Brasil e EUA unem inteligência aduaneira para asfixiar tráfico internacional de armas e drogas
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Acordo entre Receita Federal e CBP norte-americano prevê troca digital de dados em tempo real; Programa Desarma é aposta para rastrear origem de ilícitos
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O governo brasileiro e os Estados Unidos formalizaram, nesta sexta-feira (10), um pacto estratégico de cooperação mútua focado no desmantelamento de rotas transnacionais de tráfico de armas e entorpecentes. A parceria estabelece o compartilhamento digital e contínuo de informações entre a Receita Federal do Brasil (RFB) e o U.S. Customs and Border Protection (CBP). O objetivo é agilizar a identificação de padrões logísticos e conexões entre remetentes e destinatários de cargas criminosas interceptadas nas aduanas de ambos os países.
Rastreamento e o Programa Desarma
O pilar central da iniciativa é o lançamento do Programa Desarma. Segundo informações da Receita Federal, trata-se de um sistema informatizado desenhado para ampliar o rastreamento internacional de materiais sensíveis. A ferramenta cataloga dados estratégicos – como números de série, origem declarada e detalhes logísticos – de armas, munições e explosivos de fabricação americana apreendidos no Brasil, e vice-versa. Essa triangulação de dados permite mapear com precisão as redes de comércio ilícito.
Alinhamento político e estratégia de origem
Durante o anúncio em Brasília, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou que a cooperação é um desdobramento direto do diálogo entre os presidentes Lula e Trump. Segundo Durigan, o intercâmbio qualificado permitirá que as autoridades atuem de forma articulada não apenas no destino final das mercadorias, mas diretamente no ponto de origem das cargas, combatendo o crime organizado em sua base.
Tecnologia contra o fracionamento de armas
O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, revelou uma mudança de comportamento das quadrilhas: para tentar burlar a fiscalização por raio-x, criminosos passaram a traficar peças isoladas em vez de armamentos montados. “Como o escaneamento de todos os contêineres que saem do Brasil facilitou a identificação de armas inteiras, as organizações adotaram o envio de componentes”, explicou Barreirinhas, reforçando que a tecnologia de inspeção tem sido fundamental para o aumento das apreensões.
Balanço de apreensões e drogas sintéticas
Dados apresentados pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, reforçam a urgência do acordo. Nos últimos 12 meses, a fiscalização aduaneira brasileira interceptou mais de 1,1 mil armas e componentes. No campo dos entorpecentes, o primeiro trimestre de 2026 registrou a apreensão de 1,5 mil toneladas de drogas vindas dos EUA, com predominância de haxixe e substâncias sintéticas.
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