
Silêncio da artilharia e captura de 47 segundos expõem acordo para manter cúpula militar e Delcy Rodríguez no comando; Trump ignora oposição, ameaça o México e isola investimentos da China
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A captura de Nicolás Maduro pelas forças especiais dos EUA, em uma operação de apenas 47 segundos na madrugada deste sábado (03), é o ápice de um movimento tático que nossa análise aponta como uma entrega coordenada. Enquanto Maduro e sua esposa, Cilia Flores, são levados para responder por narcotráfico em Nova York, a estrutura de poder em Caracas permanece intacta. A vice-presidente Delcy Rodríguez segue no comando administrativo e os generais da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) – que controlam a economia do país – não foram depostos. O cenário sugere que Maduro foi o “peão sacrificado” para garantir a sobrevivência da elite militar sob um novo protetorado americano.
A análise da Inação: O preço do silêncio
O sucesso da “Operação Determinação Absoluta” levanta uma questão central: como 150 aeronaves e helicópteros em voo baixo invadiram a capital sem um único disparo da defesa aérea venezuelana? Nossa análise indica que a inoperabilidade não foi técnica, mas política. Com uma recompensa de US$ 50 milhões em jogo e o controle de setores estratégicos a preservar, o alto comando militar parece ter optado por uma traição deliberada. Ao permitir a extração de Maduro, os generais garantiram que os EUA não precisassem de uma invasão terrestre total, mantendo a junta militar no comando real do país enquanto Washington assume a gestão do petróleo.
O descarte da oposição e o fator petróleo
Donald Trump já deixou claro que a democracia é um objetivo secundário. Em Mar-a-Lago, o presidente americano descartou María Corina Machado, alegando falta de “respeito interno” da líder opositora. Ao mesmo tempo, confirmou que negocia os próximos passos diretamente com a vice-presidente de Maduro, Delcy Rodríguez. O foco é pragmático: Washington assumirá a administração provisória para que petroleiras americanas recuperem a infraestrutura e explorem as maiores reservas do mundo, revertendo décadas de estatização sem a necessidade de um governo civil instável.
México e Brasil na encruzilhada
O impacto regional é imediato e agressivo. Trump já sinalizou que o México é o próximo alvo, afirmando que a presidente Claudia Sheinbaum “não tem poder” sobre os cartéis e sugerindo uma intervenção similar. No Brasil, o presidente Lula condenou a ação como um “assalto à soberania”, mas nossa análise destaca que sua retórica é enfraquecida por contradições anteriores. Ao ter defendido “esferas de influência” no caso da invasão russa à Ucrânia, Lula agora vê os EUA aplicando a mesma lógica no Caribe, dificultando uma condenação internacional coesa.
A derrota financeira da China
Para a China, a queda de Maduro representa um prejuízo de US$ 60 bilhões em dívidas acumuladas. Pequim perde seu principal aliado político na América Latina e vê a “Doutrina Donroe” de Trump expulsar o capital asiático do setor petrolífero venezuelano. Embora a China utilize o episódio para desgastar a imagem dos EUA como agressor imperialista, na prática, Washington recuperou a hegemonia total sobre o Hemisfério Ocidental, deixando as potências do Sul Global sem margem de manobra militar ou diplomática.
Um novo modelo de intervenção
Diferente das guerras longas no Oriente Médio, a estratégia na Venezuela parece ser a da “intervenção cirúrgica com manutenção do sistema”. Maduro e Flores saem de cena para enfrentar tribunais, mas o generalato – a verdadeira base da ditadura – permanece operando a economia e a segurança, agora sob supervisão direta dos Estados Unidos. A “libertação” venezuelana, até aqui, desenha-se mais como uma troca de gerência do que como uma revolução democrática.
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