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Ao seguir a linha de isolamento de Zito Barbosa e evitar o diálogo federativo, Otoniel Teixeira faz com que a Capital do Oeste entre em situação cada vez pior, cheia de dívidas. A LOA de 2026 mostra que o município está tecnicamente falido e agora depende de empréstimos bancários de forma preocupante
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 de Barreiras é mais do que um documento contábil. Ela funciona, na prática, como uma confissão de insolvência. O prefeito Otoniel Teixeira, ao seguir fielmente a cartilha de seu padrinho político, Zito Barbosa, selou um destino sombrio para a cidade: o isolamento institucional.
Ao se recusar a buscar diálogo com o Governo do Estado e com a União em busca de convênios a fundo perdido ou financiamentos estruturantes, a gestão opta por outro caminho. Prefere a chamada “escravidão financeira”, baseada em empréstimos bancários sucessivos. O resultado é uma prefeitura que trabalha para os bancos, e não para o povo.
Para que o leitor do Portal Caso de Política compreenda a dimensão do problema, é necessário explicar o conceito de “bola de neve” no setor público. Esse fenômeno ocorre quando um governante contrata novos empréstimos para pagar parcelas de dívidas antigas. Em termos simples, é como usar um cartão de crédito novo para quitar a fatura do anterior.
Em Barreiras, essa bola de neve atingiu um estágio crítico. A prefeitura paga juros sobre juros. O dinheiro arrecadado em impostos não se transforma em investimentos na eudcação, medicamentos, asfalto ou serviços públicos. Ele é drenado pelo chamado Serviço da Dívida. À medida que os juros se acumulam, o estoque da dívida cresce mais rápido do que a arrecadação municipal. Assim, o colapso deixa de ser hipótese e passa a ser questão de tempo.
A matemática da ilusão: o golpe dos R$ 140 milhões
A gestão municipal tenta vender a narrativa de que o pedido de R$ 140 milhões em empréstimos à Câmara Municipal tem como objetivo ampliar os investimentos. No entanto, os documentos oficiais desmontam essa versão.
Na página 102 (Código 843) e na página 150 da LOA 2026, está registrado um compromisso inadiável: Barreiras precisa pagar R$ 105.912.630,00 em 2026, referentes à amortização e aos juros de dívidas já contraídas.
Nesse cenário, mesmo que o prefeito consiga autorização do Legislativo para elevar a dívida pública em mais R$ 140 milhões, o destino do dinheiro é claro. Cerca de 75,6% desse valor será usado apenas para quitar débitos antigos. Na prática, o saldo real de recursos “novos” não passa de R$ 34,1 milhões.
A conta que não fecha
A própria prefeitura detalha na LOA os compromissos de investimento previstos para 2026 (página 20):
– Conclusão do Hospital Municipal: R$ 10 milhões
– Infraestrutura urbana: R$ 60 milhões
O total necessário é de R$ 70 milhões.
No entanto, como o saldo efetivo do empréstimo é de apenas R$ 34,1 milhões, já existe um rombo de R$ 35,9 milhões logo no primeiro dia de janeiro de 2026. Ou seja, mesmo com a aprovação do empréstimo, o prefeito não dispõe de recursos suficientes para cumprir o que ele próprio colocou no papel.
O crime do isolamento político: o hospital como refém

Obras do futuro Hospital Municipal: empreendimento que já pode ter consumido cerca de R$ 80 milhões caminha para um modelo de Parceria Público-Privada (PPP), com investidores do mercado financeiro ligados à B3, enquanto a prefeitura mantém distância de alternativas de cooperação com Estado e União. Foto: DIRCON Barreiras
O caso mais emblemático da irresponsabilidade administrativa é o Hospital Municipal Edsonnina Neves de Souza, obra que já pode ter consumido R$ 80 milhões. Enquanto cidades do mesmo porte buscam parcerias para transformar suas unidades em Hospitais Universitários (HUs), onde a União assume custos de pessoal e manutenção, Barreiras insiste em carregar esse sozinha o fardo desse grande e pesado elefante branco.
Essa recusa em dialogar com o Governo da Bahia e com o Governo Federal, motivada por uma “birra política” herdada de Zito Barbosa, tem preço e consequências elevadas. A prefeitura gasta milhões em custeio que poderiam ser assumidos pelo SUS ou pelo Ministério da Educação, por meio da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH). Em vez de buscar esse caminho, Otoniel Teixeira opta por endividar ainda mais o contribuinte. O instrumento escolhido é o FINISA, da Caixa Econômica Federal, que opera com juros de mercado. Trata-se de uma gestão que privilegia o lucro dos bancos, em detrimento do alívio do caixa municipal.
Documentando o caos: risco de atraso salarial e calote
A LOA 2026 expõe as vísceras de uma prefeitura operando no limite. A despesa com pessoal está fixada em R$ 506.382.580,00 (página 10). Esse valor transforma o fluxo de caixa em uma verdadeira corda bamba.
Caso o empréstimo de R$ 140 milhões não seja liberado a tempo – ou seja simplesmente negado -, a prefeitura terá de retirar R$ 105,9 milhões de outras fontes para honrar as parcelas bancárias. Esses débitos são automáticos e obrigatórios. O ajuste ocorrerá nos chamados “Restos a Pagar”.
Na prática, empresas responsáveis pela merenda escolar, limpeza urbana, saúde e obras públicas deixarão de receber. O resultado imediato é a paralisação de serviços essenciais. Tecnicamente, trata-se de “Restos a Pagar sem Disponibilidade Financeira”. Em linguagem direta: calote.
Com o caixa drenado para pagar bancos, o pagamento do 13º salário e do terço de férias entra em zona de risco máximo. Qualquer frustração na arrecadação do ICMS ou do FPM pode resultar em atraso salarial. O servidor público de Barreiras, de todas as categorias, passa a garantir com o próprio salário – e suor -, o pagamento das dívidas acumuladas – principalmente – ao longo dos últimos oito anos.
Veredito: a aprovação do empréstimo não salva Barreiras
É essencial que a população e o Legislativo compreendam um ponto central. A autorização dos R$ 140 milhões não resolve o problema estrutural. Ela apenas adia o desastre.
Barreiras entrou em um ciclo de dependência de crédito. A cidade já não consegue se sustentar com o que arrecada, pois a “herança maldita” do endividamento descontrolado consome sua capacidade de investimento. Ao manter o muro erguido contra o Estado e a União, Otoniel Teixeira condena o município a viver de aparência, sustentado por boletos bancários que serão pagos pelas próximas gerações.
O orçamento de 2026 é um castelo de cartas. Se o empréstimo não vier, o governo pode parar. Se vier, a dívida pode dobrar e a bola de neve vira avalanche. Não há saída honrosa sem austeridade, transparência e, sobretudo, o fim do isolacionismo político que transformou a prefeitura em um balcão de negócios bancários.
Dados oficiais extraídos da LOA 2026 – Município de Barreiras/BA
– Encargos gerais/dívida (páginas 102 e 150): R$ 105.912.630,00
– Despesa de pessoal (página 10): R$ 506.382.580,00
– Investimentos fixados (página 10): R$ 143.772.060,40
– Receita de operações de crédito (página 2): R$ 70.000.000,00
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