O Ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira e líderes do Mercosul e UE, assinam acordo histórico. Foto: reprodução/GloboNews
Em cerimônia histórica em Assunção, blocos oficializam tratado que abrange 95% das exportações brasileiras; presidente paraguaio exalta liderança do Brasil enquanto Javier Milei permanece sentado durante homenagem a Lula
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Após 25 anos de negociações, o Mercosul e a União Europeia formalizaram, neste sábado (17), o aguardado acordo de livre comércio entre os blocos. A assinatura ocorreu no Gran Teatro José Asunción Flores, em Assunção, Paraguai, marcando a criação de uma das maiores zonas de livre comércio do mundo.
O anfitrião, presidente Santiago Peña, destacou que o desfecho só foi possível graças à articulação diplomática liderada pelo Brasil. Mesmo ausente e representado pelo chanceler Mauro Vieira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi aplaudido de pé por chefes de Estado e autoridades. Nesse momento, o presidente argentino Javier Milei permaneceu imóvel e sentado, isolando-se simbolicamente do gesto coletivo.
Impactos Comerciais: Desoneração Gradual e Acesso Ampliado
O acordo prevê a eliminação progressiva de barreiras tarifárias sobre:
- 91% das importações brasileiras vindas da Europa
- 95% das exportações do Brasil para a União Europeia
Isso deve resultar em:
- Redução de preços de medicamentos, veículos, insumos agrícolas, vinhos, azeites e queijos
- Acesso ampliado para produtos brasileiros como carne, grãos, celulose, açúcar e calçados
A desoneração ocorrerá em prazos variados – alguns imediatos, outros em até 15 anos – permitindo uma transição gradual e protegendo a indústria nacional de impactos abruptos.
Geopolítica Regional: Venezuela, Estabilidade e Troncos Diplomáticos
A assinatura acontece em meio a uma reconfiguração estratégica na América do Sul. Líderes presentes citaram a prisão de Nicolás Maduro, que teria removido entraves ideológicos e facilitado maior coesão interna no Mercosul.
Analistas afirmam que o novo cenário:
- reforça o Brasil como “fiel da balança” regional
- projeta estabilidade política e econômica
- aumenta a confiabilidade do Mercosul como parceiro da União Europeia
Um contraponto a Washington
Com o retorno de Donald Trump à presidência dos EUA e sinais de políticas protecionistas, o acordo Mercosul–UE funciona como um escudo estratégico, oferecendo alternativa a possíveis barreiras tarifárias norte-americanas.
Nesse contexto, a postura isolada de Milei reflete:
- desalinhamento com a diplomacia regional
- aposta exclusiva em Washington
- perda de protagonismo frente ao avanço diplomático brasileiro
Soberania, Salvaguardas e Próximas Etapas
A conclusão do acordo só foi possível após a aprovação de salvaguardas agrícolas pelo Parlamento Europeu em 2025, permitindo suspender benefícios tarifários caso ocorram desequilíbrios de mercado – uma demanda histórica de agricultores europeus, especialmente franceses.
A presença de Ursula von der Leyen (Comissão Europeia) e António Costa (Conselho Europeu) reforçou o compromisso europeu com:
- comércio baseado em regras
- estabilidade institucional
- relações estratégicas com o Brasil e o Mercosul
Apesar da assinatura, o acordo entra agora em fase de:
- análise parlamentar nos países membros
- possíveis ajustes técnicos
- votação para ratificação final
Somente após essa etapa o pacto entrará plenamente em vigor.
Conclusão: Liderança Brasileira e Retomada da Integração Regional
O encerramento da cerimônia consolidou a percepção de que, sob liderança do Brasil, a América do Sul recupera a capacidade de negociar acordos multilaterais de grande porte, equilibrando interesses nacionais e exigências internacionais.
O tratado também reforça:
- maior autonomia do Sul Global
- proteção contra pressões unilaterais externas
- fortalecimento da integração regional
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