Flávio perde o passaporte e é proibido de viajar após consultoria "genial" do irmão Eduardo nos EUA
Longe de qualquer mandado de prisão mas sem poder cruzar a fronteira, senador reclama da PF na rua enquanto o irmão 03 cantava o plano de fuga na internet.
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Dizem que na política os adversários cobram caro, mas nada custa mais do que a refinada capacidade estratégica de um irmão empolgado. Flávio Bolsonaro (PL) não foi para a cadeia, mas descobriu que terá de acompanhar a posse de Luiz Inácio Lula da Silva sem direito a viagens internacionais.
Na noite de domingo (25), logo após o anúncio da derrota nas urnas, o senador foi interceptado no meio da rua por agentes da Polícia Federal para cumprir ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF): entregar imediatamente todos os seus passaportes e acatar a proibição expressa de deixar o território brasileiro.
O parlamentar prontamente vestiu o figurino de vítima indignada perante as câmeras, reclamando do constrangimento de ter sido abordado ao sair da residência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“No meio da rua eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o país. Se eu tivesse ganhado as eleições, ia acontecer a mesma coisa? Flávio Bolsonaro eleito, essa PF ia estar do mesmo jeito me intimando no meio da rua?”, queixou-se o candidato derrotado, arrematando em tom patriótico: “Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração”.
VÍDEO: ASSISTA AO PRONUNCIAMENTO EM QUE FLÁVIO BOLSONARO RELATA INTIMAÇÃO DA PF
A comovente narrativa de quem “jamais cogitou cruzar a fronteira” esbarra, no entanto, no talento ímpar de sua própria família para produzir provas contra si mesma. Conforme noticiou o Portal Caso de Política no dia 23 de outubro de 2026 – apenas 48 horas antes da abertura das urnas -, o ex-deputado cassado Eduardo Bolsonaro fez o favor de avisar ao planeta inteiro que a rota de fuga do clã já estava traçada.
Em participação presencial no podcast conservador norte-americano Louder with Crowder, Eduardo foi perguntado pelo apresentador Steven Crowder sobre o destino da família caso Lula vencesse a disputa presidencial. Com a sutileza de um elefante em loja de cristais, o “estrategista master” dos Bolsonaro deu a consultoria do século:
“Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza”. Para justificar a debandada, argumentou que Flávio perderia a imunidade e viraria alvo fácil de inquéritos por crimes comuns.
O brilhantismo tático do número 03 não parou por aí. Num acesso de delírio bélico digno de roteiro classe B, Eduardo foi indagado sobre como resgataria o pai de sua pena de 27 anos de prisão. Com um sorriso largo e pose de gênio da geopolítica, disparou a solução mágica: mandar os fuzileiros navais dos Estados Unidos (“send the Marines”). Não satisfeito em sugerir uma intervenção armada estrangeira em tom de galhofa, ainda pontilhou a entrevista com teorias conspiratórias sobre urnas e citações atribuídas a Josef Stálin.
Diante de um assessor espontâneo desses operando em rede internacional, o ministro Alexandre de Moraes não precisou de esforço investigativo nem de quebra de sigilo telefônico. O risco de evasão do réu veio confessado, carimbado e transmitido via streaming pelo próprio irmão do investigado. Restou ao STF apenas formalizar a cautelar de retenção do documento antes que o senador decidisse seguir o conselho fraternal.
A cena beira a comédia de costumes. Enquanto Eduardo saboreia a vida mansa na Flórida pregando revoluções de sofá e convocando tropas imaginárias, Flávio segue em liberdade no Brasil, mas proibido de pisar em qualquer aeroporto internacional. Ter oposição é parte do jogo democrático; duro mesmo é ter um irmão que, a pretexto de ajudar, entrega o mapa da fuga com firma reconhecida no YouTube.
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