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Conselheiro da Casa Branca usa termos de baixo calão contra presidente brasileiro; Lula reafirma defesa do direito internacional frente ao retorno do intervencionismo brutal na América Latina
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A diplomacia entre Brasil e Estados Unidos atingiu um nível alarmante de tensão nesta segunda-feira (5) após Jason Miller, principal conselheiro do presidente Donald Trump, atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com insultos de baixo calão. A agressão verbal ocorreu em resposta ao posicionamento firme do governo brasileiro contra a ofensiva militar unilateral de Washington na Venezuela, que resultou nos bombardeios de sábado (3) e no sequestro de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Em publicação no X, Miller disparou: “Vai se foder, Lula. Agora todos nós sabemos qual é a sua posição”, explicitando a intolerância da nova administração norte-americana a qualquer defesa da soberania nacional e do multilateralismo na região.
F you, Lula. Now we all know where you stand!
“Brazil says US crossed ‘unacceptable line’ on Venezuela as officials track border” https://t.co/Xe26A7to6q
— Jason Miller (@JasonMiller) January 4, 2026
O ataque pessoal de Miller sucedeu a declaração oficial do presidente Lula, que classificou a captura de Maduro e os ataques aéreos em território venezuelano como o rompimento de uma “linha inaceitável”. Lula condenou a ação como uma afronta gravíssima à soberania de um país vizinho e um precedente perigoso para a estabilidade global, onde a lei do mais forte tenta se sobrepor aos tratados internacionais. Para o líder brasileiro, a postura de Washington evoca os períodos mais sombrios da interferência imperialista na América Latina e no Caribe, ameaçando a preservação da região como uma zona de paz e autodeterminação.
Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.
Atacar países, em…
— Lula (@LulaOficial) January 3, 2026
A escalada autoritária de Donald Trump foi simbolizada pela divulgação de uma fotografia degradante de Nicolás Maduro. Na imagem registrada a bordo do navio USS Iwo Jima, o ex-presidente venezuelano aparece algemado, com os olhos vendados e abafadores nos ouvidos, sendo transferido para Nova York sob custódia militar. Trump, que alega estar conduzindo um julgamento por narcoterrorismo, ignora as instâncias internacionais e reafirma uma postura de comando direto sobre a Venezuela. Em contrapartida, a diplomacia brasileira mantém sua tradição de condenação ao uso da força, alertando que a violação do direito internacional é o primeiro passo para um cenário de violência e caos generalizado.
A reação ofensiva da Casa Branca demonstra uma tentativa de isolar líderes que não se curvam à política do “Big Stick” (Grande Porrete) reeditada por Trump. Enquanto o Palácio do Planalto defende que o diálogo e a lei devem prevalecer sobre o arbítrio militar, o entorno de Trump sinaliza que não aceitará críticas à sua agenda de controle hemisférico. O embate marca uma ruptura profunda nas relações bilaterais, colocando o Brasil na linha de frente da resistência democrática contra a ingerência estrangeira e em defesa da integridade territorial das nações latino-americanas.
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