
Moradores do campo lotam a Câmara Municipal e exigem soluções para problemas de infraestrutura, saúde e agricultura familiar. Vereador João Felipe critica omissão do poder público e promete encaminhar atas ao Ministério Público
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Em uma noite marcada pela mobilização popular, a Câmara de Barreiras sediou uma audiência pública que se tornou um marco para as comunidades rurais. O encontro, proposto pelo vereador João Felipe, em parceria com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais e associações de agricultores familiares, reuniu dezenas de lideranças, moradores, vereadores e secretários municipais para debater a “Atual Situação das Comunidades Rurais de Barreiras”.

O presidente da Câmara, Yure Ramon, destacou a importância da participação popular na audiência pública, afirmando que o Legislativo é a casa do povo e que as comunidades rurais vivem um momento histórico ao terem voz e vez no plenário
O presidente da Câmara, Yure Ramon, ressaltou que o Legislativo é espaço do povo e que a presença dos moradores reforça a legitimidade das pautas debatidas.
“É um momento histórico para as comunidades rurais, que pela primeira vez têm voz e vez nesta Casa”, afirmou.

O vereador João Felipe, autor da audiência pública, cobrou ações efetivas do poder público e criticou a falta de respostas às demandas do campo, afirmando que “chega de ouvir as mesmas desculpas” e que as atas serão enviadas ao Ministério Público e demais órgãos competentes
O propositor João Felipe, por sua vez, lamentou a ausência de alguns parlamentares e criticou a falta de respostas concretas do poder público.
“Chega de ouvir as mesmas desculpas. Nós precisamos de soluções, e soluções rápidas”, declarou, ao garantir que as atas do evento serão encaminhadas ao Ministério Público e demais órgãos competentes.
As demandas apresentadas expuseram o abandono de serviços básicos no campo. Agricultores cobraram melhorias em estradas vicinais, pontes, coleta de lixo e iluminação, além de apoio técnico e tecnológico à produção. O secretário de Agricultura, Joaquim Neto, destacou os treinamentos realizados e a busca por soluções de conectividade, como o projeto de internet gratuita no meio rural.
Já Orlando Bispo, da Cooperativa de Produtores de Leite do Oeste da Bahia, criticou a falta de incentivo:
“Precisamos de apoio, porque no momento não há nenhum”.
A carência em infraestrutura e saúde pública foi um dos pontos mais sensíveis. O secretário de Infraestrutura, Bruno Castro, ouviu relatos sobre pontes caídas, erosões e falta de iluminação. Moradores da comunidade de Palmeiras reivindicaram a instalação de 28 braços de luz. No Barrocão de Baixo, José Mariano cobrou a reconstrução de uma ponte destruída há três anos, enquanto outros pediram alteração no dia da coleta de lixo.
Na saúde, a representante da pasta, Janaína dos Santos Queiroz, ouviu duras críticas pela ausência de atendimento médico e exames. Juliano Avelar, da comunidade de Água Vermelha, questionou a inoperância da Secretaria de Agricultura:
“Se existe secretaria, nossa associação está off”. Sandra Inês, da Associação de Produtores Rurais Gonçalo Branco, denunciou a falta de agentes comunitários de saúde e pediu o retorno das unidades móveis.
Elisnaide, da Associação Rio de Pedras, relatou que gestantes precisam esperar ônibus à beira da BR-242 para fazer o pré-natal.
A audiência também abordou regularização fundiária, expansão do perímetro urbano, kits produtivos, implantação do Serviço de Inspeção Municipal (SIM) e agilidade nos cadastros do INCRA. Representando o órgão, Sheldon defendeu maior integração entre o município e os produtores.

A vereadora Delma Pedra defendeu a criação de um Plano Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável e destacou que as comunidades do campo devem ser vistas como parte essencial da cidade, não como um apêndice distante. “Não é favor, é direito”, afirmou, ao propor que o plano seja incluído no orçamento municipal
Entre os vereadores, Rider Castro reforçou o compromisso com as comunidades, enquanto Delmah Pedra propôs a criação de um Plano Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável, com previsão orçamentária.
“Não é favor, é direito”, afirmou Delmah.
João Felipe encerrou o encontro prometendo continuidade às discussões.
“O povo rural precisa ser ouvido com respeito. Não aceitaremos mais desculpas – queremos ação.”
O evento consolidou um momento raro de convergência entre poder público e sociedade civil, mas também expôs o abismo entre o discurso oficial e a realidade do campo. Resta saber se o eco das vozes que lotaram o plenário se transformará, enfim, em políticas permanentes.
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