ACM Neto é visto em aeroporto e viagem aos EUA não é confirmada
Ex-prefeito de Salvador apoiou Flávio Bolsonaro no segundo turno; enquanto circulam relatos sobre uma possível ida aos Estados Unidos, investigação da PF na Operação Overclean continua no radar.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – ACM Neto (União Brasil), derrotado por Jerônimo Rodrigues (PT) na disputa pelo Governo da Bahia, foi visto na noite de terça-feira (27) no Aeroporto Internacional de Salvador, acompanhado de familiares e com malas de viagem. A possibilidade de que tenha embarcado para os Estados Unidos ganhou repercussão nesta quarta-feira (28), mas não foi confirmada pelas informações disponíveis.
Em reportagem publicada nesta quarta, a assessoria do ex-prefeito declarou que ele seguia para Brasília para tratar de assuntos da Fundação Índigo, da qual é presidente. O veículo também registrou que a filha de Neto embarcou em outro voo. Portanto, até o momento, não há confirmação independente de que ele tenha seguido para os Estados Unidos.
A especulação ganhou força pela proximidade política entre Neto e Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial. Após perder a disputa estadual, o dirigente do União Brasil declarou apoio a Flávio em Brasília, em 7 de outubro, e prometeu mobilizar prefeitos, deputados e aliados na Bahia em favor do senador, conforme noticiado pela Folha de S.Paulo e pela CNN Brasil.
Investigação da PF envolve contratos públicos em Minas Gerais
A movimentação de ACM Neto no aeroporto ocorre enquanto seu nome aparece em uma investigação da Polícia Federal no âmbito da Operação Overclean. Em reportagem publicada em 30 de setembro, a CNN Brasil revelou que um relatório sigiloso da PF atribuiu ao ex-prefeito uma suposta posição de liderança em uma organização investigada por obter recursos públicos por meio de contratos superfaturados.
Segundo a reportagem, registros extraídos do celular do empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, identificaram 232 chamadas entre ele e Neto entre agosto e dezembro de 2024. Os investigadores relacionam o caso a suspeitas de direcionamento de licitações e irregularidades em contratos públicos em Belo Horizonte, incluindo contratações na área de Educação.
A PF deflagrou, em 17 de setembro, a décima fase da operação, com 24 mandados de busca e apreensão em seis estados. De acordo com comunicado oficial da corporação, ao menos três contratos examinados nessa frente de investigação somam mais de R$ 80 milhões.
Há, contudo, uma distinção jurídica importante: as conclusões atribuídas à PF integram uma investigação e não equivalem a condenação. O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido de busca e apreensão contra ACM Neto por considerar insuficientes os elementos apresentados para autorizar a medida, conforme noticiado pela Folha de S.Paulo.
ACM Neto negou envolvimento em irregularidades e classificou a divulgação das suspeitas como tentativa de interferência no processo eleitoral, segundo a CNN Brasil.
Viagem e investigação são questões distintas
A associação entre a possível viagem de ACM Neto e a ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos exige cautela. Embora os dois tenham estabelecido uma aliança eleitoral explícita no segundo turno, não há evidência pública que permita afirmar que uma eventual viagem do ex-prefeito tenha relação com a situação jurídica do senador.
O fato confirmado é que Neto apoiou Flávio e prometeu mobilizar sua base política na Bahia. Já o destino da viagem observada no aeroporto permanece sem confirmação independente. Da mesma forma, a investigação da Operação Overclean deve ser acompanhada a partir dos elementos reunidos pela PF e das decisões judiciais, sem transformar suspeitas em culpa comprovada.
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