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Após captura unilateral de Maduro, presidente dos EUA insulta Gustavo Petro e sugere intervenção militar; governo colombiano denuncia agressão e violação do direito internacional
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desencadeou uma crise diplomática global neste domingo (4) ao declarar que uma intervenção militar contra a Colômbia “soa bem” em sua avaliação. A afirmação, feita a bordo do Air Force One, ocorre em um contexto de extrema instabilidade regional após a operação militar norte-americana em Caracas, que resultou na captura unilateral e extradição forçada de Nicolás Maduro para Nova York. Ao adotar uma retórica de confronto, Trump desconsiderou protocolos de soberania e atacou diretamente o presidente colombiano Gustavo Petro, a quem chamou de “homem doente”, sinalizando uma perigosa retomada de políticas de força e ingerência externa sobre nações sul-americanas.
A ofensiva verbal de Trump contra a Colômbia utiliza o combate ao narcotráfico como pretexto para desestabilizar o governo progressista de Bogotá. O líder republicano acusou Petro de conivência com a produção de cocaína, ameaçando que tal cenário “não vai continuar por muito tempo” sob sua vigilância. Em resposta imediata nesta segunda-feira (5), Gustavo Petro classificou as declarações como uma “ameaça ilegítima”, denunciando que Washington age movida por interesses políticos e ignora as vias democráticas para impor uma agenda de controle regional.
A postura belicista também atingiu Cuba, evidenciando o custo humano da recente intervenção na Venezuela. Trump admitiu, com desdém pelas vítimas, que cidadãos cubanos foram mortos durante a operação em Caracas sob o pretexto de estarem protegendo Maduro, celebrando o fato de não ter havido baixas entre os soldados norte-americanos. O presidente dos EUA afirmou que a ilha está “prestes a ser nocauteada” devido ao asfixiamento econômico causado pela queda do governo venezuelano, reforçando uma estratégia de cerco que prioriza o colapso interno de nações soberanas em vez da diplomacia.
Enquanto a Casa Branca afirma estar “no comando” da Venezuela, o cenário institucional em Caracas permanece sob tensão. Embora o Tribunal Supremo de Justiça venezuelano tenha nomeado Delcy Rodríguez como presidente interina para tentar garantir a continuidade administrativa por 90 dias, a declaração de Trump de que os EUA assumiram o controle temporário do país afronta a autodeterminação venezuelana. Em Washington, o secretário de Estado, Marco Rubio, tentou moderar o discurso ao negar uma administração direta, mas manteve a política de sanções e a “quarentena do petróleo“, aprofundando o isolamento econômico do país.
O caso agora ganha contornos jurídicos e diplomáticos internacionais. Nicolás Maduro e Cilia Flores devem comparecer nesta tarde ao Tribunal Distrital Federal de Manhattan, sob custódia da DEA, para uma audiência com o juiz Alvin K. Hellerstein. Paralelamente, o Conselho de Segurança da ONU se reúne em caráter de urgência para discutir a legalidade da captura do presidente venezuelano e as ameaças de Trump contra a Colômbia. O episódio marca um retrocesso nas relações hemisféricas, onde a força militar unilateral de uma potência volta a se sobrepor aos tratados internacionais e à paz no continente.
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