Vereadora Dicíola Baqueiro 2032026 1
Foto: Print da transmissão, por Caso de Política
Em pronunciamento na Câmara de Barreiras, vereadora fez uma das reflexões mais profundas do lançamento da Campanha da Fraternidade
Uma participação marcante
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A noite de lançamento da Campanha da Fraternidade 2026 na Câmara Municipal de Barreiras ficou marcada por diversos pronunciamentos, mas a fala da vereadora Dicíola Baqueiro destacou-se pela profundidade filosófica, teológica e poética. Em sua terceira participação em campanhas promovidas pela Igreja Católica, ela afirmou que este ano o tema lhe trazia um privilégio e uma responsabilidade ainda maiores: o de pautar a diversidade de desafios que a campanha enfrenta.
“Para mim hoje é um grande privilégio e uma responsabilidade maior ainda em pautar essa diversidade que enfrentamos nessa campanha.”
O desejo de moradia como condição humana

Dicíola iniciou sua fala conectando o tema da moradia à própria condição humana, desde a infância até a velhice, num arco que revela o desejo de abrigo como algo inerente à existência.
“Para compreendermos verdadeiramente o peso dessa realidade, precisamos olhar para dentro de nós mesmos, porque o desejo pela casa própria não nasce da necessidade. Ele nasce da própria condição humana. Desde a infância carregamos esse desejo. Quem aqui nunca construiu uma pequena casa com objetos ou com a imaginação? Ali, naquela brincadeira simples, já estava presente algo profundo: o desejo de abrigo, de proteção, de ter um lugar no mundo.”
Ela prosseguiu descrevendo como esse desejo se transforma ao longo da vida: na juventude, a casa se torna projeto e autonomia; na vida adulta, vira luta, sacrifício e conquista; na velhice, transforma-se em memória, refúgio e continuidade da própria existência.
“Na vida adulta, esse sonho se torna luta. Trabalhamos, planejamos, sacrificamos tudo para conquistar e manter uma casa digna, uma moradia digna, a estabilidade de um lar por meio do qual possamos cuidar de quem amamos. Com o passar do tempo, na velhice, a casa se transforma novamente. Ela deixa de ser conquista e passa a ser memória. Cada canto guarda uma história, cada parede carrega lembranças. A casa se torna refúgio e continuidade da própria vida.”
O olhar da fé: a casa como símbolo do eterno
A vereadora então trouxe a reflexão para o plano espiritual, lembrando que nenhuma casa neste mundo é definitiva, e que o desejo humano por um lar aponta para algo maior: a morada eterna. A partir dessa constatação, ela iluminou o lema da campanha, “Ele Veio Morar Entre Nós”.
“E então, ao final da nossa jornada, percebemos algo ainda mais profundo: nenhuma casa neste mundo é definitiva. Porque, no fundo, sempre estivemos a caminho de uma morada maior. Talvez seja por isso que o desejo de ter uma casa seja tão forte em nós, porque ele aponta para algo que vai além do concreto: aponta para o eterno.”
A realidade brasileira: números que clamam por ação
Dicíola citou dados da realidade brasileira e afirmou que o problema não é apenas habitacional, mas uma crise de dignidade.
“Dados da Fundação João Pinheiro e do Observatório de Políticas Públicas sinalizam uma população em situação de rua hoje de mais de 365 mil pessoas. São homens, mulheres, idosos, crianças, pessoas que não têm onde dormir, onde se proteger, onde simplesmente existir com dignidade. Ao mesmo tempo, o país enfrenta um déficit habitacional de quase 6 milhões de moradias. Milhões de famílias vivem em casas precárias, em condições inseguras, ou comprometem grande parte da sua renda para pagar aluguel.”
Ela ressaltou que a moradia não se resume ao espaço físico: “É a expressão de dignidade, de pertencimento, de vida.”
A exigência da coerência cristã
A vereadora fez a ponte entre a realidade social e a mensagem cristã, afirmando que negar moradia a alguém é negar aquilo que o próprio Deus valoriza: a dignidade da vida humana.
“Se Deus habita conosco, então a moradia deixa de ser apenas uma questão social e se torna também uma questão espiritual. Porque negar moradia a alguém é, de certa forma, negar aquilo que o próprio Deus valoriza: a dignidade da vida humana.”
E concluiu com um questionamento direto e um chamado à coerência:
“Do que adianta falarmos em Deus, professarmos nossa fé, rezarmos, se permanecermos indiferentes à realidade de quem não tem onde morar? A fé cristã não é apenas palavra. Não é apenas intenção. Ela exige coerência, exige presença, exige principalmente ação.”
Um chamado à transformação
Dicíola encerrou sua fala convocando todos a sair da indiferença e a transformar a reflexão em compromisso concreto:
“Creio em Deus é mais do que dizer que acreditamos. É viver em unidade com Ele. E viver em unidade com Deus significa participar do seu modo de agir, significa permitir que, através de nós, algo da realidade possa ser transformado. A campanha da fraternidade nos convida a sair da indiferença. A moradia não pode se resumir a um ideal: ela precisa ser compromisso.”
Reconhecimento da trajetória
O padre Leandro, coordenador diocesano de pastoral, ao apresentar a vereadora, destacou sua trajetória de serviço público: “A vereadora Dicíola Baqueiro já teve participação em outras campanhas da fraternidade, principalmente no período em que exercia as funções de professora e gestora do IFBA e da UNEB, e também já passou neste município servindo como secretária da assistência social. Agora, serve no legislativo para também proporcionar as leis que favorecem os que carecem do olhar público, do olhar político para a dignidade.”
A fala de Dicíola Baqueiro naquela noite não foi apenas um pronunciamento político. Foi uma reflexão que uniu experiência de vida, conhecimento acadêmico, sensibilidade social e profundidade espiritual – sintetizando o espírito da Campanha da Fraternidade 2026.
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