Decisão suspende liminar que barrava ações discriminatórias do ICE na Califórnia e escancara o respaldo institucional à política migratória racializada do presidente norte-americano
Decisão judicial escancara política migratória racializada nos EUA
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Em mais um capítulo da escalada autoritária do governo Trump, a Suprema Corte dos Estados Unidos autorizou, nesta segunda-feira (8), a continuidade de detenções de imigrantes com base em critérios como raça e idioma. A medida suspende temporariamente a liminar da juíza federal Maame Frimpong, de Los Angeles, que impedia agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) de abordar pessoas sem “suspeita razoável”, como falar espanhol ou inglês com sotaque.
A decisão, tomada por uma maioria conservadora de 6 a 3, representa um duro golpe contra os direitos civis e reforça o aparato institucional que sustenta práticas discriminatórias sob o pretexto de segurança nacional. A liminar suspensa abrangia o sul da Califórnia, região com forte presença latina, e havia sido fundamentada na Quarta Emenda da Constituição dos EUA, que protege contra buscas e apreensões arbitrárias.
Casos de abuso e repressão
O caso teve origem em uma ação coletiva movida por cidadãos latinos, entre eles Jason Gavidia, que relatou ter sido agredido por agentes federais mesmo sendo cidadão norte-americano. “Indivíduos de pele morena são abordados ou afastados por agentes federais não identificados, de repente e com uma demonstração de força”, afirmaram os demandantes no processo.
O Departamento de Justiça, em sua defesa, alegou que fatores como idioma ou ocupação — por exemplo, trabalhar na construção civil — podem ser considerados legítimos para intensificar a fiscalização migratória. A Suprema Corte, alinhada ao discurso do presidente, acatou o argumento, permitindo que tais abordagens continuem.
Operações em larga escala e repressão laboral
A decisão coincide com a intensificação das operações migratórias em diversos estados. Na quinta-feira (4), o ICE realizou uma megaoperação em uma fábrica da Hyundai, na Geórgia, prendendo 475 trabalhadores sob alegação de irregularidades nos vistos. Segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS), alguns tentaram fugir e foram resgatados de um lago de esgoto próximo à instalação — uma imagem que ilustra, com crueza, o desespero provocado pela política migratória vigente.
A ação foi descrita como a maior fiscalização em um único local na história do DHS, provocando interrupções na produção da fábrica, um dos maiores investimentos da Hyundai nos EUA. O Partido Democrata da Geórgia classificou a operação como “tática de intimidação politicamente motivada”, voltada a “aterrorizar pessoas que trabalham duro e contribuem para a economia local”.
🇺🇸‼️ | ÚLTIMA HORA — ICE realiza la mayor operación en la historia del DHS con la detención de más de 450 inmigrantes ilegales en una redada laboral en una planta de baterías de Hyundai en Georgia. pic.twitter.com/KydoQcAS0s
— UHN Plus (@UHN_Plus) September 5, 2025
Trump e o discurso da exclusão
Durante coletiva no Salão Oval, o presidente Donald Trump defendeu as ações, chamando os detidos de “imigrantes ilegais” e afirmando que as autoridades estavam “fazendo seu trabalho”. A porta-voz da Casa Branca, Abigail Jackson, reforçou que o governo continuará aplicando as leis federais de imigração para “proteger a economia” e garantir “igualdade de condições para empresas que cumprem a lei”.
A retórica oficial ignora deliberadamente os impactos humanos e sociais das operações, tratando trabalhadores como peças descartáveis em nome de uma suposta ordem econômica. A política migratória de Trump, respaldada agora pela mais alta corte do país, revela um projeto de exclusão sistemática, onde o idioma e a cor da pele voltam a ser critérios de suspeição — como em tempos que a história insiste em não esquecer.
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