
Com trajetória de 35 anos no acolhimento de vulneráveis, vereadora barreirense analisa estatísticas brutais e denuncia que a ineficiência da segurança pública no Brasil atua como cúmplice na escalada da violência doméstica
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O combate ao feminicídio no Brasil exige uma leitura que vá além do boletim de ocorrência, alcançando as raízes da omissão estatal e do isolamento social. Em uma análise fundamentada em dados nacionais e na sua própria experiência de campo, a vereadora de Barreiras, Delmah Pedra, aponta que a morte de mulheres é o desfecho evitável de um ciclo que o Estado brasileiro ainda não aprendeu a interromper.
A parlamentar traz para o debate a autoridade de quem fundou e geriu instituições como o Instituto Nova Vida e o Abrigo Mãe, referências no Oeste Baiano no acolhimento de dependentes químicos e famílias em crise. Advogada e professora aposentada, sua trajetória é marcada pela defesa de minorias e pela implementação de políticas de proteção social que precedem sua vida pública.
Ao abordar a frequência dos ataques, Delmah Pedra expõe a urgência de uma realidade que muitos preferem ignorar, tratando a agressão como um fenômeno estatístico contínuo:
“A cada 15 segundos, uma mulher é agredida no Brasil. E a realidade não é nem um pouco cor-de-rosa. A cada ano, 2 milhões de mulheres são espancadas por maridos ou namorados.”
Para a vereadora, o feminicídio deve ser interpretado como um processo de “desumanização”. Em sua fala, ela busca resgatar a identidade das vítimas, conectando a frieza dos números nacionais à sensibilidade de quem dedicou décadas à assistência social e ao resgate de vidas silenciadas.
“Por trás de cada caso, existe uma mulher que sonhava, uma mãe, uma filha, uma trabalhadora. Vidas que foram silenciadas pela violência e pelo ódio. E não podemos aceitar que mulheres continuem morrendo dentro de suas próprias casas, muitas vezes por quem dizia amar.”
A análise interpretativa da parlamentar identifica que a tragédia final é precedida por sinais claros que são negligenciados. A tese central é que o crime é uma progressão comportamental amparada pela impunidade: o “último ato” é apenas o resultado de uma série de omissões anteriores.
“E o feminicídio não começa no último ato, ele começa no desrespeito, na agressão, no silêncio.”
O ponto mais contundente de sua fala, recai sobre a responsabilidade das instituições. Delmah Pedra, que no Legislativo de Barreiras atua na vanguarda de projetos para autistas, idosos e mulheres, enxerga na fragilidade do sistema de proteção um gatilho para o aumento dos casos de morte.
“Quando essas mulheres pedem ajuda e não encontram proteção, a segurança pública falha e essa falha também mata. Precisamos denunciar, ouvir, proteger, precisamos agir antes que seja tarde.”
Ao finalizar, a vereadora reafirma seu compromisso de transformar a indignação em ação política, utilizando seu mandato como uma ferramenta de vigilância para que o sistema de segurança pública e a rede de apoio social funcionem de forma preventiva e não apenas reativa.
“Como vereadora, reafirmo meu compromisso com a defesa da vida das mulheres, que nenhuma mais seja esquecida e que nenhuma mais seja acabada.”
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