
Dados do Enamed mostram que nenhuma graduação baiana atingiu o nível crítico, enquanto estados do eixo Sul-Sudeste concentram cursos com nota mínima; rede pública e interiorização explicam a consistência do modelo
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A Bahia consolidou-se como o estado de maior estabilidade qualitativa do ensino médico no Nordeste e um dos mais consistentes do Brasil na primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). De acordo com dados oficiais do Ministério da Educação (MEC), o estado contabilizou quatro instituições com nota máxima (5) e estruturou um cinturão de segurança acadêmica, com 10 cursos posicionados na faixa de excelência (notas 4 e 5), representando 43,5% de sua rede.
O maior triunfo estatístico baiano emerge no confronto direto com o eixo Sul-Sudeste. Enquanto estados considerados potências históricas da formação médica, como São Paulo e Minas Gerais, registraram graduações com nota mínima (1), a Bahia manteve 100% de seus cursos acima do patamar de colapso acadêmico.
Desempenho por Região: o raio-x da Medicina no Brasil
A análise percentual revela a capacidade de cada região em posicionar seus cursos no topo versus a vulnerabilidade de queda para o nível mínimo (1).
| Região | % de cursos na excelência (4 e 5) | % de cursos críticos (nota 1) |
| Sudeste | 61,9% | 3,5% |
| Sul | 55,7% | 1,9% |
| Nordeste | 53,6% | 0% |
| Centro-Oeste | 44,1% | 11,7% |
| Norte | 30,0% | 13,3% |
Grupo de Excelência: todas as instituições nota 5 do Brasil
Abaixo, a lista completa de todas as faculdades que atingiram o conceito máximo no Enamed, organizadas por região.
Nordeste (13 cursos)
- Bahia: UFBA (Vitória da Conquista), UESC (Ilhéus), UESB (Vitória da Conquista), UNIVASF (Paulo Afonso).
- Pernambuco: UPE (Serra Talhada), UPE (Garanhuns), UNIVASF (Petrolina).
- Ceará: UECE (Fortaleza), UFC (Fortaleza), UNICHRISTUS (Fortaleza).
- Rio Grande do Norte: UFRN (Natal), UFRN (Caicó).
- Sergipe: UFS (Lagarto), UFS (Aracaju).
Sudeste (22 cursos)
- São Paulo: USP (Bauru), USP (São Paulo), USP (Ribeirão Preto), UNICAMP (Campinas), UNESP (Botucatu), UFSCAR (São Carlos), FCMSCSP (São Paulo), FAMEMA (Marília), FAMERP (São José do Rio Preto), FMJ (Jundiaí), FICSAE – Albert Einstein (São Paulo), UNI-FACEF (Franca), FACISB (Barretos).
- Minas Gerais: UFMG (Belo Horizonte), UFOP (Ouro Preto), UFV (Viçosa), UFU (Uberlândia), UNIMONTES (Montes Claros), UFJF (Juiz de Fora), UFJF (Governador Valadares).
- Espírito Santo: UFES (Vitória).
Sul (10 cursos)
- Paraná: UEM (Maringá), UFPR (Toledo), UEPG (Ponta Grossa), UNICENTRO (Guarapuava), UP (Curitiba), FPP – Pequeno Príncipe (Curitiba).
- Rio Grande do Sul: PUCRS (Porto Alegre), UFCSPA (Porto Alegre).
Centro-Oeste (4 cursos)
- Mato Grosso do Sul: UFMS (Campo Grande), UFMS (Três Lagoas), UFGD (Dourados).
- Distrito Federal: UnDF (Brasília).
Norte (1 curso)
- Pará: UEPA (Marabá).
GRUPO CRÍTICO: instituições nota 1 do Brasil
Abaixo, os cursos que obtiveram o desempenho mínimo, exigindo intervenção imediata do MEC. A Bahia não figura nesta lista.
- Sudeste: UNIPAC (Juiz de Fora/MG), Universidade Brasil (Fernandópolis/SP), UMC (Mogi das Cruzes/SP), UNILAGO (São José do Rio Preto/SP), CAM (São Paulo/SP), FAI (Adamantina/SP), FASEH (Vespasiano/MG), FMPFM (Mogi Guaçu/SP), UNESA (Angra dos Reis/RJ), SLMANDIC (Araras/SP).
- Sul: Universidade do Contestado (Mafra/SC), Estácio Jaraguá (Jaraguá do Sul/SC).
- Centro-Oeste: UNICERRADO (Goiatuba/GO), UNIFAN (Aparecida de Goiânia/GO), FESURV (Goianésia/GO), FESURV (Formosa/GO), Unipantanal (Cáceres/MT), Faculdade Zarns (Itumbiara/GO).
- Norte: Universidade Nilton Lins (Manaus/AM), UNNESA (Porto Velho/RO), UNINORTE (Rio Branco/AC), CEUNI-FAMETRO (Manaus/AM), UFPA (Altamira/PA).
Raio-x da Medicina na Bahia
A interiorização qualificada é o motor da consistência baiana. Das quatro notas máximas, três estão fora da capital.
Tabela – Desempenho detalhado na Bahia (nomes completos)
| Instituição | Cidade | Natureza | Nota |
| Universidade Federal da Bahia (UFBA) | Vitória da Conquista | Pública Federal | 5 |
| Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) | Ilhéus | Pública Estadual | 5 |
| Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) | Vitória da Conquista | Pública Estadual | 5 |
| Fundação Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF) | Paulo Afonso | Pública Federal | 5 |
| Universidade Federal da Bahia (UFBA) | Salvador | Pública Federal | 4 |
| Universidade do Estado da Bahia (UNEB) | Salvador | Pública Estadual | 4 |
| Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) | Feira de Santana | Pública Estadual | 4 |
| Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB) | Barreiras | Pública Federal | 4 |
| Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) | Jequié | Pública Estadual | 4 |
| Centro Universitário FG (UNIFG) | Guanambi | Privada | 4 |
| Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) | Santo Antônio de Jesus | Pública Federal | 3 |
| Universidade Salvador (UNIFACS) | Salvador | Privada | 3 |
| Afya Faculdade de Ciências Médicas de Guanambi | Guanambi | Privada | 3 |
| Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) | Teixeira de Freitas | Pública Federal | 2 |
| Centro Universitário UNIME | Lauro de Freitas | Privada | 2 |
| Centro Universitário Maurício de Nassau de Barreiras | Barreiras | Privada | 2 |
| Centro Universitário Zarns – Salvador | Salvador | Privada | 2 |
| Faculdade AGES de Medicina | Jacobina | Privada | 2 |
| Faculdade AGES de Medicina de Irecê | Irecê | Privada | 2 |
| Faculdade Estácio de Juazeiro | Juazeiro | Privada | 2 |
| Faculdade Estácio de Alagoinhas | Alagoinhas | Privada | 2 |
| Afya Faculdade de Ciências Médicas de Itabuna | Itabuna | Privada | 2 |
| Faculdades Integradas do Extremo Sul da Bahia (UNESULBAHIA) | Eunápolis | Privada | 2 |
Enamed: o que muda para os cursos com desempenho insatisfatório
A avaliação terá efeitos práticos imediatos. Segundo o balanço oficial, 107 cursos de Medicina receberam conceito 1 ou 2, acionando mecanismos de supervisão. Desse total, 99 graduações estão sujeitas a sanções diretas do MEC. As penalidades incluem restrição de vagas e processos de descredenciamento, reforçando o caráter regulatório do exame como filtro institucional de qualidade.
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