Uso de tecnologia de assentamento mecanizado permite avanço de até 1,5 km de trilhos por dia no trecho baiano; ferrovia conectará o Porto Sul à malha nacional em Goiás e ao projeto do Corredor Bioceânico
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – As obras do Lote 1F da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL I), que liga Ilhéus a Caetité, na Bahia, entraram em fase decisiva em janeiro de 2026. Sob execução do Consórcio TCR-10 – liderado pela chinesa China Railway No. 10 Engineering Group (CREC-10), em parceria com a brasileira Tiisa – o projeto adota métodos de alta produtividade para assegurar a entrega da infraestrutura e o início da operação comercial em 2027. O empreendimento é estratégico para a logística da mineradora BAMIN, detentora da concessão.
Tecnologia e Velocidade de Construção
Em contraste com métodos convencionais, a CREC-10 implementou o assentamento mecanizado de trilhos, técnica na qual máquinas de grande porte, como as da série CPG, realizam simultaneamente a montagem de dormentes e trilhos. Enquanto a média histórica brasileira registra apenas algumas centenas de metros por dia, o padrão técnico aplicado na FIOL I permite uma progressão entre 1 km e 1,5 km de linha férrea diariamente. A ferrovia utiliza bitola larga (1,60 m), projetada para suportar trens de carga pesada com elevada eficiência energética, com rampas máximas de apenas 0,6%.
Conexões Estratégicas e o novo eixo Mara Rosa (GO)
A FIOL I possui 537 quilômetros de extensão. Em sua etapa completa (FIOL III), o traçado foi otimizado para alcançar Mara Rosa (GO), em vez de Figueirópolis (TO). Essa mudança é fundamental porque permite a conexão direta com a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO), criando um corredor ininterrupto sem a necessidade de pagar direitos de passagem adicionais em outros trechos da Ferrovia Norte-Sul.
- Integração Nacional: A conexão em Goiás permitirá que a carga produzida na Bahia acesse o coração do agronegócio no Mato Grosso, e vice-versa, consolidando o Porto Sul, em Ilhéus, como uma das principais saídas de exportação do país.
- Rota Internacional (Pacífico): O projeto é o braço leste do Corredor Bioceânico. Por meio da junção FIOL-FICO, a malha se estenderá até a fronteira com o Peru, visando o acesso ao Porto de Chancay, no Pacífico. Esta rota estratégica reduzirá significativamente o tempo de viagem das mercadorias brasileiras rumo ao mercado chinês.
Impacto Econômico
Com investimento estimado em R$ 20 bilhões (somando ferrovia e o complexo portuário), a FIOL terá capacidade para transportar até 60 milhões de toneladas de carga por ano. O foco inicial será o escoamento do minério de ferro da mina Pedra de Ferro, em Caetité, mas a infraestrutura também atenderá plenamente grãos, farelos e manufaturados, consolidando um novo eixo de desenvolvimento econômico e industrial no interior da Bahia.
Fontes de Informação:
BAMIN (Projetos Integrados): https://www.bamin.com.br/projeto-integrado/
Infra S.A. (Ministério dos Transportes): https://www.infrasa.gov.br/ferrovias/fiol
Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT): https://www.gov.br/antt/pt-br
China Railway No.10 Engineering Group (CREC-10): http://www.crec10.com/
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