Punhalada jurídica: Zito Barbosa aciona TJBA para inviabilizar reeleição de Yure Ramon
Líder do União Brasil tenta anular emenda que garante continuidade do aliado na Presidência; gesto ignora lealdade de Yure, que sustentava Zito para Federal sob forte pressão.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O ex-prefeito Zito Barbosa, atual presidente do União Brasil em Barreiras, selou o rompimento definitivo com seu mais fiel aliado ao levar para o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) uma ação para derrubar a regra que permite a reeleição de Yure Ramon na Câmara Municipal.
A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), que questiona o rito de aprovação da Emenda nº 14/2025, atinge diretamente o plano de recondução de Yure no comando da Casa. O movimento é lido como uma “queima de pontes”: Zito tenta implodir a base jurídica de quem, até ontem, servia de escudo para suas pretensões de chegar à Câmara Federal.
A manobra de Zito carrega um traço de ironia amarga. Yure Ramon vinha resistindo a uma pressão hercúlea de aliados e de seu próprio conselho político para abandonar o barco do ex-prefeito. Enquanto era cobrado para romper, o presidente da Câmara mantinha o peito aberto na defesa do nome de Zito.
Agora, a retribuição do líder do União Brasil vem em forma de processo, tentando retirar o “tapete legal” de Yure no momento em que o vereador consolidou sua liderança sobre a maioria parlamentar – um feito que o atual prefeito, Otoniel Teixeira, não conseguiu por pura inabilidade política.
O isolamento do “Zitismo” e a liberdade de Yure
Ao tentar inviabilizar a reeleição da Mesa Diretora, Zito Barbosa parece ter cometido um erro de cálculo histórico. O ex-prefeito age como o arquiteto que decide remover as vigas de sustentação do próprio teto: ao atacar Yure, ele perde o último grande interlocutor capaz de dialogar com a maioria independente da Câmara.
Sem a maioria, e agora sem o apoio do grupo de Yure, o governo Otoniel fica ainda mais exposto, e Zito, cada vez mais isolado em sua estratégia de litígio.
A peça jurídica protocolada pelos advogados do União Brasil foca no intervalo de dez dias entre as votações, mas o conteúdo político é muito mais denso. É o uso do Judiciário para tentar frear a ascensão de uma liderança que ganhou luz própria.
Para Yure Ramon, o processo no TJBA funciona como um “alvará de soltura” político. Se o vereador sofria o desgaste de carregar a bandeira de Zito sob fogo cruzado, o ataque sofrido limpa o terreno para que ele siga as orientações de sua base, agora livre de qualquer compromisso de fidelidade com quem preferiu o confronto à gratidão.
Cenário de ruptura
O caso agora está sob a relatoria da desembargadora Nágila Maria Sales Brito. Enquanto o TJBA analisa se o rito legislativo foi cumprido, o tabuleiro de Barreiras já deu seu veredito: o rompimento está selado. Yure Ramon, que antes era o mediador, agora se posiciona como o alvo de uma estratégia que pode custar caro a Zito Barbosa. Na política de Barreiras, o gesto do ex-prefeito será lembrado como o dia em que ele tentou abater o próprio aliado que guardava a sua retaguarda.
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