
A vice-presidente da Venezuela Delcy Rodríguez, em pronunciamento à nação. Foto: Reprodução/Youtube
Vice-presidente convoca resistência, classifica ação americana como “sequestro” e acusa tentativa de recolonização; Washington confirma operação relâmpago e entrega setor petrolífero a empresas dos EUA
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O governo brasileiro reconheceu, na prática, a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, como autoridade à frente de compromissos de Estado e decisões internas do país, ao confirmar que mantém interlocução institucional com Caracas após o anúncio da captura do presidente Nicolás Maduro pelas forças dos Estados Unidos. Em entrevista coletiva neste sábado (3), o ministro da Defesa, José Múcio, a embaixadora Maria Laura da Rocha e a secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior, afirmaram que a embaixada do Brasil na capital venezuelana acompanha a situação “com atenção permanente” e que, até o momento, não há registro de brasileiros feridos ou impedidos de deixar o país.
A manifestação do governo brasileiro ocorre no mesmo dia em que Delcy Rodríguez fez um pronunciamento público em Caracas, convocando ministros e a população a resistirem a uma possível intervenção norte-americana. A vice-presidente classificou a captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, como um “sequestro” promovido por Washington e afirmou que o presidente “segue sendo o único chefe de Estado legítimo da Venezuela”. Em tom firme, declarou que o país “nunca será colônia de nenhuma nação” e pediu calma à população.
O discurso ocorreu em meio a explosões na capital venezuelana e a sobrevoos de aeronaves militares a baixa altitude, aumentando a tensão política e militar no país. Rodríguez apareceu ao lado do presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, seu irmão, além dos ministros do Interior, da Defesa e das Relações Exteriores, numa sinalização clara de alinhamento entre o núcleo político e o alto escalão do Estado.
Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que os EUA assumiriam interinamente o governo venezuelano até a realização de uma transição política. No mesmo pronunciamento, confirmou que empresas petrolíferas norte-americanas passariam a operar diretamente na Venezuela, sob o argumento de que a indústria havia sido “roubada” pelo regime de Maduro. Trump afirmou ainda que o presidente venezuelano e sua esposa foram capturados em Caracas e levados para Nova York a bordo de um navio de guerra dos EUA.
Segundo o presidente americano, a ação militar durou apenas 47 segundos e foi descrita como a maior operação dos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial, narrativa que contrasta com a ausência de confrontos diretos relatados oficialmente pelas autoridades venezuelanas. Delcy Rodríguez, por sua vez, exigiu prova de vida de Maduro e afirmou que o país se reserva ao direito de legítima defesa, apelando por solidariedade dos governos da América Latina e do Caribe.
Embora não tenha confirmado formalmente que assumiu o governo interinamente, fontes indicam que Delcy Rodríguez teria tomado posse em uma cerimônia reservada, sem transmissão pública. O silêncio oficial sobre a sucessão reforça o cenário de incerteza institucional e disputa de narrativas entre Caracas e Washington.
Em comunicado oficial, o governo venezuelano classificou a ação dos Estados Unidos como “agressão imperialista” e acusou Washington de buscar o controle de recursos estratégicos, com destaque para o petróleo e os minerais. O texto informou ainda que Maduro decretou estado de Comoção Exterior, com o objetivo de proteger a população e as instituições do país.
A escalada atual ocorre após meses de pressão crescente dos Estados Unidos sobre o governo Maduro. Desde agosto de 2025, Washington ampliou recompensas por informações sobre o presidente venezuelano e reforçou sua presença militar no Caribe. Autoridades americanas afirmam que as operações recentes têm como objetivo o combate ao narcotráfico e a derrubada do regime, enquanto Caracas sustenta que se trata de uma intervenção destinada a redesenhar o controle geopolítico e econômico da região.
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