
Projeto da FCA reestrutura a logística nacional, conectando sete estados, ampliando capacidade de transporte, modernizando infraestrutura e gerando impactos econômicos e sociais duradouros
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Um novo capítulo na história da infraestrutura brasileira foi inaugurado com a prorrogação antecipada da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) até 2056. Fruto de um acordo entre o Governo Federal e a VLI Logística, este pacto ambicioso promete um ciclo de investimentos que pode alcançar R$ 30 bilhões, focado na modernização e ampliação da malha ferroviária. A iniciativa visa impulsionar em 46% o transporte de cargas e gerar mais de 200 mil empregos em todo o país. A confirmação, em agosto de 2025, solidifica um dos maiores projetos logísticos do Brasil para as próximas três décadas.
FCA até 2056: Detalhes de um projeto estratégico
Documentos da VLI, PPI e ANTT detalham o plano de investimentos e as obrigações que revitalizarão a espinha dorsal ferroviária de 7.215 km, conectando sete estados e o Distrito Federal. O objetivo é transformar a FCA em um eixo central da logística nacional, integrando ferrovias, portos e terminais e fortalecendo o transporte multimodal de cargas.
Investimentos e estrutura da renovação
A Ferrovia Centro-Atlântica, a maior do Brasil, terá sua operação estendida por mais 30 anos, até 2056. A concessão, originalmente prevista para terminar em 1º de setembro de 2026, foi renegociada entre o Ministério dos Transportes e a VLI Logística, operadora da FCA desde 2011. O acordo é amparado pela Lei 13.448/2017 e por meio da Resolução nº 10, de 07/03/2017, convertida no Decreto nº 9.059, de 25/05/2017.
O coração da nova concessão é um plano robusto de investimentos que engloba:
- Modernização da malha ferroviária: renovação de trilhos e sinalização;
- Aquisição de locomotivas e vagões modernos;
- Construção de infraestruturas essenciais: oficinas de manutenção, terminais de carga e estruturas de apoio;
- Ampliação de capacidade logística: corredores estratégicos, incluindo Minas-Bahia, Espírito Santo/Rio de Janeiro e Centro-Sudeste.
O investimento total estimado é de quase R$ 30 bilhões, representando um salto significativo frente aos R$ 2 bilhões já aplicados entre 2019 e 2023.
Perspectiva financeira consolidada
Para tornar a visão mais clara, destacamos os dados aproximados segundo diferentes fontes oficiais:
Item | VLI Logística | PPI | ANTT |
| Investimento Total (CAPEX) | ~ R$ 30 bilhões | R$ 28 bilhões | R$ 13,82 bilhões |
| Custos Operacionais (OPEX) | Não especificado | Não especificado | R$ 75,09 bilhões |
| Outorga ao Tesouro | R$ 5 bilhões (inclui compensações) | R$ 1 bilhão | R$ 3,30 bilhões |
| Prazo da Concessão | +30 anos (até 2056) | +30 anos | +30 anos |
As diferenças nos valores refletem diferentes escopos de cálculo (investimentos em infraestrutura, compensações, custos operacionais e material rodante). A estratégia de minimizar o valor da outorga tem como objetivo priorizar os investimentos diretos na malha ferroviária e obras estruturantes, em vez de uma arrecadação imediata maior.
Transformação logística e obras estruturantes
O principal objetivo do acordo é ampliar a capacidade de transporte da FCA em até 46%. Entre as obras prioritárias:
- Revitalização do Corredor Minas-Bahia: modernização completa do trecho entre Corinto (MG) e o porto de Aratu (BA), fundamental para escoamento de minérios e produção agroindustrial.
- Obras condicionadas à demanda: construção de nova ponte sobre o rio Paraguaçu (BA) e contorno ferroviário para Belo Horizonte (MG), caso volumes específicos de carga sejam atingidos.
A VLI enfatiza que a modernização trará mais segurança no tráfego, maior eficiência operacional e menor tempo de transporte.
Geração de empregos e impacto econômico
O projeto terá efeito multiplicador significativo sobre a economia. A VLI estima mais de 10 mil empregos diretos e indiretos apenas na operação da FCA. A ANTT projeta cerca de 211 mil empregos, considerando efeitos diretos, indiretos e sobre a renda em toda a cadeia produtiva.
Malha capilar da FCA
Com 7.215 km, a FCA conecta Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, além do Distrito Federal. A malha é dividida em corredores estratégicos:
- Centro-Sudeste: Goiás, Minas e São Paulo, com destino ao Porto de Santos (SP).
- Espírito Santo / Rio de Janeiro: linhas integradas com portos e ferrovias locais.
- Minas-Bahia: ligação do norte de Minas Gerais à Bahia, com acesso a Aratu (BA) e Petrolina (PE).
A operação multimodal da VLI integra a FCA a terminais portuários e outras ferrovias, incluindo o Tramo Norte da Ferrovia Norte-Sul (FNS).
Principais conexões e intercâmbios
Tipo de Conexão | Pontos Chave | Estados |
| Intercâmbio com ferrovias | Pedro Nolasco, Capitão Eduardo, Eng. Lafaiete, Pedreira Rio das Velhas, Barão de Angra, Três Rios, Miguel Burnier, Barreiro, Boa Vista Nova, Paulínia/Replan, Propriá | ES, MG, RJ, SP, SE |
| Interconexão com portos | Santos (SP), São Luís (MA), Barra dos Coqueiros (SE), São Gonçalo do Amarante (CE), Vitória (ES), Aratu (BA), Aracaju (SE), Salvador (BA) | SP, MA, SE, CE, ES, BA |
Atualmente, a FCA movimenta quase 200 milhões de toneladas de carga, atendendo 70 clientes em mais de 250 municípios, com mais de 500 locomotivas, 17.000 vagões e 500 fornecedores nacionais.
Tipos de cargas transportadas
Categoria | Exemplos |
| Agronegócio e Fertilizantes | Milho, soja, açúcar, enxofre, fosfato, cloreto de potássio, ureia |
| Industrializados | Toretes, óleo diesel, etanol, gasolina, bauxita, contêineres, clinquer, cromita, linear alquilbenzeno, sinter |
| Siderurgia e Construção | Fio máquina, bola de moinho, minério de ferro, ferro gusa, cimento, calcário, cal, areia |
Passos burocráticos

O processo de prorrogação da FCA segue sob supervisão da ANTT e do TCU. O cronograma estimado:
- Audiência Pública: a ser realizada entre 30 de agosto e 14 de outubro de 2024;
- Análise pelo TCU: até dezembro de 2024, podendo se estender até novembro de 2025;
- Publicação de Parecer e Assinatura do Termo Aditivo: prevista para 2025.
Este megaprojeto da FCA não é apenas um contrato de concessão. É uma aposta estratégica no futuro da infraestrutura e logística brasileira, com potencial de transformar cadeias produtivas, gerar empregos e ampliar a competitividade do país no transporte de cargas.
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