Barreiras lidera casos de violência doméstica na Bahia e Câmara reforça criação da Procuradoria da Mulher 25032026
Imagens: Prints da transmissão da Rede Câmara de Barreiras, por Caso de Política
Com recorde de feminicídios em 2025 e 5ª Promotoria com maior volume de processos do estado, sessão especial mobiliza rede de proteção e propõe criação de Secretaria Municipal da Mulher
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A Tribuna Popular “Construindo espaços de Valorização Feminina”, realizada na Câmara Municipal de Barreiras, revelou um cenário crítico: a 5ª Promotoria de Justiça da comarca registrou, em 2025, o maior volume de casos de violência doméstica de todo o estado da Bahia. Em resposta à escalada da criminalidade – que viu o número de feminicídios na regional igualar, em apenas um ano, a soma dos dois anos anteriores -, a vereadora Carmélia da Mata, na presidência dos trabalhos, reforçou o compromisso do presidente Yuri Ramon com a criação da Procuradoria da Mulher, medida já anunciada anteriormente pelo chefe do Legislativo e que deve ser inaugurada em breve.
O alerta do Ministério Público: “Mete-se a colher, sim”

Da esfera privada aos direitos humanos: o promotor Dr. Rodolfo Fontenele reforça que a violência contra a mulher exige intervenção – e responsabilização -, inclusive nos casos silenciosos como perseguição e abuso psicológico
O Promotor de Justiça, Dr. Rodolfo Fontenele, trouxe uma perspectiva técnica e contundente sobre a interiorização da violência. Ele enfatizou que o problema deixou de ser privado para se tornar uma questão de direitos humanos.
“Aquela frase que infelizmente existia de dizer que ‘em briga de marido e mulher ninguém mete a colher’, isso não existe.
Mete-se a colher sim, e o agressor é preso e responsabilizado”, afirmou o promotor. Dr. Rodolfo destacou que a Lei Maria da Penha é, acima de tudo, um instrumento de proteção. Ele alertou para crimes silenciosos como o stalking (perseguição) e o dano psicológico:
“Perseguir, vigiar redes sociais ou esperar na esquina, mesmo sem toque físico, é crime e gera medida protetiva. Precisamos avançar para a ‘oitiva única’, evitando que a vítima reviva o trauma repetidas vezes no processo”.
Estatísticas e alerta da Delegacia da Mulher

“Em 2025, tivemos o mesmo número de mortes que o somatório de 2023 e 2024 juntos”, alertou.
A delegada destacou a eficácia das Medidas Protetivas de Urgência (MPU), informando que, das 650 solicitadas em Barreiras no último ano, 642 foram deferidas (98%). Ela também explicou o conceito de violência vicária – quando o agressor atinge os filhos para destruir o psicológico da mãe.
Fiscalização e Agilidade: A Atuação da Ronda Maria da Penha

Proteção que chega mais rápido: a Ronda Maria da Penha fortalece a rede de apoio e garante fiscalização das medidas, mostrando que denunciar pode – e deve – gerar resposta imediata
A Subtenente PM Edinalva, comandante da Ronda Maria da Penha em Barreiras, destacou o papel fundamental da Polícia Militar na fiscalização das Medidas Protetivas de Urgência (MPU). Ela celebrou o avanço na celeridade do sistema judiciário local: “Muitas mulheres relatavam que levava meses para conseguir uma medida; hoje, em três dias, a Ronda já recebe a notificação para iniciar o acompanhamento”, afirmou.
A subtenente reforçou que a Ronda atua em conjunto com a rede de proteção para garantir que o agressor mantenha distância. “A Ronda Maria da Penha está aqui para dar a mão e proteger. Não se cale, não ache que viver em violência é normal. Juntas venceremos essa barreira”, declarou Edinalva, mencionando o uso de ferramentas como o botão do pânico e a tornozeleira eletrônica no combate ao ciclo de abusos.
O grito das vereadoras: políticas públicas e ação

As vereadoras da Casa utilizaram a tribuna para cobrar avanços estruturais e relatar projetos de acolhimento:
- Carmélia da Mata (Presidente em exercício): Além de reforçar o anúncio do presidente Yuri Ramon sobre a Procuradoria da Mulher, denunciou que instituições como a Casa da Mulher Barreirense sobrevivem sem verba pública. Reafirmou a vigilância sobre a lei municipal que veda condenados pela Lei Maria da Penha em cargos públicos ou empresas terceirizadas do município.
- Tetê Chaves: Defendeu a criação da Secretaria Municipal da Mulher, argumentando que a Secretaria de Assistência Social não suporta mais a demanda sozinha. Citou o impacto de projetos de dança no combate à depressão e resgate da autoestima.
- Delmah Pedra: Levou acolhidas do Instituto Abrigo Mãe ao plenário, destacando o elo entre violência e dependência química.
“Não basta denunciar, a mulher precisa de creche integral e autonomia financeira para sair do ciclo”, pontuou.
- Silma Alves: Madrinha da Casa da Mulher Barreirense, ressaltou que o feminicídio não é um fato isolado e pediu que a TV Câmara reprise a sessão para alcançar mulheres que sofrem em silêncio.
- Dra. Graça Melo: Lamentou que a violência cresça justamente no mês de março. Enfatizou que as mulheres são a maioria do eleitorado e precisam cada vez mais ocupar espaços de decisão e poder.
- Dicíola Baqueiro: Trouxe a reflexão sobre a “terceira jornada” (trabalho doméstico invisível) e o preconceito digital.
“Precisamos ocupar o espaço da tecnologia e transformar rodas de conversa em ações efetivas”.
Autonomia financeira e identidade

Prevenção que transforma: com ações nas escolas, o CRAM aposta na informação e na autonomia como caminhos para romper ciclos de violência
Thailane Rocha, coordenadora do CRAM, informou que o centro realizou 72 oficinas preventivas em escolas este mês.
“Trabalhamos para quebrar a dependência econômica, que mantém a mulher no cárcere do casamento”, explicou.

Crescimento dos atendimentos acende alerta: a Dra. Renata Alves aponta o avanço da demanda e denuncia formas invisíveis de violência, como a religiosa, que silencia vítimas em nome da fé
Reforçando essa tese, a Dra. Renata Alves (Casa da Mulher Barreirense) revelou que os atendimentos saltaram de 93 para 235 em um semestre, alertando também para a violência religiosa, onde vítimas são coagidas a suportar agressões sob o pretexto de submissão espiritual.

Autoestima como resistência: a fala da Dra. Maria Eduarda Dória reforça que cuidar de si é também um ato de força — e de não aceitar mais a violência
A Dra. Maria Eduarda Dória finalizou com o tema da autoestima:
“Cuidar de si não é vaidade, é saúde e posicionamento. Uma mulher curada não aceita ser ferida”.
Presenças registradas
O evento contou com a presença de Izes Vieira de Lima (Corpo de Bombeiros), Adria Maia (Reitora Uninassau), Sargento Carmen Benício, Daiana Lina, Irlan Nunes (UNEB), Alécia Oliveira (AIBA), as policiais rodoviárias federais Cecília Oliveira e Inara Dias e o Major Simões (CPR-O).
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