Imagem da internet, montagem Caso de Política
Com 55 m², lavanderia privativa e ar-condicionado, novas instalações do ex-presidente condenado contrastam com o padrão das casas do Minha Casa, Minha Vida e com o “estado de coisas inconstitucional” vivido por milhares de detentos no Brasil
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado na ação penal que apurou a tentativa de golpe de Estado, usufrui agora de um espaço de detenção que mais se assemelha a um apartamento de classe média do que a uma unidade prisional convencional. Transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”, Bolsonaro ocupa uma estrutura de 55 m², equipada com regalias inexistentes para a vasta maioria da população carcerária brasileira e superiores às oferecidas a adversários políticos em situações análogas.
O espaço atual do ex-capitão representa um salto de conforto em relação à sua primeira cela na Superintendência da Polícia Federal, que media 12 m². A nova acomodação é, inclusive, drasticamente maior que a “sala de Estado-Maior” ocupada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Curitiba, entre 2018 e 2019, que possuía apenas 15 m² e mobília espartana.
O abismo social e o “Minha Casa, Minha Vida”
A discrepância torna-se ainda mais acintosa quando comparada à realidade habitacional das famílias de baixa renda no Brasil. Enquanto Bolsonaro dispõe de 55 m² individuais, as unidades habitacionais do Programa Minha Casa, Minha Vida (Faixa 1) possuem, em média, entre 40 m² e 42 m² para abrigar famílias inteiras. Ou seja, a cela do ex-presidente é cerca de 30% maior do que a casa padrão entregue pelo governo aos cidadãos mais pobres.
O contraste com o “inferno” do sistema comum
Enquanto o ex-mandatário desfruta de uma estrutura que ignora as agruras do encarceramento, o sistema penitenciário brasileiro é rotineiramente classificado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como um “Estado de Coisas Inconstitucional”. No Brasil real, o cenário é de barbárie: celas projetadas para oito pessoas frequentemente abrigam mais de 30 detentos em condições insalubres.
Nesses presídios, o espaço individual por preso muitas vezes não chega a 1 m², uma fração irrisória perto dos 55 m² de Bolsonaro. Enquanto o ex-presidente possui banheiro amplo com múltiplas cabines e chuveiros para uso exclusivo, a maioria dos presidiários brasileiros divide um único “boi” (buraco sanitário no chão) com dezenas de outros homens, em locais onde faltam ventilação, luz solar e saneamento básico.
Infraestrutura e “mimos” na Papudinha
A “cela” de Bolsonaro na unidade militar oferece comodidades de luxo para os padrões prisionais:
- Climatização e lazer: aparelho de ar-condicionado, televisão e frigobar.
- Saúde e conveniência: equipamentos de fisioterapia e lavanderia privativa.
- Segurança personalizada: por determinação do ministro Alexandre de Moraes, o local recebeu a instalação de barras de apoio em toda a extensão para evitar quedas, após um incidente doméstico sofrido pelo ex-mandatário.
- Área externa: acesso exclusivo a um pátio para banho de sol e exercícios físicos.
A estrutura foi originalmente desenhada para custodiar múltiplas autoridades, mas serve agora ao conforto isolado de Bolsonaro. Enquanto o discurso do ex-capitão durante o mandato pregava o rigor absoluto da lei, seu período de reclusão revela uma realidade de exceção, onde o conforto supera, por larga margem, tanto a média da habitação popular brasileira quanto a dignidade mínima negada à massa carcerária do país.
Caso de Política | A informação passa por aqui.
#Bolsonaro #Justiça #MCMV #Papudinha #SistemaPrisional #Brasil #Politica #Desigualdade
