Moeda norte-americana caiu 0,69% na sexta-feira, acumulando baixa semanal de 1,11%; cenário político e decisões do Fed e do Copom devem manter câmbio volátil
Caso de Política, com Estadão Conteúdo e Reuters – O dólar encerrou a sexta-feira (12) em queda de 0,69%, cotado a R$ 5,3537, o menor patamar desde 7 de junho de 2024, quando fechou em R$ 5,3247. Foi a terceira sessão consecutiva de desvalorização da moeda no Brasil, que acumulou baixa de 1,11% na semana. O movimento contrastou com a valorização da divisa norte-americana frente a outras moedas no mercado internacional.
No Brasil, a repercussão da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF), somada à melhora da avaliação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, influenciou a percepção de risco político. No exterior, a expectativa de início do ciclo de cortes de juros pelo Federal Reserve reforça a atratividade do real, sobretudo diante da manutenção da taxa Selic em 15%.
Às 17h06, o dólar futuro para outubro, o contrato mais negociado na B3, recuava 0,72%, a R$ 5,3760. No mercado comercial, a moeda encerrou em R$ 5,353 na compra e R$ 5,354 na venda. Já no turismo, ficou em R$ 5,384 para compra e R$ 5,564 para venda.
O impacto político foi intenso após a decisão do STF, que condenou Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão e à inelegibilidade por oito anos, junto a outros sete réus. A reação internacional incluiu críticas do governo dos Estados Unidos, que chamou o processo de “caça às bruxas”, e do ex-presidente Donald Trump, que classificou o julgamento como “terrível”. O Itamaraty respondeu que o Brasil “não se intimidará”, enquanto Lula prometeu novas medidas.
Paralelamente, pesquisa Ipsos-Ipec divulgada na quinta-feira (11) mostrou crescimento da avaliação positiva do governo Lula, de 25% para 30%, e queda da negativa, de 43% para 38%. Analistas avaliam que o cenário político doméstico, aliado ao diferencial de juros, tende a favorecer o real no curto prazo.
No campo econômico, o IBGE informou que o volume de serviços subiu 0,3% em julho frente a junho, resultado abaixo das estimativas, mas que marcou a 16ª taxa positiva consecutiva em relação ao mesmo mês do ano anterior. O acumulado de 12 meses registra alta de 2,9%.
Para o economista sênior do Inter, André Valério, a condenação de Bolsonaro “torna o cenário eleitoral mais claro, fortalecendo uma possível candidatura de Tarcísio de Freitas, bem-vista pelo mercado”. Ele ressalta ainda que, no plano externo, os cortes de juros nos EUA aumentam a competitividade do real como uma das moedas com maior diferencial de taxa de juros do mundo.
A próxima semana será decisiva para o câmbio, com as reuniões do Federal Reserve e do Copom na quarta-feira (18). Caso os EUA confirmem o início dos cortes, a tendência é de manutenção da valorização do real. Porém, analistas alertam que uma eventual retaliação do governo Trump à condenação de Bolsonaro pode trazer volatilidade adicional.
Caso de Política | A informação passa por aqui.
#Dólar #Câmbio #Economia #MercadoFinanceiro #STF #Bolsonaro #Lula #Selic #FederalReserve #Política
