José Kobori, no JK Cast, alerta que a classificação de facções brasileiras como terroristas pelos EUA é um pretexto para futura intervenção no Brasil
Em seu canal no Youtube, JK Cast, o analista José Kobori alerta que classificação de facções como terroristas e acordos militares na região fazem parte de um movimento de recuo dos Estados Unidos da Eurásia para reafirmar hegemonia no hemisfério ocidental – com o Brasil como alvo final
O cenário geopolítico: EUA enfraquecidos recuam para as Américas
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – José Kobori, em seu JK Cast #255 (publicado em 21 de março de 2026), traça um panorama preocupante para o Brasil e a América do Sul. Segundo ele, os Estados Unidos estão em processo de enfraquecimento progressivo em suas projeções de poder na Eurásia – tanto na guerra da Ucrânia quanto no conflito com o Irã – e, como resultado, devem concentrar esforços no hemisfério ocidental, retomando a chamada Doutrina Monroe (“América para os americanos”).
“Os Estados Unidos tá aí tentando e procurando uma saída honrosa para isso. Não estranhe se o Estados Unidos declarar a vitória e encerrar. Conhecendo bem o Donald Trump como ele é, ele vai falar que ganhou a guerra e vai parar a guerra.”
A avaliação é que o tempo joga a favor do Irã, que já estaria saturando as defesas de Israel e dos EUA na região. Diante disso, Washington deve recuar – mas não sem antes reorganizar sua estratégia no continente americano.
O cerco ao Brasil: bases militares e aliados vassalos
Kobori alerta que os Estados Unidos já estão em movimento para cercar o Brasil. O recente acordo militar com o Paraguai e a presença de bases americanas na América do Sul são apontados como parte de uma estratégia semelhante à adotada no Golfo Pérsico, onde os EUA instalaram bases em seis monarquias para conter o Irã.
“Os Estados Unidos com esse acordo com o Paraguai, o que que ele tá fazendo? A mesma coisa que ele fez no Golfo Pérsico. Tá instalando um monte de base em volta do Brasil, exatamente quando ele fez no Oriente Médio, um monte de base nessas seis monarquias cercando o Irã.”
O analista também critica a postura de governos sul-americanos alinhados a Washington, como o da Argentina sob Javier Milei, a quem classifica como “vassalo”. A oferta de Milei para enviar tropas argentinas ao conflito no Oriente Médio é citada como exemplo de subserviência.
Classificação de facções como terroristas: o pretexto para a intervenção
Um dos pontos centrais da análise de Kobori é a tentativa dos Estados Unidos de classificar as facções brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Para ele, essa medida não tem eficácia prática no combate ao crime organizado, mas serve como um subterfúgio jurídico para justificar futuras ações unilaterais em território brasileiro.
“Isso já são subterfúgios que eles vão começar a plantar para lá na frente poder fazer uma intervenção no Brasil. Não tenho dúvida disso. Os Estados Unidos sempre fez isso: ele classifica terroristas conforme os seus interesses geopolíticos.”
Estudos e especialistas rejeitam a equiparação entre crime organizado e terrorismo
A proposta de classificar PCC e CV como organizações terroristas é rejeitada por ampla gama de especialistas, tanto no Brasil quanto no exterior. Abaixo, alguns estudos e declarações:
1. Artigo na Folha de S.Paulo (10/03/2026)
O colunista argumenta que equiparar crime organizado a terrorismo é um erro conceitual e pode encorajar intervencionismo. O texto destaca que a definição internacional de terrorismo envolve objetivo político ou ideológico, algo que não se aplica ao PCC e ao CV, cuja finalidade é o lucro.
2. Análise no EJIL: Talk! (17/03/2026)
A professora Luíza Leão Soares Pereira, em publicação do European Journal of International Law, analisa a prática dos EUA de classificar cartéis latino-americanos como terroristas e alerta que isso já foi usado para justificar o uso da força contra a Venezuela. O texto destaca que não há precedente no direito internacional que permita considerar o tráfico de drogas como um “ataque armado” que legitime autodefesa militar.
3. Manifestação de 12 Relatores Especiais da ONU
A reportagem da Folha e a análise do EJIL: Talk! citam uma comunicação conjunta de 12 relatores especiais da ONU criticando a designação de organizações criminosas como terroristas. Os especialistas afirmam que a medida conflui terrorismo e crime organizado, quando os dois fenômenos são distintos e devem ser tratados por regimes jurídicos separados.
4. Declaração de Natalia Fingermann (ESPM) ao SBT News
A professora de Relações Internacionais da ESPM afirma que a definição clássica de terrorismo envolve objetivos políticos claros, enquanto o narcotráfico tem como objetivo central o lucro. “Caracterizar o narcotráfico como terrorismo não ajuda no combate ao crime organizado. São fenômenos diferentes”, diz.
5. Entrevista com Jacqueline Muniz (UFF) ao Portal CSPB
A antropóloga e cientista política, professora da Universidade Federal Fluminense, classifica a possível designação como um erro conceitual grave. “Terroristas têm um projeto político. PCC e CV são parasitas da ordem, não inimigos dela.” Muniz também alerta que a medida abre “uma janela perigosa de ingerência” e que não há evidência empírica de que essa designação aumente a eficácia no combate.
6. Análise de Igor Lucena (BM&C News)
O economista e doutor em Relações Internacionais Igor Lucena, em artigo publicado no BM&C News, avalia que a classificação pode gerar pressão diplomática e financeira sobre o Brasil, além de criar estímulos para que o governo brasileiro “se movimente mais” no combate às facções – sob risco de outros países agirem sozinhos.
7. Declaração de Roberto Uchôa (Fórum Brasileiro de Segurança Pública) ao SBT News
O conselheiro do FBSP afirma que “não há evidência empírica de que essa designação aumente a eficácia do combate a essas organizações”. Para ele, a medida pode funcionar mais como instrumento de pressão geopolítica do que como estratégia efetiva de segurança.
O precedente da Venezuela: do “narcoterrorismo” à captura de Maduro
A análise de Kobori e os artigos citados convergem para um ponto central: a classificação como “terrorista” tem sido usada pelos Estados Unidos como antessala para intervenções militares.
O caso da Venezuela é emblemático. Em janeiro de 2026, os EUA realizaram uma operação militar que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, que aguarda julgamento em Nova York sob acusações de “narcoterrorismo”. O ataque aéreo e a incursão terrestre mataram entre 75 e 80 pessoas, segundo relatos .
A professora Luíza Leão Soares Pereira, no EJIL: Talk!, observa que a estratégia americana tem sido: (1) classificar um grupo ou regime como “terrorista”, (2) invocar o argumento de autodefesa ou “operação de aplicação da lei”, e (3) realizar ações militares unilaterais .
“A pergunta que fica é: por que apenas grupos da América Latina são alvo desse tipo de classificação?” – Roberto Uchôa, FBSP
Interferência nas eleições brasileiras e o risco para a soberania
Kobori também alerta que os Estados Unidos devem tentar interferir nas eleições brasileiras de 2026, apoiando candidatos alinhados a Washington. A presença de figuras políticas que já manifestaram abertura à entrega de ativos nacionais – como a privatização da Petrobras – é apontada como parte desse cenário.
“Eles vão fazer de tudo para isso aqui no Brasil, não tenha dúvida disso. E vocês já sabem quem tá alinhado, inclusive quem bate continência para a bandeira americana.”
A Folha de S.Paulo também aponta que a direita bolsonarista vê na segurança transnacional uma “nova pauta para fustigar” o governo Lula, usando o tema como instrumento político em ano eleitoral .
O risco nuclear no Oriente Médio: uma preocupação existencial
Kobori também expressa preocupação com a escalada do conflito entre Irã e Israel. Segundo ele, se Israel se perceber em uma situação existencial – sem capacidade de defesa antiaérea para se proteger —, pode recorrer a armas nucleares.
“Se Israel se vê numa situação existencial, ou seja, não tenho mais como me defender, vou ser completamente destruído, o Estado de Israel decida utilizar uma arma nuclear. Essa é a minha preocupação.”
Uma guerra nuclear, alerta, poderia significar a extinção da humanidade.
Conclusão: o Brasil precisa de soberania e preparo
A análise de José Kobori e os estudos citados convergem para um diagnóstico: o Brasil está no radar dos Estados Unidos como o último alvo de uma estratégia de cercamento e intervenção indireta.
Para o analista, a saída é o fortalecimento da soberania nacional – monetária, fiscal e militar — e a eleição de governantes comprometidos com os interesses do país, não com os de potências estrangeiras.
“Um país só tem poder se ele tiver soberania monetária, soberania fiscal e soberania militar. E a gente só tem a monetária meia-boca.”
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