Túlio Viana fala em diálogo político e destaca o papel das pessoas na construção de Barreiras
Vice-prefeito reconhece adversários, valoriza a memória da Câmara e defende uma política capaz de conciliar divergências e responder às demandas da população.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Na primeira sessão solene em homenagem ao Dia Municipal do Vereador, realizada pela Câmara de Barreiras na noite desta terça-feira (20), o vice-prefeito Túlio Viana aproveitou a ocasião para transmitir uma mensagem que ultrapassou o caráter comemorativo da cerimônia. Ao valorizar a história do Legislativo, reconhecer antigos parlamentares e defender a convivência entre diferentes correntes políticas, ele apresentou uma visão de política que combina representação popular, respeito institucional e atenção às pessoas.
Um dos trechos mais significativos surgiu quando mencionou a ex-vereadora Carlúcia Macêdo. “Independentemente das divergências políticas, nutro um sentimento de muita amizade e consideração”, afirmou. A declaração foi breve, mas carregou um sentido que merece atenção. Em uma atividade pública frequentemente marcada pela polarização, reconhecer o respeito por quem pensa politicamente diferente é admitir que a divergência faz parte da democracia, sem transformar adversários em inimigos.
Essa postura ajudou a definir o tom do pronunciamento. Túlio preferiu valorizar a instituição, as trajetórias de quem passou por ela e a responsabilidade de quem recebe da população a missão de representá-la.
A perspectiva ganhou sua expressão mais forte quando o vice-prefeito afirmou que “uma cidade não é construída só de tijolos, de asfalto, de cimento”, mas, sobretudo, de pessoas. A frase sintetiza uma ideia politicamente relevante: obras e infraestrutura são fundamentais, mas não contam toda a história de um município. Também constroem a cidade as relações entre seus moradores, a memória coletiva e o reconhecimento de quem contribuiu para sua trajetória.
Ao dizer que a Câmara traduz “a pluralidade do seu povo através da defesa das suas ideias”, Túlio reforçou essa leitura. O Legislativo, nessa perspectiva, não se limita às sessões e aos projetos de lei; sua razão de existir está em dar expressão institucional a uma sociedade formada por interesses, experiências e opiniões diferentes.
O vice-prefeito também destacou a dimensão cotidiana do mandato. As pessoas, observou, recorrem aos vereadores diante de problemas e necessidades, muitas vezes sem considerar horário ou circunstância. Essa proximidade evidencia a responsabilidade de quem exerce a representação popular. O mandato não se encerra na tribuna: exige escuta, encaminhamento das demandas e atuação responsável dentro das atribuições do Legislativo.
A homenagem aos vereadores em exercício e aos que já passaram pela Câmara permitiu ainda aproximar memória e renovação. Túlio interpretou a fala da vereadora Delmah Pedra, autora da Lei Municipal nº 1.730/2026, como um chamado à participação de mais mulheres e jovens na política. Reconhecer quem construiu a história da instituição não significa mantê-la presa ao passado, mas preservar sua memória enquanto se abrem caminhos para novas vozes.
A experiência de convivência com a Câmara, que Túlio disse acompanhar desde 2012, deu ao discurso um componente pessoal. As referências a antigos vereadores e a pessoas ligadas à história política de Barreiras reforçaram a ideia de que a vida pública deixa marcas que ultrapassam a duração de um mandato.
Ao conectar respeito às divergências, valorização da memória e incentivo à renovação, Túlio apresentou uma visão de política em que a representação permanece ligada à vida real da população. Sua mensagem foi além da homenagem aos vereadores: apontou para a importância de instituições capazes de acolher diferentes ideias e transformar a pluralidade social em participação democrática.
Sem recorrer ao confronto, o vice-prefeito escolheu destacar o diálogo como parte da vida pública. A mensagem encontra sua força justamente nessa combinação: reconhecer as diferenças, respeitar as trajetórias e compreender que a construção de uma cidade depende não apenas de obras, mas também das pessoas que a fazem existir.
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