Flávio e Eduardo Bolslonaro. Foto: Reprodução
Em entrevista a podcast americano revelada pelo g1, ex-deputado cassado ataca urnas eletrônicas sem provas e aconselha irmão a deixar o Brasil para escapar de investigações a dois dias do segundo turno.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Foragido da Justiça brasileira nos Estados Unidos, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL) defendeu nesta sexta-feira (23) que o irmão, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), abandone o país caso seja derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno deste domingo (25).
A declaração foi dada durante participação presencial no podcast conservador norte-americano Louder with Crowder, no qual o ex-parlamentar flertou com a ideia de uma intervenção militar externa e aconselhou abertamente a fuga para escapar de investigações a 48 horas da votação.
O aceno à violação da soberania nacional ocorreu quando um espectador questionou quais seriam os planos para resgatar o ex-presidente Jair Bolsonaro – condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado – caso Flávio perca a eleição.

Em tom de deboche, Eduardo disparou no estúdio que a saída seria “mandar os fuzileiros navais”, caindo na gargalhada. Interpelado pelo apresentador Steven Crowder sobre o custo político e a gravidade de uma invasão armada por tropas dos EUA, o brasileiro mudou de tom e passou a orientar o irmão a deixar o país:
“Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza”.
Para justificar o plano de fuga, Eduardo recorreu a declarações do debate presidencial, no qual Lula advertiu Flávio sobre o fim da imunidade parlamentar em decorrência do término de seu mandato no Senado no próximo ano.
“Teve uma parte do debate em que o Lula disse: ‘Olha, você vai perder a eleição. No ano que vem você não vai mais ser senador. Não vai ter imunidade. E nós vamos investigar tudo sobre você’. Ele disse isso abertamente, no meio do debate. Ele estava ameaçando meu irmão”, afirmou o ex-deputado na transmissão.
A manifestação expõe um padrão evidente de desapreço pelas instituições republicanas. Ao equiparar o término de mandato e a atuação ordinária dos órgãos de controle a uma perseguição sumária, Eduardo rebaixa a corrida ao Planalto à condição de salvo-conduto familiar: se o resultado das urnas não servir para conferir imunidade ao clã, a resposta articulada é a evasão do território nacional e a recusa em se submeter à jurisdição brasileira.
O fato de um ex-membro do Congresso recorrer a uma plataforma estrangeira para sugerir invasão militar por tropas de outro país – ainda que sob o disfarce de ironia – reforça a escalada contra as balizas da própria soberania nacional.
Ataques sem provas às urnas eletrônicas e mandado de prisão
No mesmo programa, o ex-parlamentar retomou o roteiro clássico de descredibilização do sistema eleitoral brasileiro, em uma tentativa nítida de fabricar justificativas prévias para um eventual revés no domingo. Eduardo voltou a colocar a apuração sob suspeita e cobrou a adoção do voto impresso, desconsiderando que o modelo 100% eletrônico opera no Brasil desde 1996 sem registros de fraude e com auditorias técnicas abertas aos partidos.
“O problema é que nós não usamos papel, não há contagem pública dos votos, e você precisa confiar na máquina. Nós usamos máquinas e é isso. Esse é o problema”, afirmou, recorrendo a uma citação atribuída ao ditador soviético Josef Stálin para alegar que “da mesma forma que eu não posso provar que houve fraude, eles não podem provar que não houve”.
O conselho para que Flávio deixe o Brasil espelha a própria trajetória de fuga de Eduardo perante a Justiça. Radicado nos Estados Unidos desde 2025, ele teve o mandato cassado pela Câmara dos Deputados em dezembro daquele ano por excesso de faltas.
Em junho de 2026, foi condenado de forma unânime pela Primeira Turma do STF a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo, após atuar para articular tarifas e sanções econômicas norte-americanas contra produtos brasileiros e ministros da Corte com o intuito de paralisar o julgamento do pai.
Com a condenação transitada em julgado pelo ministro Alexandre de Moraes e os passaportes cancelados, Eduardo possui mandado de prisão em aberto no Banco Nacional de Mandados de Prisão – exatamente o roteiro de fuga da Justiça que agora recomenda ao candidato da oposição.
Veja a entrevista de Eduardo:
Caso de Política | A informação passa por aqui.
#Eleicoes2026 #EduardoBolsonaro #FlavioBolsonaro #Politica #STF #TSE #Democracia





