar. Ninguém ganha com isso.”
O aparte teve efeito imediato. Vereadores da própria base balançaram a cabeça em concordância. Foi um raro momento em que a técnica legislativa sobrepujou a trincheira política.
Transporte coletivo: da crítica à ação coordenada
Minutos depois, a leitura de um ofício da Viação Cidade Barreiras acendeu o alerta: as linhas 2 (Vila do Funcionário / Vila Brasil e Vila Nova) seriam suspensas a partir de 11 de abril, por causa do aumento do diesel.
Graça Melo não apenas criticou. Propôs um encaminhamento prático:
“O vereador João Felipe já pediu audiência com o prefeito. Mas sugiro irmos todos juntos. Com a força desta Casa, cobrar uma solução ainda esta semana.”
A fala encontrou eco. A presidente em exercício, Delmah Pedra, endossou. O líder da base, Hipólito, apoiou. Em poucos minutos, a Câmara convergiu: é preciso pressionar o Executivo para evitar o colapso.
Graça completou:
“A população da Baraúna, do Bezerro, da Vila dos Funcionários nos deu o voto de confiança. Não podemos falhar com eles. O prefeito precisa subsidiar, se for o caso. Mas não pode deixar o povo sem ônibus.”
Abandono de praças: “Não é pós-chuva, é descaso”
Graça Melo também foi direta ao falar da situação dos equipamentos públicos. Citou a Praça 24 Horas, antigo símbolo de lazer em Barreiras, agora deteriorada.
“Praça suja, equipamento quebrado, mato alto. Isso não é ‘pós-chuva’. É falta de planejamento e de compromisso com quem paga imposto.”
A fala foi endossada por outros vereadores da oposição. Graça aproveitou para cobrar um cronograma público:
“Não adianta fazer mutirão uma vez por ano e abandonar de novo. Manutenção se faz todo dia.”
A médica que fiscaliza a saúde
Sem discorrer longamente, a vereadora fez questão de registrar sua insatisfação com a saúde municipal. Citou rapidamente o Hospital do Oeste:
“Sou pediatra. Sei o que é atender criança com vaga zero, mãe desesperada, corredor lotado. Não dá para fechar os olhos. A saúde não pode ser tratada como caso de marketing.”
Foi um lembrete de sua área de origem e de sua disposição em fiscalizar a pasta com lupa.
Defesa da Casa e das instituições
Por fim, Graça Melo comentou a denúncia feita por Adriano Stein sobre servidores municipais que estariam espalhando informações falsas contra vereadores.
“Esta Casa tem sido alvo de um bombardeio de mentiras. Não podemos aceitar que servidores públicos usem o cabide de emprego para atacar a democracia e a imagem de parlamentares.”
A fala foi um apoio indireto à denúncia e uma defesa da instituição Legislativa como um todo. Por outro lado, se a base governista esperava silêncio ou complacência, encontrou resistência qualificada. E se subestimava o preparo de uma pediatra na tribuna, aprendeu: em Barreiras, cuidar da cidade também passa por cuidar da lei.
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