
Denúncia do SINPROFE expõe evasão de 70% dos concursados e escolas precárias, enquanto gestão do prefeito Otoniel Teixeira congela carreiras do magistério para garantir pagamento de juros bancários previstos na LOA 2026
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A nova manifestação formal do SINPROFE (Sindicato dos Professores) surge como a prova material definitiva de um diagnóstico que os números da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 já antecipavam: Barreiras enfrenta um quadro de insolvência administrativa combinado com profunda inversão de prioridades. Sob a gestão do prefeito Otoniel Teixeira, a política fiscal do município passou a blindar bancos enquanto corrói o capital humano da educação.
Do ponto de vista econômico, o cenário revela um fenômeno clássico conhecido como “incentivo perverso”. A prefeitura preserva o pagamento rigoroso da dívida bancária – condição essencial para manter linhas de crédito e sustentar a vitrine de obras – enquanto congela salários, descumpre o plano de carreira e empurra professores qualificados para fora da rede pública. O resultado é previsível: a deterioração progressiva da política educacional.
Desperdício de dinheiro público: retorno negativo sobre investimento

Enquanto a LOA destina R$ 12,5 milhões para escolas, problemas como infiltrações e falhas elétricas expõem obras mal feitas e fiscalização insuficiente. O município paga duas vezes: pela construção e pelo conserto. Educação que deveria crescer, volta atrás por gestão falha
A informação de que cerca de 70% dos aprovados no concurso de 2023 já deixaram seus cargos configura um escândalo fiscal silencioso. Concurso público custa caro. Envolve banca examinadora, logística, capacitação e adaptação profissional. Quando o município perde esses servidores em menos de dois anos, o investimento se transforma em prejuízo líquido.
Na prática, Barreiras utiliza recursos públicos para formar profissionais que acabam sendo expulsos da própria rede municipal. Isso ocorre porque a gestão do prefeito Otoniel Teixeira, – assim como a de seu antecessor Zito Barbosa-, descumpre o Plano de Carreira do Magistério, previsto na Lei Municipal nº 768/2007. Trata-se de desperdício de dinheiro público provocado por uma escolha política consciente.
Dívida bancária versus carreira docente

LOA 2026 destina R$ 506,3 mi para pessoal, mas professores com mestrado e doutorado recebem apenas o piso, enquanto parte do dinheiro vai para juros bancários
A LOA 2026 fixa a despesa com pessoal em R$ 506,3 milhões (página 10). Paralelamente, o SINPROFE denuncia que professores com mestrado e doutorado recebem apenas o piso salarial, sem progressão por titulação. Essa contradição não é casual.
Fica evidente que a administração municipal utiliza o congelamento da carreira docente como instrumento de ajuste fiscal . O objetivo é abrir margem de caixa para assegurar os R$ 105,9 milhões destinados ao serviço da dívida bancária , conforme registrado na página 150 da LOA. Em termos diretos: o professor de Barreiras financia os juros do banco com a própria desvalorização salarial , sob a gestão de Otoniel Teixeira.
Obras que não entregam: o paradoxo da educação

Professores denunciam sobrecarga, assédio moral e vigilância constante, enquanto pedidos de diálogo com o Executivo seguem sem resposta. A paralisação de 25 de fevereiro é o alerta de uma categoria que se sente sacrificada por um modelo de gestão que prioriza contratos em vez de pessoas
A mesma LOA prevê R$ 12,5 milhões para construção, reforma e ampliação de unidades escolares (páginas 81 e 113). Ainda assim, o sindicato relata infiltrações, falhas elétricas e problemas estruturais em escolas recém-inauguradas.
Esse descompasso aponta para fragilidade na fiscalização de contratos ou uso de materiais inadequados, o que gera retrabalho e drena ainda mais recursos públicos. O município paga duas vezes: pela obra mal executada e, depois, pelo conserto. A má gestão vira rotina administrativa.
Educação adoecida e silêncio institucional
Além da precarização material, professores denunciam adoecimento provocado por sobrecarga digital, vigilância excessiva e assédio moral. O software EducaNet, apresentado como inovação, tornou-se símbolo de pressão constante e desgaste físico.
Mais grave ainda é o silêncio do Executivo. Desde janeiro de 2026, pedidos formais de audiência seguem sem resposta. O prefeito Otoniel Teixeira tem prazo até o dia 20 de fevereiro para se manifestar. Caso ignore novamente a categoria, a paralisação prevista para o dia 25 deixará de ser apenas um recado. Será um grito de protesto contra um “modelo de gestão que sacrifica pessoas para preservar contratos bancários”.
Os documentos oficiais são claros: Barreiras não enfrenta crise de arrecadação, mas sim “crise de prioridades”. Enquanto a gestão do prefeito Otoniel Teixeira preferir dialogar com instituições financeiras em detrimento de professores, servidores e sindicatos, a cidade continuará afundando em sua própria bola de neve fiscal.
O asfalto e o carnaval rendem propaganda. Já o teto da sala de aula que desaba compromete o futuro. E esse futuro está sendo hipotecado para pagar juros.
Base documental
- LOA 2026 – Município de Barreiras/BA
- Despesa com pessoal (pág. 10)
- Obras na educação (pág. 81)
- Serviço da dívida (pág. 150)
- SINPROFE: Notificação de 06/02/2026
- Lei Municipal n.º 768/2007
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