
Em tom diplomático, mas incisivo, vereador defende que o evento é patrimônio da cidade e não “marca de governo”; bloco reduz operação para três dias em 2026 após prejuízos acumulados e altos custos do setor
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Embora celebre o esgotamento precoce dos lotes de abadás para o Carnaval 2026, o vereador e empresário Allan do Allanbick subiu o tom contra a atual gestão da Prefeitura de Barreiras ao tratar da organização da folia. Em entrevista à rádio Oeste FMna noite desta segunda-feira (2) , o parlamentar buscou desvincular o sucesso do evento da figura do prefeito Otoniel Teixeira, sustentando que o “Barreiras Folia” deve ser tratado como uma política de Estado, e não como ferramenta de marketing político da atual gestão.
O choque de gestão e a redução estratégica
Como estratégia de sobrevivência econômica, o bloco Allanbick – um dos mais tradicionais do Oeste Baiano – terá sua estrutura reduzida de cinco para três dias de desfile (sexta, sábado e domingo). Allan justifica a decisão com base nos prejuízos financeiros acumulados pelos blocos privados nos últimos anos e na explosão dos cachês artísticos no cenário pós-pandemia.
O vereador avalia que o setor público ainda falha em compreender a importância dos blocos como o principal motor econômico do circuito. “Os blocos são a cereja do bolo”, pontuou o parlamentar, que utilizou seu mandato para convocar a primeira audiência pública sobre o planejamento da festa, alegando que faltava à prefeitura entender a realidade técnica e financeira de quem investe capital próprio no evento para garantir o fluxo turístico.
Crítica institucional e diplomacia política
No campo político, Allan foi enfático ao declarar que o Carnaval “não pertence ao prefeito A ou ao prefeito B”, mas sim à população barreirense. A fala atinge diretamente a tentativa de personalização da festa pela administração municipal. Apesar de manter o verniz diplomático característico de sua atuação na Câmara, o vereador admitiu que chegou a cogitar não colocar o bloco na rua este ano devido ao desânimo com o suporte oferecido pelo Executivo.
A crítica se estende à falta de previsibilidade, que, segundo ele, asfixia o comércio e o turismo. Para Allan, a prefeitura “faz o que pode”, mas a ajuda ainda é aquém do potencial necessário para retomar os anos de glória do maior carnaval do interior da Bahia. Ele defende que o diálogo entre o setor público e o privado precisa ser profissionalizado para que o organizador não seja “atropelado” por decisões unilaterais do governo.
Patrimônio imaterial e tradição familiar
Como contraponto à organização oficial, o parlamentar destacou a “Lavagem da Sulamita”. O evento, que acontece na quinta-feira de Carnaval, é capitaneado por sua família e foi recentemente elevado ao status de Patrimônio Cultural e Imaterial de Barreiras. A celebração é vista pelo vereador como o último reduto da essência da folia local, resistindo às mudanças de gestão e mantendo a tradição da “quinta-feira mais charmosa da avenida”.
Curiosidade: O “festeiro” de 1996
Para fechar o clima de expectativa para a folia, Allan relembrou, em tom de descontração, a origem de seu apelido político e empresarial. O nome “Allanbick” nasceu de uma astúcia de estudante em 1996, durante uma gincana no antigo CEFET (hoje IFBA). Impedido pela diretoria de usar um nome que remetesse diretamente à cachaça, Allan recorreu a um dicionário de inglês e encontrou o termo Bick, que na época trazia uma acepção livre para “festeiro” ou “fanfarrão”. A estratégia convenceu a direção da escola, deu vitória à equipe na gincana e acabou batizando uma das trajetórias políticas e empresariais mais conhecidas de Barreiras.
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