
Com base em dados compilados pelo Portal Caso de Política, a vereadora de Barreiras aponta que o avanço da rede de proteção regional decorre tanto do fortalecimento das estruturas estatais quanto da crescente disposição das vítimas em acionar o sistema de justiça
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A vereadora de Barreiras, Delmah Pedra, analisou nesta quinta-feira (8) a consolidação do Oeste baiano como um “Cinturão de Segurança” para as mulheres, à luz de um levantamento exclusivo do Portal Caso de Política junto à Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA). O registro de apenas sete feminicídios entre janeiro e novembro de 2025 – 7,3% do total estadual – é interpretado por ela não como dado isolado, mas como sinal de um novo arranjo institucional capaz de responder de forma mais rápida e precisa às situações de risco.
Para Delmah Pedra – que atua na interseção entre política, educação e assistência social – os indicadores revelam uma mudança qualitativa na forma como o Estado e as vítimas interagem.
Segundo ela, o aumento das notificações de ameaças e lesões corporais não expressa necessariamente maior incidência de violência, mas maior capacidade de tornar visível aquilo que antes permanecia oculto pela vergonha, pelo medo ou pela descrença nas instituições.
“A segurança da mulher no Oeste avançou porque o Estado se fez presente, mas principalmente porque as mulheres estão perdendo o medo de buscar ajuda”, sintetizou.
Uma leitura sobre o comportamento das vítimas e do agressor
A vereadora observa que a dinâmica da violência de gênero envolve escalada, recorrência e adaptação. A princípio, o silêncio da vítima funciona como combustível para a progressão do agressor. Romper esse silêncio – e registrar cada transgressão – desencadeia uma reação estatal que interrompe a escalada.
Fundadora de instituições de acolhimento como o Abrigo Mãe e o Instituto Nova Vida, Delmah usou sua experiência prática para reforçar essa lógica:
“Quando você registra uma ameaça, você não está apenas documentando um fato: está travando o mecanismo que permitiria que um crime fatal ocorresse amanhã.”
A parlamentar destacou ainda que, no contexto atual, mesmo formas de assédio antes consideradas “invisíveis” – como mensagens enviadas por meios digitais atípicos ou contas bancárias – passaram a ser tratadas como evidência válida de descumprimento de medida judicial.
“O agressor se alimenta do silêncio e da sensação de controle. Mas hoje, no Oeste, nada disso passa despercebido. A tecnologia trabalha a favor da vítima.”
Um cenário de reforço institucional
A fala de Delmah ocorre no mesmo dia em que um homem de 28 anos foi preso preventivamente em Luís Eduardo Magalhães por sucessivas violações de medidas protetivas. O caso ilustra, para ela, uma engrenagem que vem se tornando mais eficiente: a vítima denuncia, a polícia documenta, o Estado reage e, quando necessário, a Justiça intervém com prisão preventiva.
O levantamento indica que essa reação mais célere não é episódica, mas resultado direto de investimentos estruturantes realizados pelo Governo Jerônimo Rodrigues: viaturas semiblindadas, câmeras inteligentes, unidades especializadas e fortalecimento da Ronda Maria da Penha. Em Luís Eduardo Magalhães, a eficácia das intervenções para evitar feminicídios chegou a 77,7% em 2025, demonstrando capacidade operacional e articulação entre delegacias, patrulhas e Judiciário.
Sob uma perspectiva analítica, esse resultado sugere que a queda na letalidade está vinculada não apenas à presença policial, mas à integração técnica entre diferentes órgãos e à disposição das vítimas de registrar cada passo da escalada violenta.
Perfil e visão de política pública
Natural de Xique-Xique e radicada em Barreiras, Delmah Pedra é professora aposentada e advogada especializada em Saúde Mental e Dependência Química, filósofa. Sua trajetória de mais de três décadas em projetos sociais a leva a defender uma política pública que não trate a violência contra a mulher apenas como questão de segurança, mas como fenômeno multidimensional.
Para ela, romper o ciclo da violência exige a combinação de três pilares:
- proteção imediata
- autonomia econômica
- acolhimento psicológico e jurídico
Na Câmara Municipal de Barreiras, seu discurso e prática se alinham à ideia de que a presença do Estado deve ser simultaneamente firme na contenção do agressor e sensível na escuta das vítimas.
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