
Apesar de ampla maioria a favor da MP, 29 deputados rejeitam proposta; PL responde por mais de 65% dos “não” com postura que intensifica percepção de alinhamento político e afastamento das necessidades sociais reais
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A Câmara dos Deputados aprovou nesta segunda-feira (2) a medida provisória que cria o programa Gás do Povo, destinado a ampliar a assistência às famílias de baixa renda no acesso ao gás de cozinha. Foram 415 votos favoráveis, 29 contrários e duas abstenções.
Embora tenha vencido de forma massiva, a votação revelou uma resistência significativa: um pequeno grupo de parlamentares preferiu negar apoio ao benefício essencial, levantando mais perguntas do que respostas sobre prioridades políticas no Congresso.
PL: o maior opositor interno – e com responsabilidade proporcional
Do total de votos contrários, o Partido Liberal (PL) foi protagonista da rejeição, contabilizando 19 dos 29 votos contra a MP. Isso significa que mais de 65% dos parlamentares que votaram contra o Gás do Povo são do PL – e isso em uma Casa com 513 deputados.
O PL, mesmo sendo a maior bancada individual da Câmara – tendo eleito 99 deputados na legislatura atual — viu parte de seus pares se mobilizar contra uma política social com impacto direto no bolso das famílias brasileiras.
Esse posicionamento expõe um paradoxo: um partido com discurso de proximidade com a “classe produtora” optar por obstaculizar uma política social de redução de despesas básicas, mesmo quando o texto recebeu apoio esmagador da maioria da Casa. Não é apenas uma votação dissidente — é um sinal claro de prioridade política acima de resposta a problemas concretos da população.
Contra a medida: quem votou e de onde são
A rejeição não veio apenas do PL, mas a distribuição por partidos mostra uma oposição marcada e pouco diversificada em termos ideológicos – concentrada em grupos que tradicionalmente resistem a políticas sociais amplas:
Votos contrários por partido
- PL: 19 deputados
- Novo: 5
- União Brasil: 2
- PP: 2
- PSDB: 1
Esse quadro revela que praticamente dois terços dos votos contrários vieram de uma só legenda, reforçando uma narrativa de endurecimento ideológico frente a uma proposta de ampliação de direitos básicos.
Lista dos deputados contrários à MP:
Adriana Ventura (Novo-SP)
Bia Kicis (PL-DF)
Bibo Nunes (PL-RS)
Carlos Jordy (PL-RJ)
Chris Tonietto (PL-RJ)
Daniel Freitas (PL-SC)
Delegado Bilynskyj (PL-SP)
Eros Biondini (PL-MG)
Geovânia de Sá (PSDB-SC)
Gilson Marques (Novo-SC)
Guilherme Derrite (PP-SP)
Julia Zanatta (PL-SC)
Junio Amaral (PL-MG)
Kim Kataguiri (União-SP)
Luiz Lima (Novo-RJ)
Luiz P. O. Bragança (PL-SP)
Marcel van Hattem (Novo-RS)
Marcos Pollon (PL-MS)
Mario Frias (PL-SP)
Mauricio Marcon (PL-RS)
Nikolas Ferreira (PL-MG)
Nicoletti (União-RR)
Ricardo Guidi (PL-SC)
Ricardo Salles (Novo-SP)
Rodolfo Nogueira (PL-MS)
Sanderson (PL-RS)
Sargento Gonçalves (PL-RN)
Tião Medeiros (PP-PR)
Zé Trovão (PL-SC)
Abstenções: Ismael (PSD-SC) e Lincoln Portela (PL-MG).
Essa lista evidencia uma base de resistência que, em vez de priorizar a expansão de acesso a serviços essenciais, escolhe posicionamentos de oposição que ressoam mais com agendas partidárias do que com o impacto social dos eleitores.
O programa e o impacto da rejeição
O Gás do Povo substitui o Auxílio Gás e prevê a entrega gratuita de botijões de 13 kg para famílias de baixa renda cadastradas no CadÚnico, com renda per capita de até meio salário mínimo, priorizando beneficiários do Bolsa Família.
O governo estima que o novo modelo deve alcançar cerca de 15 milhões de famílias — aproximadamente 50 milhões de pessoas — triplicando o público atendido anteriormente.
Em vez de debater melhorias pontuais ou ajustes técnicos, a postura de rejeição de uma parte expressiva do PL expõe uma crítica política: negociatas partidárias e resistência ideológica não deveriam prevalecer sobre políticas que aliviam o custo de vida das pessoas mais vulneráveis.
Conclusão crítica
Não foi apenas um voto contra uma medida provisória. Foi um voto contra uma política que, na prática, visa aliviar o orçamento doméstico de milhões de famílias. A atuação majoritária do PL nesse bloco de resistência levanta questões duras sobre prioridades e representatividade: políticos que votam contra benefícios sociais amplos estão atendendo interesses políticos ou defendendo os direitos concretos dos cidadãos que os elegeram?
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