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Enquanto índices federais garantem notas de “excelência”, o orçamento municipal revela um aumento de 716% em publicidade e um gasto com festas três vezes maior do que com assistência social; a gestão admite calote e dependência de 98% da rede privada
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A saúde pública do Município de Barreiras, em janeiro de 2026, opera sob um modelo de “gestão de vitrine” que prioriza a visibilidade política em detrimento da eficiência técnica. Uma investigação detalhada no orçamento municipal e nos fluxos de repasses revela um paradoxo: ao mesmo tempo em que ostenta notas altas em rankings nacionais – fruto do financiamento do Governo Federal (União) e da dedicação dos servidores municipais – a Prefeitura admite um colapso financeiro na rede própria.
O “sincericídio” da secretária de saúde, Larissa Barbosa, ao admitir que o Laboratório Municipal supre apenas 2% da demanda, expõe uma escolha deliberada por um sistema “hospitalocêntrico”, que privilegia a cura (mais visível em inaugurações) em vez da prevenção, mantendo o cidadão em uma fila interminável.
Registro histórico: cobrança pública do governador Jerônimo Rodrigues
Em 28 de julho de 2025, na Praça Castro Alves, Barreiras, o governador Jerônimo Rodrigues fez uma cobrança pública direta ao prefeito Otoniel Teixeira e à gestão municipal sobre a responsabilidade na atenção básica à saúde, durante evento com anúncios e entregas em saúde, educação e infraestrutura.
O governador enfatizou a sobrecarga no Hospital do Oeste como consequência da fragilidade da atenção primária, destacando que:
- “Sabe o que acontece quando vemos um hospital de alta complexidade com o corredor cheio? É porque a atenção básica não está dando conta de resolver aqueles problemas”.
- “Não era para estar ali ainda, era para estar no município”.
- “Não pode haver um culpado, está escrito o que é de responsabilidade do município, do estado e da União”.
O Mito da Escassez vs. O anúncio oficial de Barreiras
A narrativa da Secretaria Municipal de Saúde de que os repasses externos são insuficientes é desmentida pelos números do próprio Município. Enquanto a saúde básica sofre com atrasos, as pastas de visibilidade eleitoral receberam superavits extraordinários no orçamento de 2026:
Área / Programa |
Orçamento 2026 |
Observações |
| Comunicação Social e Cerimonial | R$ 1,94 milhão | Aumento de 716% em relação ao ano anterior |
| Cultura e Festas | R$ 34,4 milhões | R$ 23,8 milhões exclusivos para eventos e festas |
| Assistência Social | R$ 11,3 milhões | Menos de um terço do gasto com festas |
Fonte: LOA/Barreiras 2026
A inversão de prioridades é clara: o Município gastará agora três vezes mais com festas do que com toda a Assistência Social. Isso comprova que o “calote” aos laboratórios privados – responsáveis por 98% dos exames da população – não decorre da falta de dinheiro, mas de um erro de planejamento orçamentário que prioriza o Carnaval (R$ 12 milhões) em vez de quitar dívidas acumuladas desde outubro de 2025.
Notas Altas: O recibo do compromisso Federal e do esforço do servidor municipal
É imperativo destacar que o bom desempenho de Barreiras nos indicadores do Previne Brasil (ISF) não é uma conquista isolada da prefeitura, mas a prova do compromisso do Governo Federal no financiamento das políticas de saúde.
- Eficiência “Alheia”: A nota alta comprova que a União e o Estado da Bahia fornecem recursos, vacinas e insumos para diabetes e hipertensão.
- Mérito da Ponta: Quem garante os índices são os servidores da saúde municipal (enfermeiros, técnicos e agentes), que operam a máquina para que os recursos federais continuem chegando ao Município.
- Suporte Estadual: Além do aporte federal, o Estado da Bahia desempenha papel crucial na manutenção da média e alta complexidade. O Hospital do Oeste ampliou sua capacidade de atendimento oncológico com novos equipamentos, aumentou leitos e fortaleceu a central de diagnósticos, garantindo que pacientes graves tenham acesso a tratamento, enquanto a rede municipal permanece limitada e dependente da terceirização.
O ranking de papel: desempenho Federal e Estadual
As notas elevadas do programa Previne Brasil (ISF) comprovam, tecnicamente, a importância vital das verbas federais. Esse sucesso estatístico é, na verdade, um recibo de que a União e o Estado estão cumprindo seu papel, restando ao município apenas a execução burocrática garantida pelo esforço dos servidores.
Serviço / Programa |
Esfera Responsável (Recurso/Insumo) |
Papel do Município |
| Vacinação Infantil (BCG, Poliomielite, DTP) | União: Compra e distribuição de vacinas | Aplicação, registro, acompanhamento |
| Vacinação Adolescente (HPV, Meningite) | União: Compra e distribuição de vacinas | Aplicação, registro, acompanhamento |
| Vacinação Adulto (Influenza, COVID-19) | União: Compra e distribuição de vacinas | Aplicação, registro, acompanhamento |
| Vacinação Idosos (Influenza, Pneumonia) | União: Compra e distribuição de vacinas | Aplicação, registro, acompanhamento |
| Diabetes e Hipertensão | União: Financiamento da farmácia básica | Entrega de medicamentos, consultas básicas |
| Saúde Mental e Dependência Química | União/Estado: Programas e insumos | Encaminhamento, acompanhamento e execução local |
| Alta Complexidade (HO – Oncologia, Leitos, Central de Diagnósticos) | Estado da Bahia: Custeio, equipamentos e manutenção | Encaminhamento via regulação, transporte de pacientes |
| Bônus de Desempenho (Previne Brasil) | União: Dinheiro para folha de pagamento | Cumprimento de metas pelos servidores |
Dados de desempenho do Previne Brasil (ISF), extraídos de bases oficiais do Ministério da Saúde (SISAB), referentes ao município de Barreiras
- Indústria da Doença: O orçamento revela que a prefeitura gasta 54% a mais em tratamentos hospitalares (R$ 127,8 milhões) do que na prevenção básica (R$ 82,7 milhões). Documentalmente, isso comprova a opção por manter o sistema sobrecarregado: sem prevenção eficiente, o cidadão adoece e alimenta filas hospitalares, gerando maior capital político em ano de eleição.
Fibromialgia: A vítima do abandono estratégico
O descaso com pacientes de Fibromialgia é o símbolo máximo deste modelo. Como a dor crônica exige especialistas e tratamentos multidisciplinares que não geram “nota rápida” nos rankings federais, o Município de Barreiras se omite. O paciente é empurrado para média complexidade, onde os laboratórios estão sob calote financeiro, enquanto o orçamento de publicidade cresce 716%.
Barreiras e a escolha política do caos
A análise orçamentária de 2026 retira o “véu” da propaganda municipal. O Governo Federal e o Estado da Bahia sustentam a base e a alta complexidade. O Município, por sua vez, falha na gestão do recurso próprio, permitindo que a rede laboratorial pública definhe até 2% de capacidade para justificar uma terceirização que ele mesmo não paga.
O veredito é técnico e documental: não falta repasse para a saúde de Barreiras; falta honestidade orçamentária para priorizar a vida sobre o cerimonial e o diagnóstico sobre o Carnaval.
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