Allan do Allanbick questiona empréstimo de R$ 140 milhões e afirma: “Com R$ 30 milhões se faz o que o prefeito quer fazer com 140”
Vereador apresentou cálculos sobre custos financeiros da operação e cobrou detalhamento das obras previstas antes da contratação do crédito
Caso de Política | Luís Carlos Nunes – O vereador Allan do Allanbick utilizou a tribuna da Câmara Municipal de Barreiras, durante a sessão desta segunda-feira (22), para questionar a necessidade do empréstimo de R$ 140 milhões solicitado pela gestão do prefeito Otoniel Teixeira. Em sua fala, o parlamentar apresentou cálculos sobre o custo do financiamento, criticou a falta de detalhamento dos investimentos pretendidos e defendeu que as principais demandas de infraestrutura do município poderiam ser atendidas com um volume de recursos significativamente menor.
Segundo Allan, antes da contratação de qualquer operação de crédito, a administração municipal deveria apresentar ao Legislativo e à população quais obras serão executadas, os custos previstos e os respectivos prazos de realização.
Para o vereador, com planejamento adequado e investimentos na ordem de R$ 30 milhões – menos de um quarto do valor pretendido pelo Executivo – seria possível realizar boa parte das intervenções consideradas prioritárias para a cidade.
A principal crítica apresentada pelo parlamentar refere-se ao impacto dos juros sobre as finanças municipais. Durante o pronunciamento, Allan utilizou um exemplo hipotético para ilustrar o custo da operação.
“Vamos fazer uma conta simples. Se os R$ 140 milhões custarem 1% ao mês, estamos falando de R$ 1,4 milhão por mês só de juros. Em dez meses, seriam R$ 14 milhões pagos sem reduzir a dívida. Esse valor daria para fazer 14 quilômetros de asfalto em Barreiras”, afirmou.
Na avaliação do vereador, a discussão sobre o empréstimo tem ocorrido sem que exista um planejamento detalhado das intervenções anunciadas. Ele observou que processos licitatórios de grande porte exigem diversas etapas legais e podem levar vários meses até a contratação e execução das obras.
“O que eu quero é que seja apresentado o que vai ser feito, qual o custo, qual o prazo e qual a necessidade. Pelo que já vi das obras que precisam ser realizadas, com R$ 30 milhões há condições de fazer muita coisa”, declarou.
Ao abordar a área da saúde, Allan questionou a viabilidade financeira da construção de um novo Hospital Municipal sem a demonstração prévia dos custos de manutenção da futura estrutura. O vereador argumentou que a gestão enfrenta dificuldades para suprir demandas básicas da rede atual e sugeriu que a ampliação de unidades descentralizadas poderia ser uma alternativa a ser considerada.
“Uma UPA custa hoje cerca de R$ 1,2 milhão por mês para ser mantida. Será que, em vez de um grande hospital, três ou quatro novas UPAs descentralizadas não atenderiam melhor a população?”, questionou.
Outro ponto destacado pelo parlamentar foi a aprovação, na mesma sessão, das 22 emendas à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Segundo Allan, parte dos investimentos apresentados pelo Executivo como justificativa para o empréstimo passou a constar expressamente no planejamento orçamentário do município.
“Tudo o que foi prometido para justificar o endividamento agora está previsto na lei para ser realizado com recursos do próprio orçamento. O Legislativo está oferecendo um caminho de gestão no lugar de um caminho de dívidas”, afirmou.
Ao concluir sua manifestação, o vereador voltou a defender maior cautela na contratação de financiamentos e reforçou a necessidade de planejamento e responsabilidade fiscal na aplicação dos recursos públicos.
“Quem sabe fazer conta de centavos sabe fazer conta grande. Barreiras não precisa de cheque em branco; precisa de planejamento e respeito com o dinheiro do trabalhador”, finalizou.
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