Trump diz que não tomou partido na eleição brasileira a pedido de Lula e afirma que vai conversar com o petista
Presidente dos Estados Unidos diz ter respeitado solicitação do brasileiro para não interferir na disputa, mas volta a questionar o processo eleitoral sem apresentar provas de fraude.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Donald Trump afirmou nesta quinta-feira (29) que decidiu não interferir na eleição presidencial brasileira a pedido de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Embora tenha declarado que respeitou a solicitação do presidente brasileiro, o norte-americano voltou a atacar o processo eleitoral que terminou com a reeleição de Lula diante de Flávio Bolsonaro (PL), classificando o resultado como uma “vergonha” para o Brasil.
Ao comentar o pleito, Trump procurou apresentar sua postura como uma decisão de não tomar partido na disputa. “Eu acompanhei a eleição. Não tomei partido. Deixei acontecer”, declarou. Em seguida, atribuiu ao próprio Lula a iniciativa de pedir que Washington permanecesse distante da disputa. “O atual presidente me pediu para não tomar partido. Eu não tomei partido”, afirmou.
A declaração, entretanto, veio acompanhada de novas críticas ao resultado eleitoral. Apesar de dizer que não interferiu na disputa, Trump voltou a questionar a legitimidade do processo, sem apresentar elementos que sustentassem suas afirmações.
“Quando vi o que aconteceu no Brasil, foi uma desgraça”, declarou o presidente americano.
O resultado oficial da eleição registrou 64.256.232 votos para Lula, correspondentes a 51,79% dos votos válidos, contra 59.826.041 votos de Flávio Bolsonaro, que obteve 48,21%. A diferença foi de 4.430.191 votos.
A crítica de Trump ganha dimensão diplomática porque parte do chefe de Estado da maior potência econômica e militar do mundo e tem como alvo uma eleição cujo resultado foi oficialmente proclamado no Brasil. Até o momento da declaração, o presidente americano não apresentou provas de fraude ou manipulação que justificassem suas insinuações.
Trump já havia questionado o resultado
A manifestação desta quinta-feira não foi a primeira vez que Trump colocou em dúvida a eleição brasileira. Na segunda-feira (26), dois dias antes da nova declaração, o republicano afirmou que o pleito lhe parecia “fraudada”, novamente sem apresentar evidências para sustentar a acusação.
Ao mesmo tempo em que questiona o processo eleitoral, Trump procura preservar o discurso de proximidade com Lula. O presidente americano afirmou manter uma boa relação pessoal com o brasileiro e manifestou disposição para conversar com ele.
“Eu vou falar com ele”, afirmou nesta quinta-feira.
A sucessão de declarações expõe uma contradição no discurso de Trump: ele afirma ter atendido ao pedido de Lula para não tomar partido, mas continua emitindo avaliações negativas sobre a eleição que garantiu ao petista mais um mandato. A disposição para o diálogo, por sua vez, não impediu que o republicano voltasse a lançar dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro.
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