
Sindicato dá ultimato ao Executivo e marca 25 de fevereiro como início de greve caso não haja diálogo; evasão de 70% dos concursados e problemas estruturais agravam crise na educação pública
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A educação pública de Barreiras caminha para uma paralisação sem precedentes. Nesta sexta-feira (06/02), o Sindicato dos Professores, Professoras e Especialistas em Educação do Município de Barreiras (SINPROFE) protocolou Ofício cobrando oficialmente uma audiência até o dia 20 de fevereiro. Caso a Prefeitura permaneça em silêncio, a categoria deliberou pela suspensão total das atividades a partir de 25 de fevereiro.
Fuga de talentos e desvalorização
O indicador mais crítico da crise não aparece apenas nas contas públicas, mas nos quadros da própria rede: cerca de 70% dos aprovados no concurso de 2023 já deixaram o cargo. Para o sindicato, Barreiras tornou-se uma “cidade de passagem” para o magistério, onde docentes, mesmo com especialização ou doutorado, recebem apenas o piso salarial, sem a incorporação de progressões previstas na Lei nº 768/2007. O resultado é um fenômeno de empobrecimento funcional, tornando o exercício da profissão economicamente insustentável.
Assédio Moral
Além do impacto financeiro, o SINPROFE registra um ambiente de trabalho marcado por assédio moral, vigilância constante e pressão para assinatura de documentos que mascaram a realidade das unidades escolares. Também há relatos de alterações não autorizadas em notas e frequências, comprometendo a autonomia docente e a credibilidade do sistema educacional.
O sindicato aponta ainda que o sistema tecnológico utilizado, EducaNet, contribui para o adoecimento físico e mental de professores, sendo operado em muitos casos em equipamentos pessoais, já que a Prefeitura não disponibiliza infraestrutura adequada.
Escolas com aparência de novas, problemas antigos
A narrativa oficial de modernização contrasta com o diagnóstico da categoria. Infiltrações em prédios recém-inaugurados, fiação elétrica exposta, mobiliário deteriorado e paredes em más condições revelam a precariedade das unidades.
“O que vivenciamos é a precarização deliberada. Não é só falta de dinheiro, é falta de prioridade política. Temos escolas que, esteticamente, parecem novas, mas oferecem risco iminente aos alunos e profissionais”, alerta a tesoureira do SINPROFE, Ana Maria Vieira.
Bastidores políticos
Nos bastidores, a leitura é que a Prefeitura aposta no desgaste da categoria. A presidenta do SINPROFE, Maria Aparecida Pessoa, elevou o tom, transformando a pauta trabalhista em um debate de gestão pública:
“Não é apenas salário. Quando 70% dos novos concursados vão embora, o futuro da cidade está sendo comprometido por decisões políticas equivocadas.”
Cronograma da crise
- 20/02: Data limite para a Prefeitura agendar a audiência.
- 23/02: Mobilização direta com pais e comunidade escolar para expor a crise.
- 25/02: Deflagração da suspensão das atividades.
O movimento coloca o conflito no centro da opinião pública, forçando o Executivo a optar entre diálogo imediato ou enfrentar o desgaste político de uma greve que promete expor as entranhas da educação barreirense.
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