Augusto Cury: O "Chá de Revelação" do Plano no Divulgacand
Análise do projeto registrado no Divulgacand revela que, por trás do marketing da “gestão da emoção”, esconde-se uma agenda de direita liberal com rombos fiscais bilionários e falácias de governança global.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O plano de governo de Augusto Cury, registrado oficialmente no Divulgacand – o sistema de consulta pública do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que obriga candidatos a darem transparência às suas metas -, é uma peça que tenta aplicar a lógica da autoajuda ao Orçamento da União.
O que o candidato apresenta como uma “terceira via” pacificadora é, na verdade, um projeto que inclina a balança para a direita liberal, mas esbarra na inviabilidade matemática. Ao ser confrontado com a realidade dos números, o otimismo do autor de best-sellers revela-se uma utopia fiscal perigosa para o país.
O “Einstein” do show de horrores eleitoral
A suposta genialidade política de Augusto Cury ganhou tração após debate recente. Ladeado pela agressividade militante de Renan Santos e pelo estilo de coronelismo tradicional de Ronaldo Caiado, Cury sobressaiu apenas pelo contraste estético. Em um cenário que analistas classificam como um “show de horrores”, quem consegue articular frases polidas e manter o tom de voz calmo acaba parecendo um novo Albert Einstein.
No entanto, essa postura professoral mascara uma fraqueza institucional intransponível: o Partido Avante possui uma base parlamentar minúscula. Sem apoio no Congresso Nacional, propostas estruturais como a mudança para o semipresidencialismo ou a imposição de mandatos para ministros do STF são apenas exercícios de escrita criativa, sem qualquer chance de execução na política real de Brasília.
A conta de R$ 280 bilhões que ninguém paga

O pragmatismo econômico é o ponto onde o plano de Cury desmorona. Ele promete, simultaneamente, o déficit público zero, a redução de impostos e o investimento em programas faraônicos. O projeto “Comunidades Empreendedoras”, por exemplo, tem um custo estimado entre R$ 145 bilhões e R$ 280 bilhões em dez anos.
O plano silencia sobre a origem desses recursos. Para o empresariado, ele acena com juros de 5% a 6% ao ano, ignorando a realidade da taxa Selic. Sem explicar como o Estado financiaria essa diferença, a proposta soa como “autoajuda bancária”. Já para o trabalhador, o projeto substitui direitos sólidos por “palestras de empreendedorismo”, tratando o desemprego tecnológico como uma falha de “gestão da emoção” e não como um problema de renda e proteção social.
A falácia messiânica da governança global
Outro ponto que beira o delírio técnico é o “Projeto 12 – Plano de Combate Mundial da Fome”. Nele, Augusto Cury propõe criar um fundo internacional financiado por taxas sobre o comércio global e a indústria de armas.
Embora a causa seja nobre, incluí-la em um plano de governo para a presidência do Brasil é uma falácia messiânica. Um presidente brasileiro não tem jurisdição para taxar o comércio de outras nações ou a indústria bélica estrangeira. Ao prometer soluções que dependem de uma impossível e imediata governança global, o candidato reforça que seu projeto está mais para a ficção literária do que para a gestão de um Estado soberano.
Exportação recorde e inflação na mesa do brasileiro
O “Projeto 10 – Brasil Exportador” foca quase exclusivamente no incentivo ao grande agronegócio e na busca desenfreada pelo dólar. “Não se combate o preço dos alimentos atacando quem produz”, afirma o texto. Contudo, ao incentivar a exportação sem prever mecanismos de regulação de estoques para o consumo interno, o plano empurra o país para o desabastecimento doméstico. O resultado é previsível: o lucro fica no bolso do grande exportador, enquanto o preço da carne e do feijão dispara na prateleira do supermercado local.
O fim da isenção
Ao abrir a “caixa-preta” do plano de Augusto Cury, o que se encontra é um verdadeiro “chá de revelação” ideológico. Apesar do discurso de neutralidade, as pautas de privatização, reforma administrativa punitiva e o foco total no capital exportador o posicionam nitidamente no campo da direita.
O Brasil de Cury é um país de papel, onde conflitos sociais são silenciados por “higiene mental” e buracos bilionários nas contas públicas são preenchidos com frases de efeito.
Clique aqui para baixar o Plano de Governo de Augusto Cury ou aqui para acessar no sistema divulgacand do TSE
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