
Publicação do blog Mural do Oeste reacende especulação sobre Zito Barbosa como possível vice de ACM Neto, mas bastidores políticos apontam que o ex-prefeito mantém foco na disputa para deputado federal – cargo que garante foro e imunidades constitucionais não previstas para vice-governadores – em meio ao avanço de investigações envolvendo Barreiras
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A menção do blog Mural do Oeste ao nome de Zito Barbosa (União Brasil) como possível vice de ACM Neto reativou debates na cena política baiana, mas, conforme apurado em bastidores por articuladores experientes, a hipótese tem mais função performática do que consistência real. Trata-se de uma movimentação típica de pré-campanha, construída para gerar ruído político, reposicionar peças no tabuleiro e ampliar o capital simbólico de um ator que atravessa um período de intensa exposição judicial.
Longe das versões públicas, a equação interna é outra: Zito não cogita abandonar a disputa pela Câmara dos Deputados. O motivo é estrutural e não apenas eleitoral – é jurídico. O cargo de vice-governador não oferece as salvaguardas que moldam decisões estratégicas de figuras submetidas a múltiplas investigações.
Ao contrário dos parlamentares federais, o vice-governador não se beneficia das garantias do Artigo 53 da Constituição Federal, que confere a deputados e senadores:
- imunidade material por opiniões, palavras e votos;
- imunidade formal contra prisões em flagrante por crimes não inafiançáveis;
- foro por prerrogativa de função perante o STF.
Vice-governadores não têm acesso a essas prerrogativas. Respondem, quando no exercício do cargo, perante o Tribunal de Justiça do estado e sem blindagem automática. Assim, ao avaliar risco, exposição e desgaste político, o mandato federal surge como rota mais racional para autodefesa institucional e controle de danos.
Essa leitura se torna ainda mais forte diante do cenário envolvendo Barreiras. Conforme reportagens do Caso de Política, a cidade aparece reiteradamente em frentes de apuração. Em julho de 2024, a Polícia Federal iniciou diligências relacionadas ao uso dos R$ 178,6 milhões dos precatórios do Fundef recebidos em 2017, dos quais R$ 115 milhões deveriam ter sido repassados aos professores – repasse não executado, segundo o MPF, mesmo após decisão do STF. Além da ausência do pagamento, há questionamentos sobre a contratação de um consórcio sem estrutura operacional e a não realização de projetos previstos como videomonitoramento e qualificação docente.
Paralelamente, Barreiras ressurge em fases da Operação Overclean, que investiga contratos públicos suspeitos na Bahia. A 7ª fase, em outubro de 2025, ampliou a atuação da PF e citou vínculos contratuais com empresas relacionadas ao empresário José Marcos de Moura que ficou conhecido como “rei do lixo”. Outra apuração conjunta entre PF e CGU aponta suspeita de desvio e lavagem envolvendo valores estimados em até R$ 12 milhões. As administrações municipais, quando questionadas, atribuem as irregularidades a gestões anteriores e afirmam colaborar com os órgãos investigativos.
Nesse contexto, a circulação do nome de Zito como potencial vice-governador cumpre um papel tático: mantém sua imagem no radar estadual, cria narrativa de força política e dilui a centralidade das investigações no debate público. É uma manobra clássica para reposicionar um ator cuja base política precisa demonstrar resiliência, mesmo em ambiente adverso.
Contudo, segundo interlocutores que acompanham a engenharia eleitoral de perto, o cálculo final não muda. A disputa pela Câmara é considerada a prioridade absoluta – não como fim em si, mas como alicerce para um movimento de médio prazo.
Essas mesmas fontes sustentam que, caso eleito deputado federal em 2026, Zito deverá utilizar a visibilidade, a estrutura de mandato e o foro privilegiado para reorganizar seu grupo político e preparar terreno para retornar à disputa pela Prefeitura de Barreiras em 2028. A estratégia é vista como a mais lógica, mais segura e mais competitiva.
Assim, a leitura mais profunda do cenário indica que a especulação sobre a vice-governadoria não passa de instrumento retórico, útil para projetar força, mas desconectado da estratégia real. O movimento decisivo permanece na direção da Câmara – onde estão os mecanismos institucionais que interessam a um político cujo nome aparece simultaneamente em análises eleitorais e relatórios de investigação.
Caso de Política | A informação passa por aqui.
#CasoDePolítica #ZitoBarbosa #Barreiras #Eleições2026 #ForoParlamentar #Fundef #OperaçãoOverclean #PF #MPF #CGU #PolíticaBaiana







