
Sessão de terça-feira (25) expõe tensão institucional, tentativa de suavizar prisões em ata e aprovação de um orçamento bilionário sob a sombra da Operação Draco
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Sob o peso de investigações policiais e celas ocupadas, o vereador Joílson Rocha de Souza assumiu interinamente a presidência da Câmara Municipal na noite desta terça-feira (25). A posse – determinada nos processos nº 8341 e 49/2025 – busca recompor o comando da Casa após o afastamento de Hermínio Cordeiro dos Reis. Joílson tem agora 15 dias para convocar nova eleição para a mesa diretora, mas a pergunta que domina o Legislativo é direta e incômoda: quem restará apto a disputar o comando após a devassa conduzida pelo Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco)?
A sessão evidenciou a gravidade da crise logo de início. Durante a leitura da ata, a secretaria tentou registrar a falta do vereador Hidjane Leite Souza e do presidente Hermínio como “motivo justo”. A tentativa foi imediatamente rechaçada em plenário.
“A justificativa não é essa. O vereador está preso e afastado porque está preso, e não por ausência justificada”, interrompeu um parlamentar, forçando a correção do texto.
O episódio reacendeu uma inquietação: há um esforço institucional para suavizar ou maquiar a repercussão das prisões?
Draco na cidade: o Executivo é o próximo alvo?
O vereador Roberto Andrade, levou ao microfone o que muitos murmuravam nos corredores. Confirmou a presença da Draco em Formosa do Rio Preto cumprindo mandados – a chamada Operação “USG” – e enviou um recado direto ao Executivo.
“O dinheiro entra e sai, e quem dá a resposta é a Draco de Salvador. O prefeito deve colocar as barbas de molho, pois vai chegar até ele”, afirmou.
A fala sugere que o esquema sob investigação pode ultrapassar o Legislativo. Se prisões já ocorreram por suspeitas de desvio, qual a extensão da contaminação dentro da Prefeitura? E por que os mecanismos internos de fiscalização foram incapazes – ou coniventes – em impedir o avanço das irregularidades antes da ação da polícia?
PPA de R$ 1 bilhão: quem vai gerir esse volume de recursos?
Mesmo em meio ao turbilhão, a Câmara aprovou em segunda votação o Plano Plurianual (PPA) 2026–2029, que projeta mais de R$ 1 bilhão em investimentos. A votação de um orçamento dessa magnitude, justamente enquanto parlamentares estão presos por suspeitas de desvios, soa como a assinatura de um cheque em branco.
A vereadora Manuela Fernandes da Rocha criticou a carência de investimentos sólidos em áreas essenciais como saúde e educação. Roberto Correa de Andrade reforçou o ataque:
“Na assistência social é palestrinha todo dia e dinheiro saindo pelo ralo.” Diante desse cenário, a dúvida é inevitável: há segurança técnica e política para que esse bilhão seja executado com lisura?
A “raposa no galinheiro”
Também foi aprovada a reorganização do sistema de controle interno, permitindo que controladores sejam livremente nomeados como cargos de confiança. A oposição tratou a medida como um risco concreto à transparência.
“Como é possível fazer transparência nomeando quem vai lhe controlar? É colocar a raposa para cuidar do galinheiro”, criticou Roberto Correa de Andrade.
A aprovação reaviva a suspeita de que a reestruturação não visa eficiência, mas blindagem. Se os controladores devem seus cargos ao prefeito, que autonomia terão para denunciar irregularidades?
O presidente interino, Joílson Rocha de Souza, encerrou a sessão convocando o retorno para 2 de dezembro. Até lá, Formosa do Rio Preto aguarda – entre expectativas e sirenes – se a próxima notícia virá do Diário Oficial ou das viaturas da Draco.
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