Ação autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF, apura fraudes, desvio de emendas parlamentares e lavagem de dinheiro. Em Barreiras, o “Rei do Lixo” segue entre os principais alvos de investigação
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A Polícia Federal (PF), em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou, no dia 16 de outubro de 2025, a sétima fase da Operação Overclean, com o objetivo de aprofundar as apurações sobre esquemas de desvio de recursos públicos, fraudes licitatórias e lavagem de dinheiro envolvendo prefeituras baianas.
A operação foi autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do inquérito que tramita sob sigilo na Corte. A ação contou com apoio da Procuradoria-Geral da República (PGR) e cumpriu mandados de busca e apreensão na Bahia e no Rio de Janeiro.
Segundo informações do G1, as investigações indicam que os investigados direcionavam licitações, superfaturavam contratos e desviavam recursos de emendas parlamentares. Parte do montante seria posteriormente lavado por meio de empresas de fachada e transações imobiliárias de alto valor.
A apuração teve início em 2023 e, ao longo das sete fases, revelou um complexo esquema que envolve empresários, servidores públicos e agentes políticos, com ramificações em diversos municípios baianos.
Barreiras: foco das apurações e o “Rei do Lixo”
Em Barreiras, a operação teve desdobramentos em fases anteriores, quando o empresário conhecido como “Rei do Lixo” tornou-se um dos principais alvos da PF. Ele é suspeito de comandar um esquema de contratos milionários de coleta e destinação de resíduos, que teriam beneficiado administrações municipais e financiado campanhas políticas.
De acordo com reportagem publicada, o empresário acumulou contratos superiores a R$ 150 milhões apenas em Barreiras, e é investigado por supostos repasses identificados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) a políticos baianos, conforme noticiado também em Operação Overclean: Coaf aponta repasses do ‘Rei do Lixo’ a deputado Paulo Magalhães.
Em outra frente, investigações reveladas apontam que os contratos de limpeza pública e coleta de resíduos em Barreiras e Eunápolis somam mais de R$ 200 milhões, envolvendo empresas com ligações diretas com o grupo empresarial investigado.
Os contratos, firmados durante as gestões anteriores, permanecem sob análise da PF e da CGU, que identificaram movimentações financeiras incompatíveis, ausência de licitação regular e indícios de lavagem de dinheiro.
Operação Intercessor: novos desdobramentos em Barreiras e outras cidades
Na sequência das investigações, a PF e a CGU deflagraram em 23 de outubro de 2025 a Operação Intercessor, que apura desvios e lavagem de R$ 12 milhões em Barreiras, Poções, Encruzilhada e Vitória da Conquista.
A ação investiga prefeitos e ex-gestores por fraudes em contratos custeados com recursos do Fundeb, SUS e FNAS.
Durante o período investigado (2021–2023), quando Barreiras era administrada por Zito Barbosa (União Brasil), os órgãos federais apuram irregularidades em contratos de terceirização de mão de obra, ausência de estudos técnicos, pesquisas de preços fictícias e superfaturamento.
O esquema criminoso, segundo a CGU, operava por meio de empresas de fachada, intermediação de familiares e movimentações bancárias atípicas, com parte dos valores sendo usados para aquisição de bens e ocultação patrimonial.
Os crimes investigados incluem organização criminosa, peculato, fraude à licitação, lavagem de dinheiro e infrações trabalhistas. Mais detalhes estão disponíveis na reportagem do Caso de Política.
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