Câmara de Wanderley abre processo de cassação contra Jeremias Mascarenhas por crimes graves e abuso de vulnerável
Imagem extraída das redes sociais de Geremias Mascarenhas, imagem editada por IA
Em decisão unânime, Legislativo rompe o silêncio e instaura investigação que pode extinguir o mandato do parlamentar; Diogo Porto surge como a alternativa institucional à crise.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O ar na Câmara Municipal de Wanderley, nesta segunda-feira (24), não era de mera formalidade, mas de um severo acerto de contas com a moralidade pública. Sob a condução do presidente Rafael Saldanha Silva (PSB), o plenário autorizou a abertura do processo de cassação contra o vereador Geremias Mascarenhas (União Brasil).
A decisão remove o “escudo” político que tentava abrigar condutas que agridem o tecido social da cidade e da região oeste. O parlamentar, que ensaia voos maiores rumo à Assembleia Legislativa, vê sua base de sustentação ruir sob o peso de evidências que a política, por mais flexível que seja, não consegue digerir.
O crepúsculo do mandato: A ética sob julgamento
O mandato eletivo é, por natureza, um contrato de confiança. No entanto, quando esse “contrato” é manchado por acusações que transpõem os limites da política e adentram o terreno da barbárie moral, a cassação deixa de ser uma opção para se tornar uma cirurgia institucional necessária. A denúncia, lida detalhadamente pelo assessor especial Nerivaldo José da Silva e assinada pelo vereador Derivaldo José da Silva, desenha um cenário de “metástase ética”.
Os fatos documentados e trazidos ao plenário são de uma gravidade que silenciou a galeria:
- Abuso e Estupro de Vulnerável: Registros oficiais do Disque 100 e encaminhados pelo Ministério Público (MPBA) apontam para violações gravíssimas contra menores, incluindo tortura psicológica, erotização e exploração sexual.
- Racismo e Violência Doméstica: O documento cita processos em curso e medidas protetivas sob a Lei Maria da Penha, desenhando um perfil de conduta incompatível com a representatividade popular.
- O Contraste Político: Enquanto Geremias Mascarenhas foca em sua candidatura estadual pelo UNIÃO BRASIL, as sombras de seu comportamento privado agora paralisam sua trajetória. A tentativa de transformar o mandato em salvo-conduto foi formalmente barrada pela unanimidade dos seus pares.
Os guardiões do rito: A Comissão Processante
A votação foi um veredito silencioso e contundente. Sem dissidências, os vereadores entenderam que a dignidade da Casa não suportaria a inércia. Após o sorteio democrático, o presidente Rafael Saldanha Silva oficializou a Comissão Processante, composta por:
- Presidenta: Alessia Campos Dumas Freitas (Avante)
- Membro: Aleilson da Silva Teixeira de Souza (PSB)
- Secretário: Jurandir Pereira de Matos (PSB)
Este trio terá a tarefa de filtrar a defesa do parlamentar contra o peso documental de denúncias que envolvem a integridade de crianças e adolescentes. O rito é técnico, mas a mensagem política é clara: Wanderley não aceitará ser cúmplice do silêncio diante de crimes hediondos.
O fator Diogo Porto e a sucessão
Com a iminente possibilidade de cassação – que exige o voto de dois terços do plenário para se concretizar -, o cenário sucessório já está definido. O primeiro suplente do PSD, Diogo Porto, surge no horizonte como a correção de rota necessária para a legenda. Diogo Porto personifica a continuidade institucional sem o ônus das graves sombras que hoje isolam o titular.
Ao encerrar a sessão, o presidente Rafael Saldanha Silva reafirmou o compromisso com a legalidade, ecoando o sentimento do autor da denúncia, Derivaldo José da Silva: “É obrigado fazer a justiça valer”. Wanderley não assistiu a uma briga partidária comum, mas a um movimento de autodefesa da própria democracia local contra a degradação do decoro parlamentar.
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