Sessão da Câmara de Barreiras 03032026
Em sessão histórica, parlamentares de oposição e situação convergem no diagnóstico de retrocesso, denunciam milícias digitais custeadas pelo erário e cobram pulso firme do Executivo diante do caos na infraestrutura e saúde
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A sessão da Câmara de Vereadores de Barreiras, realizada na noite desta terça-feira (3), rompeu com a liturgia das indicações de rotina para se tornar um marco de resistência parlamentar. O que se viu no plenário foi um fenômeno raro: a dissolução das fronteiras ideológicas em favor de um bloco único de fiscalização. Parlamentares de diferentes espectros – da base aliada à oposição ferrenha – uniram vozes para diagnosticar o que chamaram de “abandono administrativo” e “retrocesso institucional” sob a gestão do prefeito Otoniel.
O “Exorcismo” dos Fantasmas Digitais
O tema central e mais explosivo da noite foi a denúncia de funcionários fantasmas. O vereador Adriano Stein abriu a “caixa de Pandora” ao revelar que indivíduos remunerados por empresas terceirizadas da prefeitura estariam atuando como uma “milícia digital”. Segundo Stein, em vez de cumprirem expediente, esses agentes se dedicariam a atacar a honra de vereadores nas redes sociais.
A denúncia ganhou corpo com o apoio de Rodrigo do Mucambo e da vice-presidente Carmélia da Mata, que exercia a presidência interinamente na sessão. Rodrigo apontou que, enquanto falta verba para manter uma ambulância no Mucambo, sobram recursos para “lagartas” que apenas consomem o erário sem trabalhar. O clima de indignação culminou na proposta reforça de Adriano Stein para a abertura de uma CPI para investigar os contratos das terceirizadas, movendo o Legislativo de uma postura passiva para uma ofensiva jurídica.
O “Deixa Rolar” e o Vazio de Liderança
A crítica política subiu de tom quando o vereador João Felipe utilizou o meme “Deixa Rolar” para definir a inércia do prefeito. Felipe expôs um desrespeito institucional grave: projetos aprovados por unanimidade, como a gratuidade do transporte para idosos a partir de 60 anos, estão “engavetados” no Executivo, sem sanção ou veto.
“O prefeito fechou o olhinho e deixou rolar”, ironizou João Felipe, comparando o atual cenário de “cidade largada” com o dinamismo de gestões passadas. Para os parlamentares, a ausência de diálogo do prefeito com a Casa e o financiamento de ataques a parlamentares criaram um muro que isola a gestão da realidade das ruas.
Infraestrutura: Entre a Cor do Laço e a Cratera no Asfalto
A discrepância entre o marketing oficial e a realidade urbana foi detalhada por Delmah Pedra. Ao abrir o “Março de Cores” da saúde, a vereadora foi enfática: “A cor do laço não cura doenças”. Ela relatou o caso de um idoso que caiu em uma cratera na Rua Severino Vieira, classificando os buracos da cidade não como falhas estéticas, mas como “armadilhas contra a integridade física”.
O sentimento de precariedade foi ecoado por Silma Alves e Tetéia Chaves, que denunciaram o lixo acumulado em bairros como Vila Rica e Solar Barreiras. A análise política dos vereadores sugere que o colapso da infraestrutura e o desabastecimento de farmácias básicas (citado por Carmélia da Mata) são sintomas de uma gestão que “perdeu o prumo”.
Independência e Reforma Institucional
A sessão também marcou um movimento de emancipação da Câmara. Dicíola Baqueiro reforçou a necessidade urgente de reformar o Regimento Interno, classificando o atual como “obsoleto e engessado”, impedindo o debate democrático. A tese é clara: para fiscalizar com eficiência, a Câmara precisa de regras que privilegiem o contraditório e não o silenciamento.
Apesar das críticas pesadas, o plenário demonstrou maturidade ao isolar áreas técnicas que ainda funcionam, como a Educação, alvo de elogios pontuais. No entanto, o recado final da vice-presidente Carmélia da Mata, que presidia interinamente a sessão, selou o tom da noite. Em um desabafo pessoal e político, Carmélia afirmou não ser “prostituta de poder” e avisou que a fiscalização será intensificada.
O que Barreiras assistiu nesta terça-feira foi o Legislativo assumindo o papel de Poder Moderador. Ao unificar o discurso contra os “fantasmas” e a inércia administrativa, a Câmara sinaliza que o custo político para o prefeito Otoniel Teixeira aumentou drasticamente. Se a gestão não abandonar o modo “deixa rolar”, encontrará um parlamento disposto a usar o Portal da Transparência e as comissões de inquérito como ferramentas de um “exorcismo” administrativo sem precedentes.
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