Foto: Ricardo Stuckert/PR
Em conversa telefônica, líder chinês reforça aliança estratégica com o Brasil, oferece abertura econômica de “alta qualidade” e defende multilateralismo em resposta a iniciativas unilaterais
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O presidente da China, Xi Jinping, telefonou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (23) para reafirmar a densidade da parceria estratégica entre Pequim e Brasília. Segundo a agência estatal Xinhua, Xi destacou que o desenvolvimento de “alta qualidade”, previsto no início do 15º Plano Quinquenal chinês, abrirá novas fronteiras de cooperação e investimentos para o mercado brasileiro. A articulação ocorre em um momento de fragilidade do multilateralismo, em resposta à criação de instâncias que esvaziam o papel das Nações Unidas (ONU), como o recém-lançado “Conselho da Paz” pela administração de Donald Trump.
Politicamente, a conversa representa um posicionamento firme de Pequim, convocando o Brasil a permanecer no “lado correto da história”. Analiticamente, o termo critica diretamente tentativas de isolacionismo e a governança global baseada em decisões unilaterais. Ao enfatizar a construção de uma “comunidade de futuro compartilhado”, Xi sinaliza que a estabilidade mundial depende da solidez dos países do Sul Global. Lula, por sua vez, ratificou a disposição do Brasil em fortalecer o BRICS e instâncias multilaterais, garantindo que os países em desenvolvimento tenham voz ativa e protegida contra imposições externas.
Sob uma perspectiva histórica e crítica, a ligação consolida a transição da relação bilateral: de um modelo puramente comercial, centrado em commodities, para um alinhamento estratégico de governança. Historicamente, o movimento busca corrigir assimetrias herdadas do sistema internacional pós-Segunda Guerra, que frequentemente ignora as soberanias do Sul. O compromisso de Xi com o Brasil, detalhado pela Xinhua, reflete a estratégia chinesa de consolidar a América Latina e o Caribe (ALC) como parceiros de longo prazo, integrando-os em cadeias de valor de alta tecnologia e sustentabilidade, fora da influência tradicional das potências do Norte.
A defesa da “equidade e justiça internacional”, mencionada por Xi e corroborada por Lula, coloca o Brasil em posição de equilíbrio estratégico no tabuleiro geopolítico. Enquanto os EUA buscam alternativas para gerir crises globais à revelia da ONU, a parceria Pequim-Brasília busca restaurar o papel das organizações internacionais. O cenário desenhado pela conversa telefônica indica que o 15º Plano Quinquenal da China não é apenas uma meta econômica interna, mas também uma ferramenta política de projeção internacional que encontra no Brasil de Lula o seu interlocutor mais estratégico no Ocidente.
Caso de Política | A informação passa por aqui.
#BrasilChina #Lula #XiJinping #Xinhua #Geopolítica #SulGlobal #ONU #BRICS #Diplomacia #Multilateralismo
