Ato na Praça das Corujas repudia reajuste que força trabalhadores a comprometer 27% da renda; prefeitura repassou milhões sem melhorias significativas na frota
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O transporte público de Barreiras tornou-se o epicentro de um levante social nesta quinta-feira (15). Estudantes da Universidade Federal do Oeste da Bahia, integrantes da UJS, da Juventude do PT, usuários e o vereador João Felipe se concentraram na Praça das Corujas para protestar contra a tarifa de R$ 5,00. O reajuste, autorizado pelo Decreto Municipal nº 004/2026, amplia de forma significativa o custo de deslocamento, ultrapassa a inflação oficial – período de 8 anos – e expõe a falta de transparência dos contratos da concessionária, conforme apuração do portal Caso de Política. Na prática, o trabalhador passa a comprometer 27% do salário mínimo apenas para se deslocar diariamente.
A matemática da exclusão: reajuste acima de todos os índices
A evolução numérica da tarifa ilustra a distorção. Entre 2018 e 2026, o valor subiu de R$ 2,80 para R$ 5,00 – um aumento acumulado de 78,57%. No mesmo período, o IPCA registrou cerca de 57%. Ou seja, o reajuste aplicado nas catracas de Barreiras supera a inflação nacional em 21 pontos percentuais.
Evolução da tarifa e comparação com a inflação
| Período | Valor da Passagem | Reajuste da Tarifa | Inflação Oficial (IPCA) | Diferença Real |
| Janeiro/2018 | R$ 2,80 | Valor base | Ponto de partida | – |
| Janeiro/2018 | R$ 3,00 | 7% | 0,29% | Acima do índice |
| Janeiro/2026 | R$ 5,00 | 28% | 57% | 21% – acima |
O impacto no bolso: quase um terço do salário fica na catraca
Com o salário mínimo de 2026 fixado em R$ 1.621,00, quem depende de quatro viagens por dia passa a desembolsar R$ 440 mensais – quase um terço da renda. Na prática, trata-se de um nível crítico de comprometimento financeiro, que empurra famílias para escolhas involuntárias entre transporte, alimentação e contas básicas.
O peso do transporte no salário mínimo (2018-2026)
| Ano | Valor da Passagem | Salário Mínimo | Gasto Mensal (Quatro viagens/dia) | Impacto no Salário |
| 2018 | R$ 2,80 | R$ 954,00 | R$ 246,00 | 12,9% |
| 2018 | R$ 3,00 | R$ 954,00 | R$ 274,00 | 13,8% |
| 2026 | R$ 5,00 | R$ 1.621,00 | R$ 440,00 | 27,1% |
João Felipe resgata histórico e eleva o tom nas redes
Com oito anos de críticas sistemáticas ao modelo de transporte, João Felipe repostou um vídeo de janeiro de 2018, em que denunciava reajustes “na calada da noite”. Após o ato desta quinta-feira, manteve o tom:
“Hoje foi dia de estar onde sempre estive: nas ruas, com o povo. Não podemos aceitar esse aumento abusivo. Otoniel é inimigo do povo!”
O vereador afirmou que o reajuste penaliza justamente quem mais precisa e assegurou que seguirá mobilizado junto ao movimento estudantil.
Investigação: a caixa-preta e os repasses milionários
Apurações do portal Caso de Política indicam forte opacidade nos contratos assinados em 2014, cujo total ultrapassa R$ 148 milhões. Além disso, entre 2021 e 2022 a prefeitura repassou mais de R$ 2,5 milhões extras à Viação Cidade de Barreiras (VCB). Apesar dos repasses, estudantes da UFOB e usuários do transporte público relatam deterioração da frota, ônibus sucateados e falhas graves de acessibilidade – situações incompatíveis com o volume de recursos envolvidos.
Embate técnico e a ofensiva jurídica
Na rádio Oeste FM, o diretor da concessionária, Neidilson Ribeiro, alegou que o sistema é pressionado pelas gratuidades não cobertas pelo município:
“O pecado capital aí é que essas gratuidades não são financiadas pelo poder público. Quem financia é o passageiro pagante.”
Em contraponto, o cientista político Jean Carlos Gama sustentou que o modelo de remuneração por passageiro está falido e que a Tarifa Zero custaria cerca de 2% da arrecadação municipal. Segundo ele, “a implementação da tarifa zero não é um debate técnico e orçamentário, é uma decisão política”.
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