
Ministro Flávio Dino estabelece metas para superar déficit histórico do DenaSUS e cita “mapa de fraudes” no Nordeste; recebimento de recursos em Barreiras (BA) às vésperas das eleições de 2024 entra no radar da fiscalização
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou uma ofensiva para garantir a integridade e a rastreabilidade dos recursos públicos destinados à saúde. Ao estabelecer a aceleração do cronograma de auditorias, o magistrado sinalizou que o fortalecimento do controle é urgente para evitar que a fragmentação do orçamento – potencializada pelas Emendas PIX e de Bancada – ocorra sem o devido rigor técnico. A decisão foca na reestruturação do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS), órgão que enfrenta o desafio de superar um déficit de 50% em sua força de trabalho acumulado desde 2001, visando garantir que o Executivo tenha os meios necessários para fiscalizar cada centavo repassado.
O “Mapa da Fraude” e o foco no Nordeste
Para fundamentar a necessidade de uma auditoria ágil, o ministro utilizou dados de investigações que revelam como a falta de transparência em emendas pode facilitar irregularidades. O cenário descrito nos autos aponta um rastro de investigações em diversas regiões:
Localidade – Tipo de Ocorrência Investigada – Valor/Contexto Estimado
- Bahia e Piauí: Desvios em verbas da saúde
- Alagoas: Fraudes apuradas pela Polícia Federal
- Santa Quitéria (MA): Excesso atípico de exames de HIV – Superior à cidade de São Paulo
- Campinas (SP): Esquema de “rachadinha” em emendas
Fonte: ADPF 854/DF – Despacho do Min. Flávio Dino (16/01/2026), com base em relatórios da CGU, PF e Ministério Público.
O enigma de Barreiras: recursos e o calendário eleitoral
Dentro deste esforço de fiscalização, a situação de Barreiras, no Oeste baiano, surge como um ponto de atenção técnica. O município recebeu aportes de R$ 30 milhões para a área da saúde justamente às vésperas das eleições municipais de 2024. Embora a decisão judicial não faça afirmações acusatórias, o cenário permite especular se o fluxo desses recursos – muitas vezes via emendas de bancada ou modalidades de transferência direta – atendeu estritamente a necessidades de saúde ou se foi influenciado pelo contexto eleitoral para consolidar apoios locais. A diretriz de Dino busca justamente dar luz a esses repasses e garantir que sigam critérios estritamente técnicos e imparciais.
Auditoria e Prazos: O Raio-X das Contas
Instituição Financeira – Contas Analisadas – Pendentes de Auditoria – Status do Risco
- Banco do Brasil: 497 – 291 (58,5%) – Falta de rastreabilidade do destino
- Caixa Econômica: 108 – 36 (33%) – Irregularidades ainda sob exame
- Total Global: 1.282 – 698 – R$ 335,5 milhões em análise
Fonte: ADPF 854/DF – Relatório Parcial do DenaSUS / Decisão Min. Flávio Dino (16/01/2026).
Aceleração e Cooperação Institucional
Tratando a lentidão atual como uma consequência de gargalos estruturais históricos do órgão de fiscalização, o ministro Dino estabeleceu:
- Calendário Antecipado (10 dias úteis): O DenaSUS deve apresentar um plano para concluir as auditorias até o fim de 2026.
- Plano de Recomposição (30 dias úteis): O Governo Federal deve apresentar uma estratégia emergencial para suprir o déficit de fiscais, fortalecendo a capacidade do Estado de monitorar as emendas parlamentares.
- Transparência no PERSE e PIX (5 dias úteis): Exigência de detalhes sobre empresas beneficiadas por emendas no setor de eventos, combatendo as “classificações genéricas” que dificultam o controle orçamentário.
A decisão reforça que a autonomia do Congresso para indicar recursos não isenta o poder público do dever de fiscalização rigorosa, assegurando que o dinheiro chegue aos hospitais da Bahia e de todo o Brasil com a máxima transparência e eficiência.
Confira a íntegra da decisão sobre as emendas de saúde.
Confira a íntegra da decisão sobre o Perse.
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